Este blog tem como único propósito a divulgação de um sub-género musical dentro da esfera do metal: o doom metal e as suas mais diversificadas vertentes.
Todos os links aqui apresentados remetem para outros "sítios" onde poderão encontrar mais informações e ouvir músicas das bandas que aqui vamos dando a conhecer.
Se gostarem do que ouvem, apoiem as bandas, comprem os seus artigos.
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SUUM CUIQUE TRIBUERE
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Estes Somunus Aeternus chegam da República Checa e 'On the Shores of Oblivion' é o seu primeiro álbum, sucedendo à demo lançada em 2011.
Entre os dois trabalhos há um efectivo crescimento da banda do ponto de vista qualitativo, apresentando um conjunto de temas multifacetados mas bastante coesos, capazes de agradar a seguidores das linhas mais melódicas do doom, death e, também, do gótico. Pois é, estamos perante uma fusão de estilos em dez movimentos e sem estar a destacar este ou aquele momento - pronto, está bem, 'The Light at the End of Suffering' é, na nossa opinião, um dos melhores exemplos onde convive toda a amálgama sonora referida de forma bastante harmoniosa - estamos em crer que este registo, que funciona da melhor maneira no seu todo, terá sido um dos melhores neste segmento durante 2012. É claro que as atmosferas e os momentos melancólicos têm uma preponderância maoritária nestas composições, como aliás se pode verificar durante a primeira metade do álbum, mas é a partir de 'A Touch of Insanity' que entrarmos em terrenos mais variados - e bem mais interessantes, diga-se em abono da verdade -, onde se verificam passagens bem mais rápidas, tornando as sucessivas audições momentos bem agradáveis, nada monótonos.
'On the Shores of Oblivion' cresce à medida que lhe vamos dispensando tempo e, de mansinho, ganha o seu espaço; se não possui «aqueles temas» ou uma boa mão cheia de malhas que nos deixam de queixo caído, ganhando automaticamente um lugar entre os melhores do ano, assume-se como uma bela revelação antecipando boas novas em futuros lançamentos. Assim o esperamos. (15/20)
Fomos
todos apanhados de surpresa quando, em 2010, os Isis resolveram colocar um
ponto final na sua carreira, pouco tempo depois do lançamento de um bem
sucedido 'Wavering The Radiant', que sucedia a colossos como 'Celestial',
'Oceanic' ou 'In The Absence Of Truth', definidores das linhas-mestras de um
género que se vulgarizou sob o nome de post-metal.
Pois
bem, os órfãos andaram a lamber as feridas durante um longo tempo, chorando
baba e ranho, mas ao mesmo tempo refugiando-se nos inspiradores e nos
sucedâneos, um conforto agora reforçado com novos lançamentos dos Neurosis e
Amenra, respectivamente.
'Temporal'
vem mostrar que os Isis não devem ser esquecidos, não podem ser tomados por um
qualquer epi-fenómeno que após o seu ocaso é varrido das mentes como um simples
delete. Os 14 temas que compõem esta
compilação (pois, longe está de ser um mero best
of, na sua linha mais redutora), trazem demos, remixes, inéditos e outros
menos acessíveis até agora (para além de um DVD com a sua videografia), que, à
primeira vista, parecem desgarrados, mas numa análise um pouco mais atenta
demonstra um conjunto bastante interessante para os seguidores da banda e um
excelente cartão de visita para aqueles que, só agora, tomem contacto com a
banda. As demos, com as suas alterações face às versões finais, ouça-se 'Ghost
Key' aqui sem voz ou então 'Carry' com diferentes linhas de guitarra, serão
porventura o prato menos aliciante. No entanto, o destaque da primeira rodela
vai para a imensa 'Grey Divide', 16 minutos pontuados por uma batida seca,
sobre a qual as guitarras crescem, desfiando melodias que nos envolvem;
descansam ali pelo meio, qual canção de embalar e regressam, sublimes; os
trunfos não tinham sido todos jogados.
Na
segunda metade deste lançamento, 'Streetcleaner', dos Godflesh e 'Hand of
Doom', dos Black Sabbath, demonstram a amplitude de referências musicais
trazidas para o seio do colectivo. Dois temas que viram a luz do dia ainda no
final da década de 90, mas bastante competentes e com o devido tratamento
Isis-iano. As remixes não trazem nada de novo ou empolgante e 'Temporal' está
na linha da lavra de Aaron Turner e Co.. A recta final com 'Way Through Woven
Branches', 'The Pliable Foe', resultantes da recente investida com os Melvins,
e a versão acústica de '20 Minutes/40 Years', encerra da melhor forma estas
quase duas horas de música, com belíssimos momentos, agradáveis surpresas e a
certeza que o mundo ainda precisa dos Isis. (16.5/20)
English:
We were all caught by surprise when, in 2010, Isis decided to put an end to their career, shortly after the release of a successful 'Wavering Radiant', successor of giants like 'Celestial', 'Oceanic' or 'In The Absence Of Truth', albums that defined the main lines of a musical style which is popularized under the name of post-metal. Well, the orphans passed a long time licking their wounds, crying snot and drool, but at the same time taking refuge in inspiring and substitutes, a comfort now enhanced with new releases of Neurosis and Amenra, respectively. 'Temporal' comes to show that Isis should not be forgotten, cannot be analysed as an epiphenomenon which is swept away from our minds after its demise as a simple delete. These 14 songs that make up this compilation (far from being merely a best of, in its most simplistic line), are demos, remixes, unreleased tracks and other less accessible songs until now (plus a DVD with their videography) that, at first glimpse, seem strayed, but a slightly more careful analysis shows a fairly interesting one for followers of the band and a great card for those who only now take contact with the band. The demos, with their changes faced to the final versions, listen up 'Ghost Key' here without voice or 'Carry' with different guitar lines, probably are the less interesting point. However, the highlight of the first disc goes for the immense 'Grey Divide', 16 minutes punctuated by a solid rhythm but simple, on which the guitars grow, unravelling melodies that wrap us; they rest after a few minutes, turning into a sweet lullaby and then returns, sublime; the assets were not all played. In the second half of this release, 'Streetcleaner' of Godflesh and 'Hand of Doom', from Black Sabbath’s classic ‘Paranoid’, demonstrates the breadth of musical references brought into the bosom of the collective. This two covers have seen the light of day in the late-90s, but are really quite competent and took the proper treatment to fit on Isis sound. The remixes do not bring anything new or exciting and 'Temporal' is in the action line of Aaron Turner and Co...The final stretch with "Way Through Woven Branches ',' The Pliable Foe ', resulting from the recent onslaught with the Melvins, and the acoustic version of '20 Minutes/40 Years', closes with gold these nearly two hours of music, with beautiful moments, pleasant surprises and the certainty that the world still needs Isis. (16.5/20)
Tracklist:
01. Threshold of Transformation (demo) 01. Streetcleaner (Godflesh cover)
02. Ghost Key (alternate demo version) 02. Hand of Doom (Black Sabbath cover)
03. Wills Dissolve (alternate demo version) 03. Not in Rivers, But in Drops (Melvins/Lustmord remix)
O lento crescendo de 'Empireum' vai inundando a nossa sala e tomando conta dos sentidos, numa toada hipnótica, marcando o regresso da banda de Tortona aos discos, após o incontornável 'Eve', uma obra maior na discografia dos Ufomammut.
'Oro: Opus Primum' entra assim, de mansinho com mais uma mão cheia de temas que, certamente, nos irão colocar à prova, pois nem tudo é imediato, linear e muito menos simples na sua música.
Há pontos de contacto com o seu antecessor e até ao final do tema de abertura isso parece-nos claro, mas é com 'Aureum' que as coisas começam a tomar rumos ligeiramente diferentes e, ao mesmo tempo, um pouco difusos, uma neblina que se vai instalando e não nos permite vislumbrar que caminho querem seguir. As malhas não são desgarradas, perdidas, desconexas, mas sente-se a necessidade de fugir à cópia e comparação com o passado. Os temas fluem, os ritmos lentos, secos e duros e a repetição quase até à exaustão estão lá; os efeitos, samples e vozes minimais fazem o seu trabalho. Tudo isto corresponde a um peso colossal, como já é hábito, mas fica a sensação de alguma descontinuidade que só é suprimida com 'Oro: Opus Alter', que chega uns meses mais tarde. (13.8/20)
Não, não estamos perante o irmão gémeo de 'Opus Primum', mas antes a sua continuação. A par do pormenor de um claro jogo de palavras presente nos títulos destes cinco novos temas, verifica-se um pormaior, ou seja, uma abordagem mais directa, com riffs monolíticos avassaladores (a recta final de 'Oroborus' é de nos pôr em sentido), sem perdas de tempo com «esquisitices», sem tornar as coisas demasiado cerebrais, mas mantendo uma interligação entre os andamentos, conferindo-lhe uma dimensão mais próxima comparativamente ao seu passado recente. Orgânico e visceral, talvez sejam os adjectivos que melhor se adequem para definir este novo conjunto de «orações», sem deixar de destacar 'Sulphurdew' e a já referida 'Oroborus', momentos de maior inspiração, evocativos da grande qualidade que esta banda tem e da sua capacidade para escrever paisagens sonoras demolidoras.
Muito se tem escrito acerca do timming de lançamento destes dois registos, mas independentemente dessa lana caprina importa salientar que, embora diferentes em algum do seu conteúdo, conjugados, 'Opus Primum' e 'Opus Alter' não infligem mácula no som dos Ufomammut, cimentando a sua posição de destaque no panorama da música extrema.
Agora, ouçam tudo de uma assentada, bem alto, e fiquem com a cabeça a andar à roda. (16.3/20)
English:
The slow growing of 'Empireum' is flooding our room and taking control of the senses, with an hypnotic tune, marking the return of Tortona`s band to records, after the unavoidable 'Eve', a foremost work in the discography of Ufomammut. 'Oro: Opus Primum' comes so softly over a handful of tracks that certainly will test us, because everything is not quiet immediate, linear and much less simple in their music. There are points of contact with his predecessor and it seems clear to us until the end of the opening theme, but with 'Aureum' things start to take slightly different paths and at the same time, a little fuzzy, a fog that is installing and will not allow us to discern which path they want to follow. The tracks are not stray, lost, disconnected, but feels the need to escape to copy and comparison with the past. The tunes flow and all the slow rhythms, dry and hard and almost repeated until exhaustion are there; effects, samples and minimal voices do their job. All this represents a colossal heaviness, as has become customary, but gets the feeling that some discontinuity is only suppressed with 'Oro: Alter Opus', which comes a few months later. (13.8/20) No, we are not facing the twin brother of 'Opus Primum', but rather its extension. Alongside the detail of a clear game of words present in the titles of these new five tunes, there is a much more direct approach, with overwhelming monolithic riffs (the final run of 'Oroborus' put us unwinking ) without wasting time with 'oddities', without making things too intellectual, but maintaining a connection between the movements, giving them a closer dimension comparatively to its recent past. Organic and visceral, these adjectives are perhaps well-suited to define this new set of "prayers", while highlighting 'Sulphurdew' and the abovementioned 'Oroborus', moments of special inspiration, evocative of the great quality of this band and their ability to write devastating soundscapes. Much has been written about the timing of release of these two records, but regardless of this wool goats what really matters, although some difference in some of its content, combined, 'Opus Primum' and 'Opus Alter' do not inflict any stain in the sound of Ufomammut, cementing its position in the extreme music scene. Now listen all at once, loud, and stay with your head to spin. (16.3/20)
Tracklists: Oro: Opus Primum Oro: Opus Alter 01. Empireum 01. Oroborus 02. Aureum 02. Luxon 03. Infearnatural 03. Sulphurdew 04. Magickon 04. Sublime 05. Mindomine 05. Deityrant
É já na recta final de 2012 que é lançado um dos álbuns mais aguardados do ano. A expectativa sobre o sucessor de 'Given To The Rising' era enorme; afinal estamos a falar de uma das bandas mais importantes dos últimos 20 anos, no espectro da música pesada (e, atenção que pesada, para o caso concreto do colectivo de Oakland, está bem para além do que a mera música).
Os primeiros 60 minutos de contacto com esta nova proposta foram estranhos, na verdade. 'We All Rage In Gold' até nos transporta para aquele ambiente do seu antecessor, mas volvidos alguns minutos nota-se ali algo diferente. E essa sensação prolonga-se pelos seis temas seguintes. "Que raio! Sensaborão!", é a nossa exclamação após o impacto. Mas, o facto, é que há discos que crescem com o tempo, com a aturada atenção que lhes dispensamos e o entendimento, que julgamos obter, do que se pretende a cada lançamento por parte da banda. 'Honor Found In Decay' é, de certo modo, diferente - não no sentido de quebra da repetição -, mais maduro; é o álbum que se faz quando é atingido um determinado patamar, o da excelência entenda-se, e tudo o que se tem para a oferecer está ali, despido na simplicidade, honestidade e savoir faire; em suma, a grandeza. 'My Heart For Deliverance' e 'Casting Of The Ages' poderão ser dos melhores exemplos disso mesmo.
Ao fim de uma boa dezena de audições, vemos o décimo primeiro longa-duração dos Neurosis sob outro prisma: não o do imediatismo e da continuidade, mas sim a busca de algo maior. Não é um resumo nem o baralhar e voltar a dar. É aquilo que não se consegue explicar, mas está ali tão escancarado naqueles sons e palavras. (18/20)
English: It is now in the final stretch of 2012, which is released one of the most anticipated albums of the year. The expectation on the successor of 'Given To The Rising' was huge; after all, we are talking about one of the most important bands of the last 20 years, in the spectrum of heavy music (and attention that «heavy», to the case of the collective from Oakland, is well beyond from what is simple music). The first 60 minutes of contact with this new proposal were strange indeed. 'We All In Rage Gold' transports us to the atmosphere of its predecessor, but a few minutes ware we note there is something different. And this feeling extends during the following six tracks. "What the hell! Tasteless!", it is our exclamation after the impact, but, the fact is there are records that grow over time, with devoted attention we dispense to them and the comprehension, which we think obtained, of what is desired by each release of the band. 'Honor Found In Decay' is somehow different - not in the sense of breaking the repetition of the formula -, more mature, the album is what you do when a certain threshold is reached, the excellence one, and all that has to offer is there, naked in simplicity, honesty and savoir faire; in conclusion, greatness. 'My Heart For Deliverance' and 'Casting Of The Ages' may be the best examples of this. After a good dozen hearings, we see the eleventh album of Neurosis in a different perception: not the immediacy and continuity, but the pursuit of something greater. It is not a summary or the shuffling and giving back. It's what you can not explain, but there is so barefaced in those sounds and words. (18/20)
Os Echoes Of Yul têm algo de cinematográfico; e isso ficou bem patente no seu primeiro álbum, lançado em 2009, em que cada tema parecia corresponder a um determinado momento de um filme muito obscuro, com uma produção descuidada e com parcos recursos. O argumento seriam as próprias músicas e os actores apanhados desprevenidos porque não sabia que o eram. Foi uma apresentação ao mundo em tons bem negros, deixando-nos em suspenso sobre qual o passo seguinte da dupla Jarek e Michal, no meio de uma variedade de sons bem condensada em densas atmosferas onde o drone paira, encorpando e unindo a amálgama sonora. 'From Infinity To Infinity' continuava a latejar na cabeça após o fim do disco; 'Or' tinha o mesmo efeito... Três anos volvidos, 'Cold Ground' mostra-nos uma aposta mais firme na costela ambiental do projecto, com recorrentes passagens que nos trazem os Jesu à cabeça e, igualmente, os Nine Inch Nails ali por alturas do 'The Fragile' e onde a visceralidade que podíamos admirar na obra de estreia, muito na veia de uns Godflesh, encontra-se relegada para um nível diminuto, em que 'Libra' talvez seja o exemplo mais claro e que acaba por soar muito bem ali a meio do disco, numa altura em que este corria o risco de entrar numa linha algo enfadonha. A segunda metade deste trabalho não destoa e até ao exalar de 'Last', que representa muito bem os cinquenta e tal minutos anteriores, os sons discorrem; uns, quase indiferentes, outros, mais envolventes, mas tudo sempre coeso e ligado. Este não é, definitivamente, um álbum que busca equilíbrios entre as facetas dos Echoes Of Yul, mas antes mais uma viagem exploratória de sons e texturas revelando-nos que a repetição não deve fazer parte do dicionário destes senhores e cada trabalho pode ser uma porta escancarada para o que lhes der na real gana. Assim seja. (14/20)
English:
Echoes Of Yul have something cinematic, and it was evident in their first album, released in 2009, in which each track seemed to correspond to a particular moment of a very dark film, under-resourced and with a mistreated production. The argument would be the songs themselves and the actors caught off guard because they did not know who they were. It was a presentation to the world in dark shades as well, leaving us in suspense about what the next step of the duo Jarek and Michal, in a middle of a variety of sounds well condensed into dense atmospheres where the drone hovers, embodying and uniting the amalgam of sound. 'From Infinity To Infinity' still beating in the head after the end of the disc; 'Or' had the same effect... Three years later, 'Cold Ground' shows us a bet firmer rib environmental project, with recurrent passages that bring to mind Jesu, and also Nine Inch Nails there for heights of 'The Fragile' album and where viscerality we could admire in the debut work, much in the vein of some Godflesh, is relegated to a diminished level, where 'Libra' is perhaps the clearest example and it ends up sounding quite right there in the middle of the disc, when the risk of entering in a boring line was a fact. The second half of this work does not clash until the breathe out of 'Last', which represents very well the fifty minutes of this album, the sounds discourse; ones, almost indifferent, other, more engaging, but everything always cohesive and connected. This isn’t, definitely, an album that searches for balances between all the facets of Echoes Of Yul, but it is more an exploratory trip of sounds and textures revealing to us that repetition should not be part of the dictionary of these gentlemen and each record can be a gateway wide open to do what they want. So be it. (14/20)
Tracklist:
01. Octagon 02. Foundations 03. The Tenant 04. Crosses 05. Numbers 06. Haunebu 07. Libra 08. Save Yourself 09. The Plane 10. The Message 11. Cold Ground 12. Chrome 13. Last
Das cinzas dos obscuros Funestum chegam à luz do dia estes Narrow House e o seu opus de estreia 'A Key To Panngrieb', com o carimbo da Solitude Productions. Quem tomou contacto com a primeira encarnação desta banda ucraniana, poderá ficar já com uma ideia do território onde estes novos temas se movimentam, embora aqui imbuídos de ambientes mais atmosféricos, bem na linha dos Comatose Vigil ou dos Abstract Spirit, por exemplo. E a páginas tantas, parece que estamos a ouvir essas bandas, dada a fórmula empregue - bem sabemos que é bastante complicado ser inovador e original neste estilo musical -, mas as comparações acabam por serem quase inevitáveis.
Ao longo destes 45 minutos de degredo funéreo, a «escola russa», chamemos-lhe assim, apresenta-se em boa forma; quatro temas tocados de forma muito competente, bem estruturados, com um bom equilíbrio entre as teclas e as guitarras e uma voz bem gutural que, esparsamente, alterna com um tom límpido e a pender um pouco para o tortuoso.
A tudo isto, é necessário acrescentar que, apesar deste registo ver somente agora a sua edição, todo ele foi gravado em 2010, com elementos que actualmente já não fazem parte da banda, o que nos fará antever alguma mudança sonora em próximos trabalhos.
Sem ser um álbum transcendental, 'A Key To Panngrieb' acaba por ser de agradável audição, sem grande originalidade, mas bastante sólido; pontos que abonam em seu favor, embora esteja sempre presente a ideia que já ouvimos algo muito parecido anteriormente. (12.2/20)
Já não é novidade nenhuma que, a nível musical, as composições de hoje olham muito para o passado; o retro está na moda, de facto. E, portanto, não é de estranhar que comecem a pulular por esse mundo fora dezenas de projectos que vão beber às décadas de 60 e 70, prestando culto ao psicadelismo e ao legado sabbathiano, que depois se misturam com influências mais recentes (leia-se, desde já, uma adoração pelos Electric Wizard).
Pois, estes franceses Huata encaixam bem no cenário atrás descrito, revelando um álbum de estreia carregadinho de peso, fumo e arestas vivas, agrestes, esperando por seguidores e ouvintes que se deixam enfeitiçar como se estivessem no meio de um ritual de adoração a forças diabólicas, em que a segunda metade de 'Thee Imperial Wizard' e 'Testi sum Capri' serão a banda-sonora perfeita para essa celebração.
Este, não será um álbum difícil para quem está familiarizado com as ondas do stoner/doom, encontrando por aqui mais um belo motivo de regozijo para mostrar que ainda se produzem algumas coisas boas e que a fonte Electric Wizard continua a povoar as lides musicais de muito boa gente; embora nos caso dos Huata não estejamos perante uma cópia chapada de um 'Witchcult Today', por exemplo, dada a vontade de criar algo com um cunho próprio sem colocar em cheque a sua identidade.
Assim, 'Atavist of Mann' acaba por ser um trabalho que, não trazendo surpresas também está longe de ser uma desilusão ou um longo déjà vu, sendo capaz de proporcionar um bom bocado e mostrar uma banda sabedora do caminho que quer fazer. (13.9/20)
Se a memória não nos atraiçoa, da Bulgária nunca brotou nenhum projecto de nomeada, daqueles que marcam a história do Metal e arrastam milhares de fiéis, apesar de estar a meio caminho entre a Alemanha e a Grécia, dois países com fortes raízes e bandas neste panorama.
De facto, ao longo desta última década, com toda a crescente quantidade, visibilidade e actividade que a cena do leste europeu proporcionou - e continua a jorrar como uma infindável torrente de lava -, ainda era possível notar a existência de algumas lacunas, alguns países que não estavam a acompanhar este boom, chamemos-lhe assim.
Não sabemos se estes Obsidian Sea almejam algo do género, ou se buscam feitos mais modestos, mas o facto de terem o seu primeiro longa-duração com o selo e distribuição da Solitude Productions certamente ajudará a que a sua música chegue a um mais alargado leque de ouvintes.
E o que nos traz este duo de Sofia? Pois bem, um conjunto de nove temas de doom na sua linha mais tradicional, com uns toques de epic (já estão a ver: Candlemass, Reverend Bizarre, Saint Vitus ou Solitude Aeturnus, por exemplo) que, apesar de não serem arrebatadores ou conseguirem ombrear com outros lançamentos do género, mostram um conjunto de ideias bem definidas aplicadas a composições coesas, sóbrias e estruturadas, ficando somente um pequeno travo a amargo pelo facto de não terem arriscado um pouco mais, dado mais algum dinamismo a alguns temas, acabando o todo por se tornar um tanto ou quanto previsível e a roçar o monótono; as excepções vão mesmo para 'Impure Days', onde foi «colado» um andamento mais rápido que até parece ligeiramente desajustado, por incrível que pareça relativamente ao que referimos acima, e o final de 'Beneath' num quasi mid-tempo. Por sua vez, é em 'The Seraph' e 'Curse of the Watcher' que podemos encontrar os riffs mais conseguidos destes 55 minutos.
Um dos pontos que também não ajuda este registo é a produção, um tanto ou quanto limitada, não deixando os temas respirarem e terem uma outra dimensão, que lhes poderia granjear mais alguns louros.
No entanto, a ideia a reter é a que estamos perante boas ideias e potencial sonoro. Basta que haja alguma maturação e "aquele" toque de inspiração que faça os Obsidian Sea erguerem-se a um patamar mais elevado. (12/20)
Dois anos após a
promissora demo que mostrou os Fatum Elisum ao mundo, eis que a banda de Rouen lança
o seu primeiro disco, através da britânica Aesthetic Death.
Ao longo destes 5
temas, ou melhor um intro e quatro longos temas, o que ressalta à primeira
vista é a inclusão de algumas mudanças do ponto de vista musical, fugindo da
toada funérea, extremamente densa e claustrofóbica, com Ende a deixar a sua
marca, num registo a roçar o desespero. Neste trabalho, as vocalizações são um
pouco mais diversas, mas sobressaem os registos limpos, quase declamatórios, removendo
para segundo plano essa agonizante libertação de palavras e urros selváticos,
esparsamente presentes em ‘The Twilight Prophet’, por exemplo.
Em ‘Homo Nihilis’,
apesar do ambiente não se encontrar menos desanuviado, a abordagem dos temas
vira-se para uma toada mais doom/death, bastante cadenciada, marcada por linhas
de guitarra simples e um ritmo forte de bateria, servindo de base para as
longas declamações de Ende, entre o inglês e o francês, com esporádicas
passagens pelo latim e grego, que nas vocalizações limpas conta com os
préstimos de Asgeirr, que também acumula funções no baixo. No meio destas
alterações, no nevoeiro dos temas, afloram reminiscências de Paradise Lost e My
Dying Bride, principalmente ao nível da voz, e dos Reverend Bizarre na vertente
sonora, sem esquecer os Evoken ou os Mourning Beloveth (nos seus trabalhos mais
recentes).
Com excepção de
'Pulvis Et Umbra Sumus', uma curta introdução de um minuto, muito similar à
presente na demo de estreia 'Fatum Elisum', todos os temas andam acima dos quinze
minutos de duração, mas a simplicidade empregue nas composições mantêm estes
exercícios interessantes do princípio ao fim, muito por culpa de um trabalho
mais apurado entre guitarras acústicas e eléctricas, atingindo em alguns
momentos algo de épico.
A
produção é simples mas eficaz, dando coesão a um disco que, perante um trabalho
menor, seria de muito mais difícil audição e qualquer receio inicial sobre o
representante desaparece dentro de alguns minutos da primeira pista. 'Homo
Nihilis' é um trabalho competente e consegue ter momentos pungentes, mas ainda
falta algo que demonstre que o investimento total aqui mereceu inteiramente o
seu resultado. (14.2/20)
English:
Two
years after their promising demo that showed Fatum Elisum to the world, behold
the band of Rouen releases his first album by Aesthetic Death, a British label.
Throughout
these five tracks, or rather an intro and four themes, which highlights at
first glance is the inclusion of some changes in terms of musical, fleeing the
funereal tune, extremely dense and claustrophobic, with Ende to make his mark
in a register to skim despair. In this work, the vocals are a bit more diverse,
but excel records clean, almost declamatory, doing almost forget this agonizing
release of words and savage yells, sparsely present in 'The Twilight Prophet',
for example.
In
Homo Nihilis', although the ambient is not less unclouded, dealing with the topic
turns to a tune more doom/death, very rhythmic, marked by simple guitar lines
and a strong rhythm of drums, providing the basis for the long declamations of Ende,
between English and French and occasional passages in Latin and Greek, which
features clean vocals on the services of Asgeirr, which also accumulates the
bass functions. In the centre of these changes, in the fog of topics, flourish
reminiscent of Paradise Lost and My Dying Bride, mainly in terms of voice, and
the sound looks like Reverend Bizarre in part, without forgetting Evoken or
Mourning Beloveth (in their more recent work).
With
the exception of 'Pulvis Umbra Et Sumus', a short introduction of a minute, very
similar to the demo debut 'Fatum Elisum', all songs walking up the fifteen
minutes long, but the simplicity employed in the compositions hold these
exercises interesting from beginning to end, by the fault of a much finer work
between acoustic and electric guitars, at times reaching something epic.
The
production is simple but effective, giving cohesion to a disc, before a work of
lesser quality would be much harder to be heard and any initial fear about the
representative disappears within a few minutes of the first track. Homo
Nihilis' is a competent job and manages to have emotional moments, but still
lack something that shows that total investment here fully deserved their
result. (14.2/20)