sexta-feira, 16 de outubro de 2009

OM - God Is Good (2009)


A história dos Om estará, indelevelmente, associada aos Sleep. E quando Al Cisneros e Chris Hakius surgiram em 2003 com este projecto, não negaram o seu passado, continuando a carregar na música que faziam todo o legado que já vinha da década passada.
No entanto, no início de 2008, Hakius deixou a banda e muito boa gente vaticinou o final; mas, para o seu lugar, entrou Emil Amos, dos Grails, e eis que surge o primeiro rebento desta colaboração, "God Is Good".
Grande parte deste trabalho centra-se em torno do tema de abertura, "Thebes", um longo opus de 19 minutos que, logo nos primeiros segundos nos quer mostrar sinais de mudança: a exploração mais afincada da vertente experimental através da inclusão de uma tambura, instrumento de cordas indiano, que depois se imiscui com o baixo e voz de Cisneros já característicos e com uma percussão mais dinâmica de Amos. 
O segundo tema, "Meditation Is The Practice Of Death", resulta num exercício mais na linha de uns Om mais "old shool" (se é que é possível utilizar aqui este termo), mas que encerra com um inesperado "solo" de flauta, demonstrando que as surpresas podem acontecer a qualquer momento até ao final do álbum. E, estas, realmente prolongam-se pelos dois últimos temas, "Cremation Ghat I" e "Cremation Ghat II", instrumentais que, no fundo, se fundem num só. Aqui, Amos dá mais azo à sua plural forma de abordar a percussão e reaparece a tambura nos minutos finais em jeito de fecho de ciclo.
Este quarto álbum dos Om poderá reflectir uma inversão no trajecto trilhado até aqui, com a inclusão de novos elementos e abordagens musicais. De facto, apesar de incialmente serem um pouco estranhas, após algumas audições revelam-se uma superior mais-valia para o projecto.
E diga-se, em abono da verdade: gravar sempre o "Conference Of Birds" seria porreiro, mas acabaria por enjoar. (15/20)

Site: http://www.omvibratory.com/ 

Myspace: http://www.myspace.com/variationsontheme 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Wretched - Dark Ambience EP (2009)

Os Wretched já não existem como banda. A sua dissolução ocorreu após o falecimento do vocalista Jon Blank, vítima de overdose, em Maio último. Assim, este "Dark Ambience" é uma obra póstuma que testemunha as últimas gravações de Blank, após a reunião da banda em 2003.

Nos 3 temas aqui presentes, continuamos a ter um heavy/doom metal, onde se notam bem as influências de St. Vitus, Obssessed e Trouble, por exemplo.
Antes da primeira separação, em 1996, lançaram 3 álbuns através da Hellhound Records e, já aí, o seu som assemelhava-se ao que nos apresentam hoje.
Para quem já conhecia este quarteto, não haverá grandes novidades; para quem estabelecer o seu primeiro contacto, até poderá ter uma agradável surpresa. (13/20)

English:
The Wretched no longer exist as a band. Its dissolution came after the death of lead singer Jon Blank, victim of a drug overdose last May. Thus, this "Dark Ambience" is a posthumous work that testifies to the latest recordings Blank, after meeting the band in 2003.
In these three songs included in this EP, we still have a heavy/doom metal band, in good form, and note where the influences of St. Vitus, Trouble and The Obssessed, for example, are very present.
Before the first separation in 1996, they released three albums by Hellhound Records and since then, their sound akin to what we have today.
For those who already knew this quartet, there will be big news, for those who establish their first contact until you have a pleasant surprise. (13/20)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

S:t Erik - From Under The Tarn (2009)

Ao fim dos primeiros segundos de "Goddess", pensei que estava perante uma cópia dos High On Fire, mas com a passagem dos minutos o cenário mudou. Não é que a base sludge/doom tenha mudado, não é nada disso; a boa surpresa é a inclusão de sintetizadores que emanam sons muito à la space rock, conferindo a estes 5 temas alguma frescura no meio de tanta aridez.
Com o início de "The Search", parece que estamos a ouvir outra banda tal o contraste, durante os primeiros 4 minutos, com a faixa referida no início do texto. Aliás, este segundo tema e o que encerra o álbum, "Swan Song", são os que resultam melhor, não por serem os mais longos, mas porque fundem todos os elementos que fizeram parte deste debut em doses equilibradas, não havendo atropelos estilísticos nem a necessidade de mostrar essas fusões a todo o momento. Estas quase jams, relaxadas, fluentes, permitem verificar que os horizontes destes suecos (é verdade, já é o terceiro caso este mês!) estão bem abertos. Basta olhar para a capa. (15/20)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nox Aurea - Via Gnosis (2009)

Quem olhar para esta capa e nome de banda poderá, à partida, fazer uma ideia do som que ouvirá caso decida carregar no play. Se souber que são originários da Suécia, a probabilidade de estar perante um bom projecto aumentará consideravelmente.
E este "Via Gnosis" arrebata logo à primeira audição; doom/death/gothic de muito boa qualidade, em doses equilibradas, resultando num trabalho bem melancólico, com ambiências bem soturnas e negras, que para os dias de invernia que se avizinham são bem capazes de nos fazer sentir um pouco mais miseráveis.
Vozes limpas (masculinas e femininas) bem decadentes, guturais desesperantes, as teclas pairantes como nuvens negras que carregam tempestade e guitarras lancinantes, perfazem um conjunto de temas bem lúgubre, mas épico ao mesmo tempo.
Este trabalho de estreia dos Nox Aurea, vale essencialmente pelo seu todo, não fazendo sentido destacar este ou aquele tema, porque parece que encaixam todos entre si, tal como as peças de um puzzle. A todo este processo não estará alheio o trabalho de produção de Andy LaRocque, guitarrista de King Diamond.
Num ano que se encontra bem recheado de grandes álbuns nesta vertente, existe a necessidade de ressaltar um facto: este "Via Gnosis" arrisca-se, perigosamente, a ocupar um dos lugares de topo para álbum do ano. (17/20)


domingo, 4 de outubro de 2009

Passatempo Count Raven ("Mammons War")

Com o intuito de  divulgação do doom metal pela comunidade e tornar o blog mais dinâmico o Temple Of Doom Metal encontra-se a levar a cabo este passatempo. Trata-se de uma iniciativa muito simples, com um conjunto de regras básicas.

Segue o regulamento:
1 - O passatempo Count Raven/"Mammons War" pretende atribuir um exemplar, em cd, do último álbum "Mammons War", dos suecos Count Raven.
2 - Para participar, é obrigatório votar numa das 5 opções colocadas ao dispôr na barra do blog.
3 - Só será possível votar uma e única vez.
4 - A votação terminará no dia 15 de Novembro do corrente ano, às 23:59 horas.
5 - O participante, após votar, deverá enviar para templeofdoometal@gmail.com uma mensagem com o seu nome/nick, a sua escolha e e-mail para posterior contacto (para mero controle da relação votação/participantes e aviso do resultado do passatempo). O participante receberá um número de acordo com a ordem de entrada na caixa de correio mencionada.
6 - Após o final do período de votação, no dia seguinte, será publicada a lista de participantes no blog Temple Of Doom Metal.
7 - O número premiado corresponderá à terminação do número do sorteio da lotaria popular da semana 47/2009, de 19 de Novembro de 2009. (A terminação será referente ao último número para número inferior a 10 participantes, penúltimo para número inferior a 100 participantes, antepenúltimo para número inferior a 1000 participantes e por aí fora :) ).
8 - O resultado do passatempo será divulgado no blog Temple Of Doom Metal, no dia seguinte ao do sorteio.
9 - O vencedor será contactado por e-mail, para envio do prémio o mais rapidamente possível.
10 - Este passatempo, cinge-se unicamente ao território português.

Temple Of Doom Metal

sábado, 3 de outubro de 2009

Count Raven - Mammons War (2009)


Eis um dos regressos mais aguardados de 2009. Já lá vão 13 anos desde que estes senhores lançaram o seu último registo, "Messiah Of Confusion"; após a separação em 1998, a reunião efectua-se 5 anos depois, mas só agora é que nos chega a novidade "Mammons War".
Se alguém ainda poderia esperar alguma alteração ao nível do registo sonoro desengane-se; o que aqui temos é mais um momento de glorificação/continuação (riscar o que não interessar) do legado Black Sabbath, em que a voz de Dan Fondellus não se desvia um milímetro da do timbre de Ozzy, a sua guitarra continua a desfilar uma série de riffs monolíticos e cativantes e a dupla baixo/bateria confere uma base sólida para uma toada própria do traditional doom.
Como já referi, não existem grandes alterações no espectro musical destes suecos, mas destaco aqui 3 temas: "The Poltergeist", logo a abrir, mostra-nos uns Count Raven cheios de energia, um pouco mais rápidos e com uma malha que nos fica imediatamente na cabeça; no entanto, foi impossível não lembrar-me de "Death Magic Doom" dos Candlemass, que também começa da mesma forma e, depois, regressa a terrenos mais familiares. "Scream", continua a cativar com mais uns bons riffs e com um refrão simples mas orelhudo, em que os sinos incorporados dão um toque decisivo para o resultado final do mesmo. Tem cheiro de single! Por último, "Mammons War", o tema-título, onde estamos somente perante Fondellus e as teclas, num tema épico e agradável, permitindo tomar balanço para o longo "A Lifetime". Uma nota final para os interessantes arranjos acústicos que, por vezes, aparecem e criam uma paleta de cores uma pouco mais alargada do que os tons negros e cinzentos que pairam de sobremaneira neste álbum.
13 anos depois, valeu bem a espera e os Count Raven demonstraram, com este trabalho, que são um dos expoentes do doom europeu. Agora, resta sonhar que haja uma data marcada para estas bandas. (15/20)

English:
Here is one of the most anticipated returns of 2009. There have been 13 years since these guys released their last record, "Messiah Of Confusion", after their split in 1998, their reunion takes place five years later, but the new "Mammons War" is only now reaching us.
If someone could still expect some changes at the sound level think again, what we have here is another moment of glorification of Black Sabbath's legacy in the voice of Dan Fondellus which does not deviate a millimeter from Ozzy’s timbre, his guitar continues to parade a series of monolithic, catchy riffs and the double bass / drums give a solid basis for one's own tune of Traditional Doom.
As mentioned, there are no major changes in the musical spectrum of Swedes, but three themes stand out here: "The Poltergeist", in the beginning, show us some energetic and a little faster Count Raven with a song that we immediately save in our heads; however, it was impossible not to remember "Death Magic Doom", from Candlemass, which begins the same way and then returns to a more familiar terrain. "Scream" continues to captivate with a few more good riffs and a chorus with a simple but catchy, in which the incorporated bells give a decisive touch to its final result. It smells like single! Finally, "Mammons War," the title theme, only whit Fondellus and keys, is an epic and enjoyable theme, gaining momentum for the long "A Lifetime".
A final note for the interesting acoustic arrangements that sometimes appear and create a colored palette which is a little wider than the black and gray tones that hover greatly on this album.
13 years later, it was well worth the wait and the Count Raven demonstrated, with this work, that they are one of the exponents of European Doom Metal. Now, it remains the dream that a concert date will be set for these bands. (15/20)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Shrinebuilder - Shrinebuilder (2009)

Se juntarmos na mesma sala de ensaios Scott Kelly (Neurosis), Scott Weinrich (St. Vitus), Al Cisneros (Sleep/Om) e Dale Crover (Melvins), o resultado é o que se apresenta: um verdadeiro super-projecto, completamente descomprometido, que nos mostra umas malhas carregadinhas de stoner/sludge, a que se acrescenta uma boa dose de psicadélia. Portanto, não será nada de inovador, mas o que se pode ouvir nestes 4 temas (a versão final terá mais um, "Science Of Anger") é feito com mestria, garantindo-nos a possibilidade de passar um bom tempo com este registo. Nesta meia-hora de som, destaque para "Blind For All To See", um tema que arranca um certo protagonismo exactamente por escapar um pouco à bitola que rege os restantes temas; ou seja, ao longo destes 7 minutos reina a calmaria, assente numa linha de baixo proeminente e envolvente e num ritmo de bateria simples, quase indie. Essa calmaria transporta um bom período de experimentalismo/psicadélia, substituindo a voz de Kelly que, nas curtas incursões que efectua, apresenta um tom bem melódico, como que a planar sobre a estrutura musical.
Estes Shrinebuilder, possivelmente, não estarão no topo da lista de prioridades dos seus membros, dada a relevância e quantidade de projectos que abraçam, mas esta amostra permitirá sonhar com mais alguma coisa. Assim penso eu... (15/20)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Armaga - In The Ruins (2009)

Noite, passos, uma porta a ranger, o relógio que toca... esta intro, "Time Has Come", fez-me temer o pior. Estava dado o mote para um álbum de gothic/doom, com todos os clichés presentes.
Ora bem, estes Armaga chegam-nos de Moscovo e em pouco mais de meia-hora despacham os 10 temas que compõem o seu trabalho de estreia. A toada geral é bastante compassada e chegam a ser criados alguns bons ambientes, mas nota-se uma falta de homogeneidade na composição/apresentação dos temas.
A coisa só anima um pouco ao 4º tema, "The Left Manor", coincidência ou não, um pouco mais lento mas onde a banda parece obter melhores resultados, tal como em "Human Plant" e "Black River".
Este parece ser um álbum em torno de um conceito: pequenos episódios/histórias numa casa abandonada, visitada por alguém e os antigos inquilinos ainda lá se encontram... tal qual como numa série de filmes que já todos vimos no cinema ou na televisão e que sabemos de cor o final. Por infelicidade, o conceito também é cliché.
Mesmo sendo uma estreia, pedia-se um pouco mais principalmente ao nível da composição, onde os temas parecem sempre saber a pouco. (10/20)


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

The Gates Of Slumber - Hymns Of Blood And Thunder (2009)

Traditional Doom Metal de muito boa qualidade. Esta review poderia bem ficar por aqui, porque o essencial já estava escrito; mas acrescentarei mais algumas ideias sobre este quarto longa-duração destes norte-americanos. E começo logo pelo princípio: "Chaos Calling" é uma grande malha, que dá o mote para os 50 minutos seguintes, e que deverá colocar muito boa gente a fazer headbanging ao fim de poucos segundos. Neste e em mais alguns temas, explora-se ou expõe-se a costela mais heavy-metal deste projecto, resultando na perfeição (por vezes, sentimos um pouco de Iron Maiden e Judas Priest no ar até) que, em junção à toada mais doomesca de temas como "Beneath The Eyes Of Mars" ou "The Doom Of Aceldama", conseguem manter-nos presos até ao final e depois levar-nos a carregar novamente no play.
Apesar do lançamento anterior, "Conqueror", do ano passado, ter revelado uns The Gates Of Slumber em boa forma, é com este trabalho que, com toda a certeza, farão o assalto à primeira divisão do doom ou não fosse este álbum o melhor da sua carreira, na minha opinião.
Num género em que se torna um pouco complicado trazer constantemente inovação como este, com "Hymns Of Blood..." a frescura dos temas mantém-se elevada através da estratégia acima indicada e que só poderá trazer frutos ao trio de Indiana. Num ano que tem vindo a ser recheado de muitos e bons lançamentos, este trabalho candidata-se a um lugar de topo. (16/20)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Fucho - Fucho EP (2009)

A cena japonesa tem exportado, ao longo dos últimos anos, algumas boas referências tais como os Mono, Church Of Misery ou Boris. E a julgar pela estreia deste Fucho, com o seu EP homónimo, poderemos estar perante mais um emigrante da terra do sol nascente. Não é que os três temas incluídos neste trabalho sejam  uma next big thing, mas o despretensionismo com que este trio de Osaka ataca umas valentes malhas onde impera o sludge e lhe acrescentam uma boa dose de psicadélia e algum groove, faz com que se passe uma boa meia hora na companhia destes nipónicos.
No fundo, acaba por ser uma bom cartão de apresentação e que dá para perceber quais os espectros em que os Fucho se movimentam.
Esperamos por mais. (14/20)

Paradise Lost - Faith Divides Us, Death Unites Us (2009)

Ao entrarem na terceira década de carreira, os Paradise Lost continuam a ser donos e senhores dos seus destinos. Depois de um conjunto de álbuns magistrais lançados durante a primeira metade da década de 90, efectuaram uma série de incursões em áreas mais electrónicas e ambientais. A partir de 2005, com o seu trabalho homónimo, vêmo-los a trilhar caminho rumo ao passado. Lentas, progressivas, mas seguras estas alterações na sonoridade da banda de Yorkshire.
No entanto, nesta novidade pouco resta da sonoridade doom/death que os individualizou. 
É certo que estamos perante um conjunto de temas mais pesado e mais homogéneo e convincente que o apresentado em "In Requiem"; as melodias tão características de Greg Mackintosh estão bem mais vincadas (basta ouvir "Universal Dream", que nos remeterá para uma "Embers Fire", por exemplo), a novidade A. Erlandsson não deixa os seus créditos por mãos alheias, colocando toda a sua experiência à disposição dos ingleses, em bora o pé raramente possa carregar no acelerador/pedal (excepção registada em "Frailty"); a voz de Nick Holmes encontra-se entre um "Icon" e um "Draconian Times". Mas, apesar deste aspectos majorativos que se podem apreciar neste trabalho, sente-se que falta ali algo que torne alguns temas memoráveis (As Horizons End, talvez escape), que entrem automaticamente para o seu setlist e coloquem as multidões a entoá-los nos concertos e a figurar na lista de clássicos que a banda detém.
Não havendo dúvidas, da nossa parte, que "Faith Divides Us..." é o melhor registo dos Paradise Lost desta década, resta-nos saudar esse mesmo caminho que têm vindo a desbravar e que parece estar novamente a congregar os fãs de uma das bandas mais influentes das últimas décadas do universo metálico. (14/20)



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Temple Of Doom Metal e-mail

A partir de hoje, o blog passa também a ter mais um contacto. Quem quiser enviar algum tipo de mensagem, de sugestão, de indicação, de comentário que não queira deixar no blog pode enviá-la para: templeofdoometal@gmail.com

Todas as mensagens serão respondidas (e não com mensagens automáticas).

Este contacto serve, igualmente, para as bandas que queiram enviar os seus sons ou outro tipo de divulgação.

Temple Of Doom Metal

domingo, 20 de setembro de 2009

Tales Of Dark... - Perdition Calls (2009)

Os sérvios Tales Of Dark... lançaram durante este Verão este seu segundo opus, de seu nome "Perdition Calls", mas quando os primeiros sons começaram a brotar das colunas colocou-se a interrogação se não haveria engano e estaríamos perante um álbum dos My Dying Bride. Mas não. No entanto, este septeto deve ter consumido em doses industriais os trabalhos da banda de Aaron Stainthorpe, visto que o seu som se aproxima demasiado ao dos ingleses e, inclusive, os tons mais melódicos da voz de Arpad Takac por vezes levam-nos a pensar que pediu emprestada a Aaron.
Apesar de serem bem evidentes as influências, os Tales Of Dark... não são uma reles cópia dos senhores de Halifax, bem pelo contrário. Ao longo dos 9 temas que compõem este trabalho, temos presentes todos os ingredientes que podem fazer um bom álbum de doom/gothic metal: andamentos lentos, guitarras fortes e lancinantes, um bom "duelo" entre a voz e feminina e a masculina - com esta a incluir uns bons guturais - teclados que não estão ali para encher, mas sim para dar ambiência aos temas no meio de tanta dor e desespero. Apesar destes elementos serem aplicados em doses equilibradas, por vezes tornam-se um pouco monótonos, devido às poucas variações rítmicas, essencialmente; as excepções conferem-se em "Wretched Fate For All", tema de abertura e em "The Crown Of Venomous Silence" onde alguma rapidez é imposta. (13/20)


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Culted - Below The Thunders Of The Upper Deep (2009)

Ao juntarmos Daniel Jansson e 3 dos elementos dos Of Human Bondage (Michael Klassen, Matthew Friesen e Kevin Stevenson), estaríamos à espera de algo dentro do espectro black metal, assim à primeira vista. No entanto, o universo metálico tem sido profícuo em trazer-nos surpresas (e neste caso, boas). Este quarteto, que se divide pela Suécia e Canadá, respectivamente, apresenta-nos como cartão de visita um trabalho de blackened doom, obscuro q.b., por vezes minimal, que nos transporta para um qualquer sítio que nos causa um enorme sentimento de claustrofobia; desconforto do primeiro ao último minuto deste "Below The Thunders Of The Upper Deep", onde a voz de Daniel transporta aquele sentimento negro em cada palavra que exorta, parecendo sair de uma estrutura subterrânea, envolta em fumo, convidando a uma investida por domínios do desconhecido/sub-mundo/Inferno (riscar o que não interessar), aliada a uma composição, também ela carregada de negros tons.
Não se destacando nenhum tema em particular, este "Below..." resulta no seu todo, apresentando coesão entre os temas que viajaram entre o Canadá e a Suécia via e-mail, sem a realização de um ensaio sequer em que estivessem presentes os quatro elementos.
Se as maravilhas das novas tecnologias já permitiam uma série de inovações no que concerne ao domínio da música, este terá sido, certamente, mais um momento de inovação. E que se quer repetido, no futuro. (15/20)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Laudanum - The Coronation (2009)

Os Pyramids, lançaram no ano transacto o seu álbum homónimo que, por algumas opiniões expostas, para uns passou completamente ao lado enquanto que para outros esse trabalho roçou laivos de genialidade, ao combinar texturas de experimentalismo e ambient, criando autênticas paisagens soturnas, onde a viagem adquire sempre um tom acinzentado.
Para o caso destes Laudanum, a situação poderá revelar-se com algumas semelhanças. E porquê? Com as contínuas audições começa a tornar-se difícil perceber se este é um registo doom com incursões noise/ambient/experimental ou se o contrário. Dos 7 temas que compõem "The Coronation", cerca de metade do que se ouve ao longo destes quase 50 minutos recai sobre exercícios de experimentalismo/ambient (como são os casos de "Procession", "In Obscura", "Autumn Ghosts" e parte do tema final "Apotheosis"), que desembocam em descargas monolíticas, abrasivas, tal qual um rio de lava que engole tudo por onde por passa. A reforçar esta imagem, temos as vozes áridas, que dão um toque «sujo» aos temas, mas que acentuam a dicotomia presente neste trabalho.
Certamente, não será de fácil audição e interiorização este "The Coronation" e a referência aos Pyramids (como poderia ser aos Lustmord, por exemplo) surge exactamente neste contexto; estar perante um corpo estranho, incómodo até, mas que nos vai revelando uma aura de beleza e originalidade a pouco e pouco. (16/20)