Mostrando postagens com marcador Stoner/Doom Metal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Stoner/Doom Metal. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Huata - Atavist Of Mann

Já não é novidade nenhuma que, a nível musical, as composições de hoje olham muito para o passado; o retro está na moda, de facto. E, portanto, não é de estranhar que comecem a pulular por esse mundo fora dezenas de projectos que vão beber às décadas de 60 e 70, prestando culto ao psicadelismo e ao legado sabbathiano, que depois se misturam com influências mais recentes (leia-se, desde já, uma adoração pelos Electric Wizard).
Pois, estes franceses Huata encaixam bem no cenário atrás descrito, revelando um álbum de estreia carregadinho de peso, fumo e arestas vivas, agrestes, esperando por seguidores e ouvintes que se deixam enfeitiçar como se estivessem no meio de um ritual de adoração a forças diabólicas, em que a segunda metade de 'Thee Imperial Wizard' e 'Testi sum Capri' serão a banda-sonora perfeita para essa celebração.
Este, não será um álbum difícil para quem está familiarizado com as ondas do stoner/doom, encontrando por aqui mais um belo motivo de regozijo para mostrar que ainda se produzem algumas coisas boas e que a fonte Electric Wizard continua a povoar as lides musicais de muito boa gente; embora nos caso dos Huata não estejamos perante uma cópia chapada de um 'Witchcult Today', por exemplo, dada a vontade de criar algo com um cunho próprio sem colocar em cheque a sua identidade.
Assim, 'Atavist of Mann' acaba por ser um trabalho que, não trazendo surpresas também está longe de ser uma desilusão ou um longo déjà vu, sendo capaz de proporcionar um bom bocado e mostrar uma banda sabedora do caminho que quer fazer. (13.9/20)

Tracklist:

01. Lords of the Flame
02. Operation Mistletoe
03. Thee Imperial Wizard
04. Testi sum Capri
05. Templars of the Black Sun
06. Fall of the 4th



sábado, 27 de agosto de 2011

Yob - Atma (2011)

O ano de 2009 assistiu ao regresso dos Yob após um período bastante atribulado que passou pela extinção do projecto e levou à criação dos Middian - do qual resultou no lançamento do álbum "Age Eternal", em 2007 - e colocação de um ponto final na sua actividade, também, pouco depois, terminando com a reactivação dos primeiros, corria já o ano de 2008. Perante este frenesim num tão curto espaço de tempo, não foi de espantar que as expectativas fossem bem altas, por parte de todos aqueles que tomaram conhecimento do trabalho da banda de Mike Scheidt, por alturas do lançamento de "The Great Cessation", em 2009. A juntar a todas as razões atrás mencionadas, acrescentava-se uma sólida e progressiva ascensão da banda alicerçada em sucessivos longa-duração de reconhecida qualidade, desde os tempos de "Elaborations Of Carbon", de 2002.
Apesar disso, "The Great Cessation" revelou ser uma das melhores propostas do colectivo de Portland, cristalizando ao longo de cinco temas magistrais toda a sua fórmula, tornando-se num caso muito sério no domínio do Stoner/Doom Metal, sendo prova disso mesmo o duplo concerto na edição do ano passado do Roadburn Festival.
É desta forma, envoltos neste hype, que dois anos depois, chega aos escaparates o seu sexto longa-duração, "Atma" de sua graça.
Pois bem, a mão cheia de temas aqui presentes não traz muitas diferenças relativas ao passado; no entanto, as composições afiguram-se-nos mais directas, despindo-se de algum experimentalismo e sentido de jam session que anteriormente exalavam e conferiam, digamos, uma aura de transcendência às músicas. As malhas fortes, vibrantes na nossa cabeça, os ritmos lentos e demolidores continuam lá, suportando o timbre único de Scheidt, o que só por si, é a garantia de mais um trabalho avassalador, mas ao fim de algumas audições permanece a sensação que algo falta ali, de modo a ser equiparado ao seu antecessor ou a "Catharsis", por exemplo. Tudo está muito bom e muito certinho, mas isso é que é estranho e no meio desta estranheza ressalta a voz de Scott Kelly, na segunda metade de "Before We Dreamed Of Two", no meio da tormenta sonora, qual mão ou voz que acalma as grossas vagas, encaminhando-nos subtilmente para o centro do vórtice de onde somos cuspidos somente no final de "Adrift In The Ocean". Avassalador, sim, mas sem surpreender. (14.9/20)

English:
The year of 2009 saw the return of Yob, after a very busy process that conducted to the extinction of this project and led to the creation of Middian - resulting in the release of 'Age Eternal', in 2007 - and putting an end, too little then ending with the reactivation of the first band, during 2008. Along this frenzy in such a short time, it was not surprising that expectations were quite high, by all those who took contact with the work of Mike Scheidt's band, around the time of the release of 'The Great Cessation' in 2009. In addition to all the reasons mentioned above, added to a robust and progressive rise of the band supported in successive albuns with quality recognized since the days of 'Elaborations Of Carbon' in 2002.
Nevertheless, 'The Great Cessation' turned out to be one of the best proposals of the collective from Portland, crystallizing over five themes throughout his masterful formula, making it a very serious case in the field of the Stoner/Doom Metal, being proof of that the double concert at last year's edition of the Roadburn Festival.
In this way, wrapped in hype, which comes two years after the racking his sixth full-length, 'Atma' of his grace.
Well, the handful of songs do not present here many differences with the past, however, the compositions seem to us more direct, undressing a sense of experimentalism and jam session that previously exuded, like an aura of transcendence to the music. Strong riffs, vibrant in our heads, the slow and crushing rhythms are still there, standing the unique timbre of Scheidt, which alone would guarantee a record more overwhelming, but after a few auditions remains the feeling that something's missing there, so as to be compared to its predecessor or 'Catharsis', for example. Everything is very good and pretty straight forward, but that is what is foreign and strange in the middle of this strangeness the voice of Scott Kelly, appearing in the second half of 'Before We Dreamed Of Two', in the middle of this storm of sound, like a hand or voice that calms the enormous waves, subtly directing us to the center of the vortex where we are spit out only at the end of 'Adrift In The Ocean'. Overpowering, yes, but not surprising. (14.9/20)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Olde Crone - Olde Crone (2009)

Os Olde Crone já não o são. Pouco depois do lançamento deste seu álbum de estreia cessaram funções, o que não deixa de ser estranho visto que as sete músicas que perfazem este "Olde Crone" são boas, revestidas de Stoner/Doom Metal sem grandes floreados, inspirados numa cartilha que nos remete para o enorme legado "sabbathiano", para uns Pentagram e também Electric Wizard - quando lhes dá para o lado psicadélico -, ou Pombagira, por exemplo.
Assim, sem estarmos perante o disco que irá revolucionar as nossas vidas, mas tão somente um bom trabalho que nos irá fazer passar um bom bocado enquanto o ouvimos, à medida que uma boa mão cheia de cervejas desaparece goela abaixo, podemos dizer que este quarteto britânico soube construir temas longos, sóbrios (ou ébrios, conforme os gostos), com algum músculo, com alguns riffs engraçados, mas onde existiu sempre espaço para algum devaneio, com uma piscadela de olho ao Southern Rock, improviso, fugindo aos pergaminhos que ditam a estruturas das canções; eles fizeram um bocado o que lhes deu na real gana, foi o que foi! E isso será sempre de valorizar. "Blue Iris" ou "Olde Crone (Chapter 2)" são reflexo disso mesmo, principalmente no segundo exemplo, onde a par de riffs que tresandam stoner por todos os poros convivem harmoniosamente com passagens acústicas, com um leve travo a Oriente, deixando-nos a pensar sobre as misturas que ainda faltam fazer na música, no Metal mais especificamente. Não, não é que aqui haja algum tipo de novidade! O discorrer do álbum proporciona isso mesmo, essa leve introspecção, por entre os ritmos cadenciados e a tender para o lento e as guitarras duras nos seus main riffs e, igualmente, languidas nas fases mais experimentais.
É pena que, por ora, não tenhamos mais novidades desta banda, porque esta viagem teve piada e gostaríamos de repetir a dose... com novos temas.
Entretanto, abre-se mais uma cerveja (repeat mode on). (14/20)

English:
The Olde Crone already are not. Shortly after the release of their debut album had ceased to function, which does not cease to be odd since the seven songs on this "Olde Crone" being good, coated with Stoner/Doom Metal without major frills, inspired by a booklet that brings us to the enormous sabbathian legacy, and also for some Pentagram and Electric Wizard - when they give to the psychedelic side -, or Pombagira, for example.
Thus, if we were to the disk that will revolutionize our lives, but only a good work we do will have a good time while we hear, as a handful of good beer disappears below the throat, we can say that this british quartet able to build long themes, sober (or drunk, according to taste), with some muscle, with some funny riffs, but where there is always room for a daydream, with a wink to Southern Rock and improvisation, fleeing to the scrolls that dictate the structure of the songs, they did a bit which gave them the “real Ghana” (portuguese expression), was what it was! And it will always be of value. "Blue Iris" or "Olde Crone (Chapter 2)" are a reflection of this, especially in the second example, where the pair of loops that stink from every pore stoner live harmoniously with acoustic passages, with a slight bitterness in the East (!) , leaving us to think about the mixes that have yet to make music, or more specifically in the metal. No, it is here that there is some kind of novelty! The course of the album provides just that, this mild introspection, amid cadenced rhythms and tends to slow and the hard guitar riffs in their main and also faint in most experimental phases.
It is unfortunate that, for now, we have no more news of this band, because this trip was funny and would like to repeat it ... with new themes.
However, it opens another beer (repeat mode on). (14/20)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

OM - God Is Good (2009)


A história dos Om estará, indelevelmente, associada aos Sleep. E quando Al Cisneros e Chris Hakius surgiram em 2003 com este projecto, não negaram o seu passado, continuando a carregar na música que faziam todo o legado que já vinha da década passada.
No entanto, no início de 2008, Hakius deixou a banda e muito boa gente vaticinou o final; mas, para o seu lugar, entrou Emil Amos, dos Grails, e eis que surge o primeiro rebento desta colaboração, "God Is Good".
Grande parte deste trabalho centra-se em torno do tema de abertura, "Thebes", um longo opus de 19 minutos que, logo nos primeiros segundos nos quer mostrar sinais de mudança: a exploração mais afincada da vertente experimental através da inclusão de uma tambura, instrumento de cordas indiano, que depois se imiscui com o baixo e voz de Cisneros já característicos e com uma percussão mais dinâmica de Amos. 
O segundo tema, "Meditation Is The Practice Of Death", resulta num exercício mais na linha de uns Om mais "old shool" (se é que é possível utilizar aqui este termo), mas que encerra com um inesperado "solo" de flauta, demonstrando que as surpresas podem acontecer a qualquer momento até ao final do álbum. E, estas, realmente prolongam-se pelos dois últimos temas, "Cremation Ghat I" e "Cremation Ghat II", instrumentais que, no fundo, se fundem num só. Aqui, Amos dá mais azo à sua plural forma de abordar a percussão e reaparece a tambura nos minutos finais em jeito de fecho de ciclo.
Este quarto álbum dos Om poderá reflectir uma inversão no trajecto trilhado até aqui, com a inclusão de novos elementos e abordagens musicais. De facto, apesar de incialmente serem um pouco estranhas, após algumas audições revelam-se uma superior mais-valia para o projecto.
E diga-se, em abono da verdade: gravar sempre o "Conference Of Birds" seria porreiro, mas acabaria por enjoar. (15/20)

Site: http://www.omvibratory.com/ 

Myspace: http://www.myspace.com/variationsontheme