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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ab Reo Dicere: Aut Mori + My Indifference To Silence + Astral Sleep

Aut Mori - Pervaja Sleza Oseni

Em 2009, os Auto-de-Fé viram uma boa parte dos seus elementos em debandada e a darem origem a projectos como estes Aut Mori ou reforçando os Sea of Despair. Se estes têm já uma série de lançamentos, aqueles apresentam-se às hordes com este álbum moldado em oito segmentos onde reinam o doom e o gótico, naquela (e)terna dualidade bela vs monstro, onde as guitarras soam chorosas e as teclas marcam os temas com as suas texturas e ambientes. Pois bem, está visto que o ouvinte não irá encontrar, aqui, grandes, ou mesmo nenhumas, novidades. Este, foi um filão largamente explorado desde há alguns anos e já teve o seu devido hype, já consagrou algumas bandas (e, também, algumas carinhas larocas), tem os seus álbuns de referência e, no entretanto porque isto é mesmo assim, começou a entrar na sua curva descendente. Portanto, estes russos entram neste barco já na fase em que o velame está já muito poído pela acção dos ventos, a mastreação range demasiado e o casco já conheceu melhores dias. Isto não quer dizer que estamos perante um mau trabalho; muito pelo contrário. Temas coesos, com uma matriz definidora do princípio ao fim quanto à abordagem musical pretendida, sem grandes divagações e perdas de tempo desnecessárias, criando um todo bastante homogéneo, ao qual Jerry Torstensson, dono do banquinho da bateria dos Draconian e Olof Göthlin que também participou no último álbum da banda sueca, não serão alheios. No entanto, a segunda metade deste opus torna-se um pouco monótona - onde a excepção é mesmo 'Jelegija Bezmjatezhnosti', uma das melhores malhas de todo o álbum a par de 'Nebo' -, perdendo um bocado a capacidade de captar a nossa total atenção.
'Pervaja Sleza Oseni', ou melhor 'First Tear of Autumn', não irá trazer nada de novo ao movimento gothic/doom, mas mostra-se um registo sólido ao qual faltam dois ou três momentos que nos deixem de queixo caído e permitam ao colectivo ganhar o seu espaço e reconhecimento. Os ventos poderão mudar, mas isso também passa pelos Aut Mori. (11.8/20)

Tracklist:
01. Pervaja Sleza Oseni
02. Moja Pesnja – Tishina
03. Nebo
04. Prowaj
05. Moj Vechnyj Dozhd’
06. Zhdi
07. Jelegija Bezmjatezhnosti
08. Na Scene Osen’



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My Indifference To Silence - Horizon Of My Heaven

O que é que têm em comum On The Edge Of The NetherRealm e os My Indifference To Silence? Vladimir Andreev. Ou melhor, são duas abordagens musicais de Vladimir Andreev. Simplificando: On The Edge Of The NetherRealm é agora My Indifference Oo Silence. Mas tudo continua como antes, uma one man band.
E sim, há substanciais diferenças entre os dois. Se num havia lugar para a melancolia com os seus pianos que depois desembocavam em paredes de som fortes e vozes limpas cohabitavam com esparsos guturais, no outro entramos em terrenos mais agrestes, mais frios e obscuros. Larga-se a toada de pendor atmosférico e abraça-se o doom/death de tendências um pouco mais funéreas, à boa moda do que temos vindo a acompanhar nos sons que nos chegam da Rússia e países fronteiriços.
'Horizon of My Heaven' despe-se daquela aura mais emocional que se encontra em 'Different Realms' e resulta num álbum mais directo e mais unidimensional, ou seja, é sempre breu do princípio ao fim - embora ali pelo meio em 'Around You' e 'Your Easy Death' a coisa se torne um pouco mais ligeira, em abono da verdade.
'Decline of Your Consciousness' abre-nos as portas para a escuridão e aquele intermezzo acústico, chamemos-lhe assim, deixa-nos respirar após o forte embate antes de nos atirarmos de cabeça para o que falta desta malha inicial e prepara-nos para os 50 minutos restantes. Aqui, não há espaço para vozes doces, à excepção de breves trechos ao estilo spoken word, e a maior pecha vai mesmo para a falta dos temas respirarem e crescerem um pouco mais, podendo conferir uma maior dimensão a estes temas, uma boa amostra de como se pode criar bom doom/death sem estar sempre a olhar para a cartilha do costume.
Sem ser sublime e longe da perfeição, 'Horizon of My Heaven' cumpre, inapelavelmente, apresentando um leque de temas que não soam iguais entre si, com variações melódicas interessantes, mantendo a fasquia sempre num nível alto, tornando este álbum num momento bem agradável. (15/20)

Tracklist:
01. Decline Of Your Consciousness
02. For You
03. Scream Of Despair
04. Around You
05. Your Easy Death
06. Horizon Of My Heaven
07. Falling Stars
08. I Lost Myself
09. We’re All On The Other Side




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Astral Sleep - Visions

A parada está alta? Após dois EPs e um álbum que pouco mais roçaram do que a mediania, os finlandeses Astral Sleep regressaram em 2012 com um trabalho que, certamente, irá agradar a muita boa gente.
'The Towers' abre o disco e contém uma daquelas malhas que nos deixa esmagado. A voz sensaborona do passado dá lugar a um rugido simpático e, de repente, damos por nós a pensar que a dieta deste quarteto passou pelos melhores trabalhos dos Evoken e Mournful Congregation. Apesar de tudo, nota-se que o nível de intensidade vai baixando à medida que caminhamos para 'Channel Sleep'; outros tipos de voz são utilizados, nem sempre resultando com a mesma eficácia, mas o impacto dos primeiros minutos é por demais positivo.
'Channel Sleep' podia muito bem fazer parte de 'Unknowing', mas seria uma ilha. Aqui, apesar das diferenças para os restantes temas, encaixa e evidencia que a banda alargou horizontes e evoluiu nos terrenos mais melódicos em que se sente mais confortável. Parece um tema de «altos e baixos», mas está aí espelhada muita da criatividade do quarteto. O único senão vai para o piano inicial, desconcertante.
'Visions' vem na linha musical do tema anterior, mas revela-se o passo menos entusiasmante do álbum, ainda que contenha apontamentos interessantes, mas esparsos.
A fechar, '…They All Await Me When I Break The Shackles Of Flesh', tenta fazer a súmula, mas parece perder-se um pouco e, mais uma vez, a utilização de vários registos vocais não abona em favor do tema.
Com este segundo álbum, os Astral Sleep dão um salto qualitativo substancial relativamente a tudo o que fizeram no passado. A paleta de influências ainda está bem presente e a tentativa de encaixar muitas ideias num só tema também não resulta sempre bem, faltando ali um crivo que seleccione as ideias que se coadunem a um determinado tema, acabando por criar alguns momentos algo enfadonhos. Contudo, o saldo é bem positivo ao qual não podemos negligenciar uma produção mais efectiva. Bons indícios para trabalhos futuros. (14/20)

Tracklist:
01. The Towers
02. Channel Sleep
03. Visions
04. …They All Await Me When I Break The Shackles Of Flesh




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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ab Reo Dicere: Embrace Of Silence + Inborn Suffering + The Howling Void

Embrace of Silence - Leaving the Place Forgotten by God

Após dois EPs, esta banda ucraniana lança o seu primeiro longa-duração com uma sonoridade fortemente enraizada no doom/death da primeira metade da década de 90 (o EP 'Inspirational Songs' será a prova cabal disso mesmo, basta consultar a tracklist).
A fórmula que preside a estes sete temas é por demais conhecida, mas a qualidade de algumas ideias em 'Slaves of Forgotten Graves' ou 'Way to Salvation', por exemplo, são mais que suficientes para admitir que estamos para além de uma mera cópia dos My Dying Bride ou de uns Anathema na sua fase inicial; no entanto, 'Silent Voice, Empty Words' acaba por soar demasiado colada à banda de Halifax, dificultando a tarefa de esconder nas entrelinhas das composições essas mesmas influências.
Este é um álbum para fãs do género, disso não haverá dúvida, mas sublinhamos a existência de ideias interessantes aqui presentes e, se forem bem exploradas, poderão granjear uma maior visibilidade a este projecto. (13.9/20)

Tracklist:
1. In Gloom Of Somnolent Night
2. The Slave Of Forgotten Graves
3. The Gates Of Remembrance
4. Silent Voice, Empty Words
5. Way To Salvation
6. In Angel’s Hand
7. I’m Your Jesus



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Inborn Suffering - Regression to Nothingness

Seis anos após 'Wordless Hope', eis que surge o segundo registo destes franceses, continuando fiéis às linhas do melodic doom/death carregado de densas e profundas atmosferas que marcaram esse primeiro registo. Apesar disso, esta longa espera está longe de significar estagnação e 'Slumber Asylum', logo a iniciar é reveladora disso mesmo, com o seu ritmo forte e compassado, a suportar uma melodia que inclui um riff que se entranha ao fim de pouco tempo, desaguando em toadas mais lentas e belas. Somos apanhados de surpresa ao mesmo tempo que se revela uma banda mais madura e com uma qualidade de composição mais elevada. 'Born Guilty', começa em mid-tempo, como se estivéssemos no meio de uma tempestade, amainando mas mantendo todo o tema como uma bela sequência de passagens que se encaixam muito bem, sendo uma das melhores faixas deste registo (os minutos finais de 'Grey Eden' também são muito bons).
'Regression to Nothingness' está uns furos acima de 'Wordless Hope'; funciona como um todo bastante coeso, interessante e sem grandes momentos que soem a fillers.
Terá valido a pena esta espera de seis anos? "Este é um dos melhores álbuns do género, este ano!", será  a nossa resposta. (16.3/20)

Tracklist:
1. Slumber Asylum
2. Born Guilty
3. Grey Eden
4. Apotheosis
5. Another World
6. Regression To Nothingness
7. Self Contempt Kings



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The Howling Void - The Womb Beyond The World

Álbum número três desta one man band proveniente do Texas.
Ao longo dos quatro temas que compõem este 'The Womb Beyond The World', continuam a prevalecer as sonoridades funéreas com momentos mais ambientais que já se encontravam presentes em lançamentos anteriores. Os temas continuam a ser bastante longos, rondando os 15 minutos cada, em média, e o cenário para o qual nos transportam é exactamente igual ao que podemos constatar em 'Megaliths of the Abyss' ou em 'Shadows Over the Cosmos'.
As teclas continuam a dominar as composições, funcionando como elo de ligação entre todas as partes que vão construíndo estas odes lentas, dando a nítida impressão de uma certa filiação em linhas sonoras exploradas pelos Comatose Vigil ou pelos EA, mas sem conseguir atingir os níveis de interesse dessas bandas em álbuns como 'Fuimus, Non Sumus...' ou 'Ea', respectivamente. E quando as coisas são assim, apesar de estarmos perante um trabalho certinho e com um som decente, não há muito mais a dizer. (11/20)

Tracklist:
1. The Womb Beyond The World
2. The Silence Of Centuries End
3. Lightless Depths
4. Eleleth




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domingo, 11 de novembro de 2012

Abske Fides - Abske Fides

Há quase uma década que os Abske Fides andam a espalhar negrura num país que pouco ou nada deve a essa cor, o Brasil. Após uma abordagem, na sua demo de estreia, mais virada para o black metal de tons depressivos, seguiram-se dois EPs que tinham como mote o funeral doom. Três anos depois de 'Disenlightment', eis o primeiro longa-duração, auto-intitulado, que marca mais uma variação na orientação musical da banda. Agora, prevalece uma abordagem aos temas na linha do death/doom em deterimento das toadas mais funéreas. Isso é bem evidente na faixa de abertura 'The Consequence Of The Other', que na parte final contém uma voz feminina a dar um toque mais belo a esta entrada..
A primeira metade do álbum segue esta linha, numa abordagem quase clássica, a que não faltam o jogo entre growls e vozes limpas e passagens mais agrestes e outras mais contemplativas. 'Aesthetic Hallucination of Reality', incluído no último EP da banda, embora numa versão um pouco mais longa, marca o início de uma perda de rumo da banda, que vai do funeral doom até momentos mais uptempo no mesmo tema, entrando, depois, por caminhos que nos levam ao post-rock de uns Sigur Rós, por exemplo; 'Embroided In Reflections' talvez seja o melhor exemplo.
Não há aqui temas mal executados, mas a falta de um fio condutor é bem notória, fazendo com que este álbum não seja mais do que um conjunto de temas agrupados, sem fazerem grande sentido no cômputo final. O que é uma pena. (11/20).

Tracklist:
01. The Consequence of the Other 
02. Won't You Come
03. The Coldness of Progress
04. Aesthetic Hallucination of Reality 
05. 4.48
06. Embroided in Reflections



Link: http://abskefides.bandcamp.com/
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sábado, 31 de dezembro de 2011

Hanged Ghost - Knowledge Of The Occult (2011)

Cruento e obscuro, são os adjectivos que mais vezes nos passam pela cabeça durante este primeiro longa-duração dos portugueses Hanged Ghost. Lançamento efectuado através da Bubonic Productions e da Universal Tongue, composto por três temas e um pequeno epílogo, que sucede a duas maquetas em cassete, onde este duo de almas penadas nos mostrava bem as linhas com que se queria coser, com a sua música em balada num doom frio, bafiento, negro, sem grandes requintes ao nível da produção e da gravação, conferindo a este som um ar ainda mais mórbido/cativante (riscar o que não interessar), num estilo muito underground.
Ao longo deste 48 minutos, nunca saímos deste espectro de trevas, com uma banda-sonora apostada em descargas de riffs monolíticos, por vezes algo gélidos, que nos conduzem lentamente para um buraco negro onde a morte, a dor e o desespero que nos imiscuem e envolvem, num vagaroso e sufocante enleio.
'Knowledge Of The Occult' acaba por não ser muito diferente do que é possível ouvir nos registos anteriores e a falta de alguns momentos que marquem algumas 'rupturas' durante os temas, limita-os, ficando a sensação que estes carecem de mais algum dinamismo.  De qualquer forma, aqui fica mais uma proposta meritosa e que tão bem pode acompanhar as mentes mais negras durante estes frios e cinzentos dias de Inverno. (13.4/20)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

The Gardnerz - The System Of Nature (2011)

À primeira vista, esta banda engana. Olhando para o seu nome, ninguém ousaria dizer que estamos perante um colectivo que pratica doom/death metal com os anos 90 como pano de fundo. Em segundo lugar, o nome do álbum também não é nada comum no que concerne aos domínios do Metal. Mas, para além disso tudo está o que realmente importa: a música! 'The System Of Nature' revela uma dúzia de temas que vão buscar à derradeira década do século passado o que de melhor tinha para oferecer o doom/death de então, dando-lhe uma roupagem mais actualizada, mostrando-nos um conjunto de temas bem coesos e fortes como são exemplos 'The Art Of Suffering', o tema de abertura, ou então 'Flaw In The Axiom'; no entanto, esta estreia vale pelo seu todo, conseguindo manter as coisas sempre num nível bastante interessante, sem momentos a puxar o bocejo, embora por aqui não hajam grandes novidades ou originalidade. Antes, e como já referimos, uma renovação de uma sonoridade que marcou e teve o seu highlight há 15/20 anos.
Ao longo desta hora musical, destacamos um trabalho muito interessante de guitarra (acústica também), onde em bastantes momentos as melodias limpas, que fazem lembrar uns Ghost Brigade, cruzam-se com os riffs mais death e onde os solos, apesar de nada espampanantes, encaixam e soam muito bem.
Esta, acaba por ser uma estreia bastante auspiciosa, merecendo amplo destaque no segmento em que se movem, restando-nos aguardar por novos lançamentos que comprovem e melhorem o som desta banda. (15.2/20)

English:

At first sight, this band deceives. Looking at the name of the band, nobody would dare to say that we are before a collective that practices doom/death metal with the 90s like backdrop. Second, the name of the album is, also, not common at all if you look in the main album titles of the Heavy Metal world. But, besides everything what really matters is the music! 'The System Of Nature' reveals a dozen of songs that go back to the last decade of last century and grab what it had better to offer from the doom/death scene, giving now a more up-to-date clothing, showing us a set of quite cohesive and strong tracks as they are examples 'The Art Of Suffering', the opening theme song, or then 'Flaw In The Axiom'; however, this debut album is worth as a whole, always managing to maintain the things in a quite interesting level, without moments to pull the yawn, though this way there are no great news or originality. First of all, as we told already, a renovation of a sonority that marked and had its highlight 15/20 years ago.
Along this musical hour, we point out a very interesting work of guitar (acoustic, also), where in several moments the clean melodies, which remember sometimes Ghost Brigade, that cross with riffs more in the line of death metal and where the solos, nothing astonishing but very sober, fit and sound very well.
This one, it is a quite auspicious debut release, deserving spacious distinction in the segment in which they are moving, remaining for us to wait for new songs that prove and improve the sound of this band. (15.2/20)

Link: http://www.myspace.com/thegardnerz
         http://www.reverbnation.com/thegardnerz

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Monads - Intellectus Iudicat Veritatem (2011)

Por vezes, torna-se difícil entender o que nos impele a escrever sobre alguém ou alguma coisa. Na música, o cenário é semelhante, no nosso caso particular. Acresce que, ao longo dos últimos anos, temos sido confrontados com uma quantidade abissal de novos lançamentos que nos chegam em catadupas semanal ou mensalmente, muitos deles com qualidade e assim cativando a nossa atenção, esquecendo tudo à volta, nem que seja por algumas horas.
Os belgas Monads conseguiram-no com a sua demo de estreia 'Intellectus Iudicat Veritatem'. Composta por cinco longos temas, que andam a vaguear por entre o Doom/Death e o Funeral Doom (embora a banda indique a sua sonoridade como Post-Doom), com uma força e brutalidade sonora desarmante, capaz de varrer uma paisagem e deixá-la na mais profunda agonia e escuridão, inóspita. Um bom exemplo disso é o tema de abertura 'The Stars Are Screaming', onde somos confrontados, ao fim de poucos segundos, com essa realidade, um misto de Evoken, Esoteric e Mournful Congregation. Para além dessa vertente demolidora, há momentos de maior acalmia, onde nos é proporcionado algum tempo para respirar; 'Broken Gates To Nowhere' é prova disso, onde num lento e doce crescendo a paleta de cores do tema alarga-se para tonalidades mais claras e suaves, numa toada muito Post-Rock de uns Explosions In The Sky e que os mesmos não desdenhariam abraçar, certamente, desembocando num final que aglutina todas estas vertentes, dando-lhe uma certa aura épica, arriscamos dizer. Ou então, a passagem presente em 'Absent As In These Veins' que desemboca num final austero, duro, empolgante, que nos deixa zonzos e quando recompostos do atropelo, a primeira coisa que nos ocorre é premir novamente no play.
Apesar de estarmos a pisar solo já conhecido e largamente explorado ao longo destes últimos anos, temos que admitir que estamos perante um trabalho de estreia bastante consistente, coeso, com bons momentos e que vale muito pelo seu conjunto, sem sombra, por mais negra que seja, de dúvida. (16.3/20)

English:
Sometimes it is difficult to understand what leads us to write about someone or something. About music, the scenario is similar. Moreover, over the past years we have been confronted with an unfathomable amount of new releases coming out in waterfalls weekly or monthly, some of them with recognisable quality and so our attention is focused there, forgetting everything around, even for a few hours.
The Belgians Monads captured our attention with their debut demo 'Intellectus Iudicata Veritate'. Consisting on five long songs, that are left to wander amid the Doom/Death and Funeral Doom (though the band considers their sound as Post-Doom), with a muiscal force and brutality disarming, able to sweep a landscape and leave it in the deepest agony and darkness, inhospitable. A good example is the opening theme called 'The Stars Are Screaming', where we face, after a few seconds with this reality, a mix of Evoken, Mournful Congregation and Esoteric. Beyond this devastating side, there are moments of greater calm, where we are provided some time to breathe, 'Broken Gates To Nowhere' is proof of that, where a slow growing and sweet color palette theme extends to lighter shades and mild, in a very similar tune of some Post-Rock Explosions In The Sky and disdain that they do not embrace, of course, ending in a final that brings together all these aspects, giving it a certain aura of epic, I daresay. Or the passage in 'The Absent In These Veins' that ends in a final austere, hard, breathtaking, that makes us dizzy and when recomposed of the hustle, the first thing that occurs is to press the play button again.
While we are treading ground already well known and widely exploited over the last few years, we have to admit that this is a debut work fairly consistent, cohesive, with good songs and the whole is worth much without shadow, blacker than is, in doubt. (16.3/20)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Before The Rain - Frail (2011)

A julgar pelas cores da capa, pela sua imagem e título do álbum, os mais incautos terão uma valente surpresa quando tomarem contacto com os sons deste "Frail". Para os mais acostumados a estas andanças pelo Metal, a capa deste segundo álbum demonstra uma clara fuga ao standardizado e buscar, legitimamente, algum destaque. No entanto, não será somente pela capa/artwork que esta banda portuguesa andará "na boca do povo"; a sua música, ou seja, o principal leitmotiv. Merecido, diga-se, desde já.
Desde que saiu "... One Day Less", em 2007, os Before The Rain evidenciaram-se como uma das propostas mais consistentes na corrente do Doom/Death Metal que se faz em solo nacional e trilharam o seu percurso, mais ou menos conturbado, mas sempre seguro dos objectivos que a banda tinha a caminho desta nova etapa.
Olhando para este novo registo, podemos dizer que soa um pouco estranho, na medida em que não parece o sucessor de "... One Day Less", dando a clara ideia que falta um álbum ali pelo meio que nos prepare para esta nova proposta. As diferenças são bem notórias, o crescimento da banda foi muito significativo, a abordagem aos temas ganhou novos contornos e os Before The Rain de hoje já não se parecem com os de há 4 anos; estão bastante mais maduros, coesos, e o resultado disso mesmo são mais meia-dúzia de portentos que nos têm deixado a cabeça à roda, onde a fúria se imiscui de uma forma tão natural com passagens tão simples e doces, onde as palavras entoadas, cantadas e rugidas convivem graciosamente à medida que os minutos passam e tudo encaixa naturalmente. Quem já teve a oportunidade de apreciar estes novos temas ao vivo, não negará a força, poder e envolvência que os mesmos ganham.  Aqui, parece que se fundem os Katatonia, os My Dying Bride e os Anathema (na sua versão mais próxima do rock atmosférico) e não raras vezes estas bandas assomam ao nosso pensamento, na medida em que podiam muito estar a tocar qualquer um destes temas. Mas, estranhamente, as influências aqui soam muito bem.
Estão diferentes estes Before The Rain, musicalmente e no seu line up. Uma remodelação profunda na banda, com novos elementos, de entre os quais se destaca Gary Griffith (dos norte-americanos Morgion), e algumas novas abordagens musicais fazem desta banda e deste "Frail" um caso sério. Frágil, débil, delicado? Sim, tudo isso mas, acima de tudo, poderoso. (17.4/20)

English:
Judging for the colors of the cover, the image included and the title of the album, the most rash will have a brave surprise when they take contact with the sounds of this "Frail". For the ones most accustomed to these surprises in the Metal scene, the cover of this second album demonstrates a clear escape to a standard view that we have of Metal cover albums and to look, legitimately, for some distinction. However, it will not be only for the cover/artwork that this Portuguese band will be " in the mouth of the people "; its music, in other words, the principal leitmotiv. Deserved, of this you can be sure..
Since it went out "... One Day Less ", in 2007, Before The Rain showed up like one of the most solid proposals in the current line of Doom/Death Metal that is done in portuguese ground and trod his distance, more or less troubled, but always secure of the objectives that the band had the way of this new stage.
Looking to this new record, we can say that it sounds a little bit strange, as he does not seem the successor of "... One Day Less ", giving the clear idea that is lacking an album round about the way that prepares us for this new proposal. The differences are quite well-known, the growth of the band was very significant, the approach to the songs gained new outlines and the Before The Rain of today is already not similar with the ones 4 years ago; they are more ripe enough, cohesive, and the result is more stocking-dozen of wonders that have been leaving us the head to the wheel, where the fury interferes in such a natural form with so simple and sweet passages, where the chanted, sung and roared words coexist graciously while the minutes go by and everything fits naturally. The ones who already had the opportunity to appreciate these new songs live, will not deny the strength, power and involvement they gain in live acts. Here, seem that the Katatonia, My Dying Bride and Anathema (in his nearest version of the atmospheric rock) merge and not seldom these bands climb to the top of our thought, in so far as they could be touching very much any one of these compositions. But, strangely, the influences here sound very well.
This Before The Rain are different, musically and in its lineup. A deep remodelling in the band, with new elements, of which Gary Griffith is outstanding (of the North Americans Morgion), and some new musical approaches do from this band and from this "Frail" a serious case. Fragile, weak, delicate? Yes, completely that but, above all, mighty. (17.4/20)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Process Of Guilt - The Circle (2011)

E porque não? E porque não um trabalho de remisturas? Para alguns, esta nova proposta dos alentejanos Process Of Guilt poderá soar descabida ou completamente non-sense, mas o facto é que esta ideia arrojada - há que o admitir -, acaba por encaixar bastante bem num processo de maturação que a banda vem vivendo desde os seus primórdios, o que não quer dizer que vá, futuramente, enveredar por esses caminhos - as experiências conhecidas por todos, relativamente a incursões dessa índole, fez muita gente torcer o nariz e, diga-se, a qualidade desses mesmos trabalhos também foi questionável -, julgamos.
Um disco de remisturas de uma banda de Metal, talvez não seja muito habitual, e muito menos o será o de uma banda alicerçada no Doom/Death Metal, para mais sedeada em... Portugal! E as versões versam, desculpem a redundância, sobre o mesmo tema! Mas até nisso achamos que esse é mais um ponto a favor.
Gravitando em torno de "The Circle (Erosion Part I)", que abre este mesmo trabalho em jeito de ligação a "Erosion" e, ao mesmo tempo, servir de comparação às novas roupagens trazidas por nomes como Sanford Parker (dos Minsk e Buried At Sea), Echoes Of Yul, os nacionais DJ Mofo e Bosque e os espanhóis Sons Of Bronson (Toni Querol, dos Lords Of Bukkake), os pouco mais de 30 minutos de música evidenciam uma nítida remodelação do tema original, com algumas vocalizações novas, toadas mais ambientais, mas sempre pintadas em tons cinzentos, criando cenários soturnos mas, ao mesmo tempo, cativantes.
São cinco visões de um mesmo tema e outras tantas poderiam estar por aqui que, possivelmente, trariam algo de novo na sua interpretação desta música dos Process Of Guilt.
Derivativas à sua maneira, nenhuma das reinterpretações está "encostada" ao original; aqui e ali encontra-se uma linha de guitarra, uma batida de bateria "retirada" do original, mas no essencial, tudo é desconstruído e é criada uma nova base musical.
Estamos, portanto, longe dos terrenos em que normalmente vemos o quarteto movimentar-se, mas não deixam de ser áridos, erodidos pela acção dos elementos; para ouvir, sem rodeios.
Quem andava à procura do sucessor de "Ocean Remixes/Reinterpretations", dos Isis, ou de um trabalho qualquer dos Jesu, pode muito bem encontrá-lo aqui, antes que esgote! (15/20)

English:
And why not? And why not a work of remixes? For some, this new proposal of Process of Guilt from Alentejo, may sound misplaced or completely non-sense, but the fact is that this valiant idea - let us admit it - turns out to fit very well into a process of maturation that the band has been living since the beginning, which is not to say that will in future go down these paths - experiences known to all, for raids of this nature, has made many people turn up their noses and, incidentally, the quality of these works was also questionable judging.
An album of remixes from a Metal band, perhaps not very usual, and much less will be of a band based on Doom/Death Metal, from ... Portugal!  And the versions deal with, on the same topic! But even this idea is one more favourable point.
Gravitating around "The Circle (Erosion Part I)", which opens the same way to work in connection to "Erosion" and at the same time, serve as a comparison to the new outfit brought by Sanford Parker (Minsk and the Buried At Sea), Echoes of Yul, the Portuguese projects Bosque and DJ Mofo and Spaniards Sons of Bronson (Toni Querol, from Lords of Bukkake), a little over 30 minutes of music show a marked remodelling of the original theme, with some new vocalizations, more atmospheric tunes, but always painted in gray tones, creating gloomy scenarios, but at the same time absorbing.
There are five views of one subject and many others around here that could be possibly bring something new in his interpretation of music from Process of Guilt.
Derivative in its way, none of the interpretations is "leaning" to the original, here and there is a line of guitars, a drum beat "withdrawal" from the original, but in essence, everything is deconstructed and created a new musical base.
We are therefore far from land on which we normally see the quartet move, but they are still barren, eroded by the action of the elements, to listen, bluntly.
Who was looking for the successor of "Ocean Remixes /reinterpretations" of Isis, or any work of Jesu, may well find it here, before it runs out! (15/20)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Ophis - Withered Shades (2010)

Os mais incautos que derem de caras com este "Withered Shades" irá pensar que estamos perante mais um projecto de Black Metal; a imagem da capa, as cores e o pentagrama invertido poderão sugerir isso mesmo.
No entanto, estes germânicos movimentam-se pelos meandros do Doom/Death Metal, com alguns pózinhos de Funeral de quando em vez, e lançaram este ano o seu segundo álbum.
Quem acompanha a carreira da banda desde os tempos da demo "Empty, Silent And Cold", certamente terá registado uma notável evolução qualitativa no som e nas estruturas dos temas, como que num crescendo, ouça-se "Pazuzu" presente na referida demo e no registo de estreia e as diferenças saltam logo à vista; na primeira, onde se verifica um tom ainda naif, enquanto que em "Streams Of Misery" o som e poder da mesma encostam-nos à parede, após aquela intro deliciosamente escabrosa, deixando-nos atordoados após esses dolorosos minutos que são da mais rica qualidade exposta nesse registo.
Três anos depois, os Ophis chegam-nos com mais uma mão cheia de temas que se regem, grosso modo, pela mesma linha orientadora, embora aqui se note uma maior propensão para uma exploração até à exaustão de algumas linhas de guitarra e bases rítmicas - não sendo, desta forma, de estranhar que a maioria destes novos sons andem bem acima da dezena de minutos -, mas ao mesmo tempo, mostrando uma capacidade de composição mais refinada, na linha evolutiva que já falámos, aproximando-se, em alguns momentos de momentos mais melódicos que nos fazem lembrar os Swallow The Sun, por exemplo. A generalidade dos temas aposta em ritmos bem lentos, quase funéreos - ouça-se "Earth Expired" -, abrindo mais uma porta na abordagem musical que poderá trazer uma mais-valia para o som destes germânicos.
"The Halls Of Sorrow",  irrompe pelas colunas e quase que resume todos os 45 minutos seguintes; evidencia que esta banda está, no seu todo, num patamar superior. Não há falhas a registar, a máquina está bem oleada e coesa, há tempo para momentos de calmaria e outros de maior rispidez,sempre em doses equilibradas, ou seja, antevemos uns Ophis a caminho de um amadurecimento musical significativo, com uma personalidade bem vincada, um som bem definido e, acima de tudo, a garantia de trabalhos de qualidade acima da média.
Haja alguém que os traga cá para comprovarmos isso mesmo! (17/20)

English:
The most exclusive of unsuspecting people who face this "Withered Shades" will think that this is another project of Black Metal. The image of the cover and the booklet in general, the colors used and the inverted pentagram may suggest that.
However, these Germans move up the meanders of the Doom/Death Metal, with some of Funeral powder, and released their second album this year.
Those who follow the band's career since the days of the demo "Empty, Silent And Cold", will certainly have registered a remarkable evolution in sound and qualitative structure of the themes, like a crescendo - listen "Pazuzu," present at the demo and first album and the differences immediately appear, at first, where there is an even naive while in "Streams Of Misery" sound the same power and lean on the wall. After the intro delightfully scabrous, leaving us stunned, all those painful minutes of the richest quality are related in that register.
Three years later, the Ophis get us over a handful of themes that are governed roughly the same guideline, but here we note a greater propensity for a farm to exhaust some guitar lines and rhythmic foundation - is not thus surprising that most of these new sounds and to walk up ten minutes - but at the same time, showing a capacity of more refined composition, in the evolutionary line that we talked about, coming up on some good points more melodic moments that remind us Swallow The Sun, for example. A majority of bets on themes and rhythms slow, almost funereal - listen to "Earth Expired" - opening the door in a more musical approach that can bring added value to the sound of these Germans.
"The Halls Of Sorrow," which opens the album, after a slow start captivating, erupts from the speakers on full plenitude of his power and that sums up almost all 45 minutes; shows that this band is on the whole, a higher plateau. No failures to record, the machine is well oiled, cohesive, there is time for moments of calm and others sharply higher doses always balanced, ie each Ophis anticipate the path of a meaningful musical maturity, with a personality and stark, a defined sound and, above all, ensuring quality work above average.
There is someone who brings them to our holy ground, to give you an idea about it! (17/20)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

The Sullen Route - Madness Of My Own Design (2010)

Após os primeiros segundos de "Dagon", não foi possível deixar de pensar se não tínhamos recuado cerca de 20 anos e estávamos no epicentro de toda uma cena que começava a despontar, onde toda a gente já estava saturada de bandas ultra-rápidas e brutais, com temas disparados à velocidade da luz; o Doom/Death Metal entrava em cena e arrastava uma boa quantidade de metalheads na sua torrente pesada e pesarosa. Ainda presente, mas menos caudalosa, esta mesma torrente continua a trazer à tona algumas boas propostas.
De facto, tal como à uma vintena de anos na Inglaterra, na Rússia existe uma "cena" muito própria, com o seu som definido, dentro da sonoridade Doom. Ao longo deste ano, foi possível verificar que estamos perante uma área crescente e criativa, que dá cartas, principalmente, no mercado europeu.
Neste conjunto de propostas, surge-nos pela mão da Solitude Productions, o trabalho de estreia dos The Sullen Route e, tal como escrevemos no início deste texto, é uma autêntica bomba de peso, devastação e angústia, tudo apresentado em bases rítmicas bem lentas, com guitarras bem lancinantes e duras, ou seja, uma óptima escolha para os amantes deste género. Estes oito temas vão beber, descaradamente - e bem! -, aos anos 90, a fontes como Skepticism ou ao trio Anathema/My Dying Bride/Paradise Lost na sua fase inicial, conseguindo criar bons temas, de entre os quais "Dagon", "Gates" ou "Sullen Route" são bom exemplo disso mesmo. Actualmente, o seu som andará perto de projectos como Mourning Beloveth, Evoken ou mesmo dos portugueses Process Of Guilt, só para terem uma noção do que espera quem se atrever a colocar à frente desta massa enorme de peso.
Foi uma agradável surpresa esta estreia deste quinteto, lançando um excelente trabalho, deixando-nos com água na boca para uma actuação ao vivo ou então para novos registos. Digno de registo, portanto! (17/20)

English:
After the first few seconds of "Dagon", we could not help wondering if we had retreated about 20 years and we were at the epicenter of an entire scene that was beginning to dawn, when everyone was already saturated of bands ultra-fast and brutal with issues raised at the speed of light: the Doom/Death Metal came on the scene and drew a good amount of metalheads in their heavy and sorrowful flood.
Still present, but less plentiful, the same stream continues to bring out some good proposals.
In fact, as to a score of years in England, in Russia today there is a "scene" of their very own, with its definite sound within the sound Doom. Throughout this year, it was verified that this is a growing and creative area, giving cards, mainly in the European market.
In this set of proposals, comes to us by the hand of Solitude Productions, the debut work of The Route Sullen and, as we wrote earlier is a real bomb weight, devastation and anguish, all presented in very slow rhythmic bases with guitars and piercing and hard, that is, a great choice for lovers of this genre. These eight themes will drink, shamelessly - and well! -, to 90’s decade, from sources like Skepticism as to the trio Anathema/My Dying Bride/Paradise Lost in its early stages, managing to create good themes, including "Dagon," "Gates" or "Sullen Route" that are good examples of this. Today, their sound walk around with projects like Mourning Beloveth, Evoken or even the Portuguese Process Of Guilt, just to get an idea of what it hopes those who dare to put in front of this huge mass of weight.
It was a pleasant surprise this debut of the quintet, releasing an excellent work, leaving us salivating for a live performance or so for new records. Noteworthy, therefore! (17/20)



Link: http://www.myspace.com/thesullenroute
         http://solitude-prod.com/

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Insaniae - Imperfeições Da Mão Humana (2010)

Quatro anos após "Outros Temem Os Que Esperam Pelo Medo Da Eternidade", os portugueses Insaniae lançam o seu segundo opus, este "Imperfeições da Mão Humana", título deveras sugestivo para um trabalho deste género.
Ao longo destes seis temas, que continuam a ser vocalizados em português, temos uma continuidade do trabalho já feito, um prolongamento do Doom/Death Metal já conhecido, mas que aqui avança, mesmo que com alguma timidez, para terrenos um pouco mais atmosféricos, muito por culpa de uma melhor colocação da voz de Isabel Cristina e de uma maior exploração de diferentes cenários dentro desta sonoridade,  principalmente através do trabalho das guitarras, situação que não se verificava no passado. Mais e maiores momentos de melancolia que depois contrastam com passagens mais pesadas e compassadas - embora, a quase totalidade deste registo ande por andamentos bem arrastados -, onde o jogo de vozes se vai encaixando e imbuindo mais alguma emoção a estes pesarosos, cinzentos e longos temas.
Os dois temas, "O Covil" e "Tradição Ancestral", apareceram já no split lançado com os Mourning Lenore, no ano passado e demonstram essa linha de continuidade já referida, mas é na faixa "O Covil", que somos agarrados pelas guitarras de Diogo Messias e Luís Possante e arrastados por terrenos ásperos e espinhosos, lentamente e, depois, largados sem réstia de piedade. Situação idêntica repete-se, novamente, em "Trono Abdicado", que encerra esta proposta. São dois belos temas, onde os condimentos do Doom/Death se conjugam nas doses recomendadas, proporcionando dois excelentes momentos, provavelmente os melhores desta hora de música.
No entanto, há que realçar que muito do valor deste álbum vem da homogeneidade conseguida das composições e da procura de estender a sua sonoridade a novos territórios, ainda que de forma ténue.
Não estamos perante algo original ou que vá tornar-se um marco na história do Doom/Death - do português, talvez! -, mas a qualidade dos temas, a evolução patente relativa a "Outros Temem..." e a qualidade da produção são suficientes para estarmos perante mais um bom trabalho, que em nada deve ao muito "ruído" que nos chega de além fronteiras. (14/20)

English:
Four years after "Outros Temem Os Que Esperam Pelo Medo Da Eternidade" the Portuguese’s Insaniae released their second opus, this “Imperfeições da Mão Humana", a very suggestive title for a work of this kind.
Throughout these six themes, which continue to be voiced in Portuguese, we have a continuation of the work already done, an extension of the Doom/Death Metal known already, but here goes, even though with some shyness, to land a little more atmospheric, much the fault of a better placement of the voice of Isabel Cristina and greater exploration of different scenarios within this sound, especially through the work of guitars, a situation that was not the case in the past.
More and more melancholy moments after that contrasts with the heavier passages and unhurried - though almost all of the register and walk by dragging tempos - where the game goes into place and voices imbuing some more excitement to those grieving, gray and long themes.
The two themes, "O Covil" and "Tradição Ancestral", appeared in the split with Mourning Lenore released last year and show that line of continuity cited, but it’s in the track, "O Covil", that we are grabbed by Diogo Messias and Luis Possante’s guitars and dragged by rough terrain and thorny, slowly and then dropped with no shred of mercy. A similar situation is repeated again in "Trono Abdicado" which concludes this proposal. They are two beautiful themes, where the condiments of Doom/Death conjugate in recommended doses, giving two excellent moments probably the best ones in this hour of music.
However, it should be noted that much of the value of this album has achieved the homogeneity of the compositions and seeking to extend their sound into new territory, albeit tenuous.
We are not dealing with something original or go become a landmark in the history of the Doom/Death - the Portuguese, maybe! - but the quality of the themes, developments in patent relating to "Outros Temem ..." and quality of production is sufficient to be before more good work, which owes nothing to a lot of “noise” that comes in from overseas. (14/20)

Link: http://www.myspace.com/insaniae

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mourning Lenore - Loosely Bounded Infinities (2010)

"Loosely Bounded Infinities" é mais uma proposta saída deste pedaço de terra à beira-mar plantado e constitui o debut dos lisboetas Mourning Lenore, colectivo criado no início de 2008, tendo como mentor e figura central o vocalista e guitarrista João Galrito.
Somente com dois temas gravados, que foram lançados num split com os também portugueses Insaniae no ano passado, o projecto cativou o interesse da portuguesa Major Label Industries e o resultado está à vista: meia dúzia de composições alicerçadas no Doom/Death Metal, todas elas longas, sofridas, cinzentas, ou seja, constituem uma bela banda-sonora para estes dias tristes de Outono que nos acompanham.
Ao ouvir este trabalho é inevitável não ficar indiferente à qualidade dos temas, que apesar de densos e prolongados não atestam qualquer tipo de monocordismo ou excessiva repetição de estruturas musicais. Apesar de estarmos perante um registo essencialmente de Doom/Death, como referimos, na linha do que podemos encontrar nos primeiros trabalhos dos Anathema ou Paradise Lost, por exemplo, a banda soube explorar novas texturas nas suas composições, adicionando algumas partes mais melancólicas que nos remetem para uns Agalloch ou então arriscam incursões em territórios mais "distantes", como podemos conferir na parte final de "Unchained", onde parece que temos os Mono em função.
"Loosely..." vale bem pelo seu todo, é coeso, mas "Contours Of A Dream", que abre o álbum e "Reminiscence" são temas bastante bem conseguidos, que ganham destaque, onde ressaltam bons leads de guitarra, principalmente neste último, que desemboca no grito de Galrito: "Swallow my departure!!"
A par das quatro novas composições, aqui estão presentes os dois temas que fizeram parte do seu primeiro registo, que aqui foram alvo de regravação. São eles "Rain's Seduction" e "Patterns Of Emptiness".
Sem ser uma grande surpresa ou um colosso de Doom, a estreia destes compatriotas é bastante positiva, mostrando que o trabalho tem sido árduo e que seguem um bom caminho. "Swallow my departure!!" (16/20)

English:
"Loosely Bounded Infinities" is another proposal out this piece of land planted by the sea called Portugal and is the debut of Lisbon's Mourning Lenore collective established in early 2008, with the mentor and the central figure of vocalist/singer and guitar player João Galrito.
Only two songs recorded, which were released on a split with another Portuguese band, Insaniae last year, the project captured the interest of the Portuguese Major Label Industries and the result is obvious: half a dozen compositions grounded in the Doom/Death Metal, all long , sustained, gray, or constitute a beautiful soundtrack for these sad days of Autumn that follow us.
Upon hearing this work, one can’t remain indifferent to the quality of topics, although not dense and prolonged attest any monotone or excessive repetition of musical structures. Although we are facing essentially a record of Doom/Death, as noted, in line with what we find in the early work of Anathema or Paradise Lost, for example, the band was able to explore new textures in his compositions, adding some parts in that most melancholy refer to each Agalloch or else risk incursions into territories more "distant", as we can check at the end of "Unchained", where it looks like the Mono function.
"Loosely ..." well worth the whole is cohesive, but "Contours Of A Dream," which opens the album and "Reminiscence" themes are very well done, they gain prominence, where stress leads to good guitar, especially the latter, which leads to Galrito’s scream: "Swallow my departure!"
As well as four new compositions, are present here the two themes that were part of his first record, that have been subject to rewriting. Are they "Rain's Seduction" and "Patterns Of Emptiness".
Without being a big surprise or a colossus of Doom, the debut of fellow is quite positive, showing that the work has been arduous and follow a good path.
"Swallow my departure!" (16/20)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Hooded Menace - Never Cross The Dead (2010)

O longo fade in no início do tema que dá o título a este segundo álbum dos finlandeses Hooded Menace, mais não é do que uma preparação, rápida, para o que vem a seguir, ou seja, uma valente dose de doom/death metal do mais podre que se pode imaginar, pelo menos nestes últimos anos. A capa, só por si, já deveria ser suficiente para dar o mote, mas é ao som de temas como "Terror Castle", "Night Of The Deathcult" ou "Rituals Of Mortal Cremation", só para citar estes, que Lasse Pyykö e comparsas nos agridem com malhas brutais, um groove soturno e demolidor e growls profundos que suplantam a estreia de 2008, "Fulfill The Curse", já de si um trabalho bem acima da média e que os colocou no mapa da música extrema. Para atingir esse objectivo, o quarteto finlandês apostou agora numa melhor produção, acabando por ter um som mais cheio e coeso, apostou em temas um pouco mais catchy, com riffs demolidores, como havíamos referido, mas mantendo intacta a sonoridade Hooded Menace, sustentada em cenários doentios, funéreos e de horror.
Os oito temas que compõem este longa-duração são, na sua generalidade, lentos e longos, mas nunca chegam a tornarem-se chatos ou enfadonhos; aqui, as coisas soam sempre a fresco (ou a podre, conforme as preferências!), conferindo uma atmosfera bem negra ao longo dos 50 minutos de duração deste "Never Cross The Dead". O equilíbrio entre os temas pode ser a peça-chave para este sucesso; homogéneos, sem falhas a apontar e sem grandes devaneios ou floreados que nos possam distrair do objectivo principal desta banda: criar um disco de metal brutal e deixar-nos de queixo caído sempre que o ouvimos.
Com o ano já adiantado, começam a surgir as primeiras escolhas para as melhores recordações de 2010 e os Hooded Menace arriscam-se a figurar nesse restrito grupo.
E nem vale a pena escrever mais nada, porque a música falará por si!! (17/20)

English:
The long fade in, in the beginning of the music that gives the title to this album of the Finns Hooded Menace, is nothing more than a quick preparation, to what it comes to follow, or in other words, a huge dose of doom/death metal of the most rotten that you possibly can be able to imagine, at least in these last years. The cover of the record, only by itself, already should be enough to give the motto, but it is to the sound of songs like " Terror Castle ", " Night Of The Deathcult " or " Mortal Rituals Of Cremation ", only to quote these, which Lasse Pyykö and comrades attack us with brutish meshes, a sad and destroying groove and deep growls that supplant the first record launched in 2008, " Fulfill The Curse ", already a work well above the average and that placed them in the map of the extreme music. To reach this objective, the Finnish quartet bet now on a better production, having a fuller and cohesive sound again, bet on songs a little bit more catchy, with destroyer riffs, since we had told, but maintaining intact the sonority of Hooded Menace, supported in sickly sceneries, funereal and of horror.
All the eight songs that compose this full-length are, in its generality, slow and long, but they never come becoming flat or tiresome; here, the things always sound fresh (or rotten, according to the preferences!), checking a quite black atmosphere along the 50 minutes of duration of this " Never Cross The Dead ". The balance between the themes can be the key for this success; very cohesive, without faults to point and without great daydreams or ornaments that could distract us of the principal objective of this band: to create a record of brutish metal and let our chino n the ground whenever we hear it.
With half year gone, the first choices begin to appear for the best memories of 2010 and Hooded Menace’s risk of appearing in this limited group is high.
And I’ll not even be worthwhile to write more anything, because the music will speak for itself!!