domingo, 13 de dezembro de 2009

The 11th Hour - Burden Of Grief (2009)

Trabalho de estreia; trabalho conceptual. Ed Warby, referência dos Hail Of Bullets, entre outros, resolveu arregaçar as mangas, mais uma vez, e pôs cá fora este "Burden Of Grief", um excelente álbum de Doom na sua linha mais tradicional digamos assim, visto que são bem patentes as influências de Candlemass e The Gates Of Slumber, por exemplo, polvilhado com uns toques Death, cortesia de Rogga Johansson (Gorefest, Edge Of Sanity, entre outros) que emprestou o seu vozeirão à meia dúzia de temas que aqui se encontram registados.
Desde os primeiros segundos de "One Last Smoke" que nos deparamos com um trabalho bem pesado, poderoso, simples, mas cheio de boas malhas que se imiscuem no meio de uma secção rítmica, também ela simples, com o fiel propósito de não desviar as atenções do que aqui realmente interessa: a música, directa e perturbadora.
Como havíamos referido, este é um disco conceptual: um indivíduo que tem cancro nos pulmões e encontra-se em fase terminal e nas suas últimas horas efectua um exercício de auto-reflexão sobre a sua vida. A morte, o sofrimento, a desolação, tudo isto encontra-se bem entrelaçado constituindo, desta forma, um registo denso e que deixa marcas em quem o ouve.
Apesar de ensombrado por outros lançamentos no espectro do Doom, casos dos YOB, Candlemass, The Gates Of Slumber, Griftegärd, só para mencionar alguns, este "Burden Of Grief" não deixa os seus créditos por mãos alheias e poderia, em outras circunstâncias, ser um trabalho de referência para 2009. (15/20)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Swallow The Sun - New Moon (2009)

Tenho que confessar que estes Swallow The Sun nunca foram a minha cup of tea; não sei dizer bem porquê, mas havia sempre algo que me causava um pouco de confusão: ou eram as melodias que não entravam, ou eram as vozes que não pareciam encaixar em alguns pontos das músicas. O certo é que ainda continuo a dar chances atrás de chances, na esperança de que lancem um trabalho que me faça dizer "Aqui está, a master piece!".
Enquanto isso não acontece, temos entre mãos mais um registo dentro do que estes finlandeses nos têm vindo a habituar, um Doom/Death bem lavrado, com uma toada bem melancólica, com as notas de escuridão, sofrimento e desespero em bom plano a que se podem juntar umas vozes a cair para o Black Metal e um ou outro blastbeat, mas que não chegam ou não conseguem tornar esta novidade em algo aliciante para quem já conhece o trabalho da banda e vê em "The Morning Never Came" ou "Ghosts Of Loss" ainda os trabalhos de referência.
A excepção irá, talvez, para o tema que abre o álbum, "These Woods Breathe Evil", título bem conseguido, com boas malhas num ritmo que fica ali entre o down e o mid-tempo e que nos fazem antever uma hora bem passada. Mas, afinal, a coisa não segue esse rumo... Depois da Lua Nova, o caminho é para a Lua Cheia, assim se espera. (13/20)


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Doom10+ - Dezembro

O Temple Of Doom Metal inicia, este mês, uma rúbrica - chamemos-lhe assim -, que irá permitir conhecer e dar a conhecer  alguns dos álbuns de eleição, dentro deste género, de alguns convidados que se encontram ligados à cena metálica nacional. Ao mesmo tempo, na senda de um certo dinamismo que se pretende neste espaço, esta constituirá uma forma do blog abrir-se à participação de mais pessoas, através destes contributos e dos comentários/discussões que daí surjam.
Com periodicidade mensal, uma personalidade irá elencar o seu top 10+ em relação a trabalhos de Doom e derivados e discorrer, em algumas linhas, sobre os seus 3 preferidos.
Poderá ser do gosto de novatos e veteranos.

Tem honras de abertura desta novel demanda o Paulo Figueiredo, administrador do blog de metal Event Horizon (http://www.eventhorizon-space.blogspot.com/)!!


1. My Dying Bride - «Turn Loose the Swans» (1993)




Falar do «Turn Loose the Swans» é falar no meu absoluto álbum preferido. Um disco que funciona como uma ponte entre o Doom-Metal clássico de uns Candlemass, Saint Vitus e Cathedral e o Doom Death-Metal que o triunvirato britânico da Peaceville formado por Paradise Lost, Anathema e My Dying Bride inventou. «Turn Loose the Swans» é um disco absolutamente perfeito que reúne um artwork soberbo, música sublime condimentada com um instrumento (violino) até aí nunca experimentado no Doom-Metal, conteúdo lírico a versar sobre morte, amor, sexo e religião, autoria do vocalista Aaron Stainthorpe, com uma profundidade poética também até aí nunca utilizada no Metal. «Turn Loose the Swans» é sinónimo de negro romantismo, raiva e absoluta depressão, sentimentos presentes em temas como «The Crown Of Sympathy», «The Snow In My Hand» e «Black God». E não é isto precisamente que o Doom-Metal representa?

2. Candlemass - «Epicus Doomicus Metallicus» (1986)



Proferir os Candlemass como os pais do Doom Metal pode ser uma decisão tão acertada quanto enganadora. Isto porque os suecos estão directamente ligados ao legado deixado pelos Black sabbath, Trouble ou Saint Vitus e por outro lado talvez não tenham sido tão bem sucedidos como os britânicos My Dying Bride, que por sua vez derivam o seu Doom para paisagens Death Metal e Góticas. Esta discussão daria "pano para mangas", mas aqui pretende-se falar deste colosso de música depressiva que é «Epicus Doomicus Metallicus». Os acordes inicias de «Solitude» são para quem os ouve inesquecíveis à primeira e os Candlemass apresentam-se ao mundo da melhor maneira possível com um hino que eu gostaria de ouvir no meu último suspiro de vida. Johan Langquist é ainda aqui o vocalista dos Candlemass, e apenas precisou de um único disco para deixar a sua marca indelével no Heavy-Metal. Principalmente em «Under The Oak» uma música soberba e em «A Sorcerer's Pledge» cujo assombroso final atira-nos para um vazio inqualificável que nos faz repetir a experiência fantástica que é «Epicus Doomicus Metallicus».

3. Black Sabbath - «Black Sabbath» (1970)


Previamente denominados por Earth, Ozzy Osbourne, Tommi Iommi, Geezer Butler e Bill Ward lançaram-se aos estúdios Trident em Londres e durante três dias gravaram e editaram por apenas 600 libras o seu homónimo e primeiro trabalho. Quando lançado, este ocupou rapidamente os primeiros lugares da tabela de vendas britânica ao lado de ilustres como Beatles, The Who ou Simon And Garfunkel. Nesta altura poucos utlilizavam as guitarras como eles, apenas Jimmy Hendrix, Led Zeppelin e poucos mais. O visual negro, as letras obscuras e a famosa cruz invertida do booklet do disco trouxeram algum protagonismo aos Black Sabbath exagerado pela editora da altura, a Vertigo, na tentativa de publicitar o quarteto da forma que mais convinha. Mas a música até falava mais alto...
A mística introdução com «Black Sabbath», os seus sinos e tempestade com Ozzy a proclamar "What is this that stands before me?" tornou-se numa frase marcante assinalando como que o inicio do Heavy-Metal. A diabólica passagem de «N.I.B»: "My name is Lucifer, please take my hand" tornou-se um va-de-retro para os puristas da altura que bradavam aos sete ventos que este estilo de música assumia uma postura satânica... de facto até era mais ou menos verdade! A apetência de Bill Ward para a prática de artes obscuras e o fascínio pelo "lado negro" ajudaram ao rótulo de satânicos para os Black Sabbath. Mais do que um excelente disco (ainda hoje!) Black Sabbath marca o inicio do Heavy-Metal, posteriormente do Doom-Metal e foi o primeiro de uma carreira plena de sucesso até ao abandono de Ozzy Osbourne.

4. Paradise Lost - «Gothic» (1990)
5. Cathedral - «Forest of Equilibrium» (1991)
6. Dolorian - «When All The Laughter Has Gone» (1999)
7. Saint Vitus - «Born Too Late» (1986)
8. Morgion - «Solinari» (1999)
9. Neurosis - «A Sun That Never Sets» (2001)
10. Mourning Beloveth - «A Disease For The Ages» (2006)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Abstract Spirit - Tragedy And Weeds (2009)

A Rússia está a tornar-se um caso de sério relativamente ao número e qualidade de bandas que tem dado a conhecer nestes últimos anos. Neste mesmo espaço. já pudemos dissertar um pouco sobre alguns trabalhos que foram lançados durante este ano e, no cômputo geral, o panorama é bem satisfatório.
E parece que irá continuar, depois de algumas audições a este "Tragedy And Weeds", o segundo longa-duração dos moscovitas Abstract Spirit. Vinculados à Solitude Productions, desde o lançamento de estreia, anteve-se, logo, algo bem negro e, na realidade, deparamo-nos com um colosso de Funeral Doom ao longo de 6 longos temas (em que a média ultrapassa os 11 minutos), bem pesados, lentos, com guturais bem encaixados na estrutura dos temas, que nunca se tornam maçadores dada a variedade (dentro do possível) implementada por este trio. A inclusão de teclados, em alguns momentos, enfatiza ainda mais a atmosfera que se quer criar com este álbum. Os títulos dos temas que compõem este registo espelham bem o ambiente desolador que se pode contemplar durante este manifesto de negritude, que afinal perfazem a essência deste sub-género.
Não sendo um portento de criatividade, este lançamento que nos chegou da fria Moscovo para as nossas frias noites de Outono e Inverno até se revela uma boa surpresa a que podemos/devemos (riscar o que menos convier) escutar enquanto lá fora a chuva cai em fortes bátegas. (14/20)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Dream Of Poe - Sorrow For The Lost Lenore (2009)

Os açorianos A Dream Of Poe (ou, mais precisamente, o projecto de Miguel Santos), voltaram aos lançamentos discográficos no que toca a originais, após a demo "Delirium Tremens", de 2006 e se não tivermos em linha de conta "For A Glance Of The Lost Lenore", captado ao vivo.
Se no trabalho de estreia as suas influências encontravam-se bem patentes, com os ingleses My Dying Bride à cabeça, neste EP elas atenuam-se um pouco mais, mas o legado dos ingleses encontra-se bem presente e forte nas ambiências geradas, enquanto que a temática das letras de Paulo Pacheco continua a girar em torno dos textos de Edgar Allan Poe. Dos 5 temas que compõem este segundo lançamento, temos duas versões sendo que uma delas presta culto ao senhores de Halifax, "For My Fallen Angel".
Apesar de 40% do que aqui se encontra exposto não ser original da banda, temos que ressalvar que os A Dream Of Poe sofreram uma boa evolução qualitativa ao nível da composição, criando já uma homogeneidade e coesão nos seus temas. Continuam a predominar os ritmos lentos, compassados, onde as guitarras se chegam "mais à frente", imprimindo mais energia aos temas embora, pontualmente, tenhamos alguns momentos mais rápidos, criando alguma variação rítmica e atenuando uma monotonia que estes longos exercícios possam gerar no ouvinte. Ao nível das vocalizações, estamos perante um registo limpo, deixando para trás um modelo mais gritado/berrado, conferindo, até, um tom mais épico às composições.
Em suma, podemos dizer que "Sorrow For The Lost Lenore" acaba por mostrar-nos um projecto bem vivo, com qualidade, com uma grande margem de progressão pela frente, sendo uma referência para o que se vai fazendo no espectro do Doom/Gothic em terras lusas e que não se encontra, em nada, diminuído em relação ao que vai sendo lançado, aos magotes, no mercado internacional. (13/20)

Myspace: http://www.myspace.com/dreamofpoe

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Abandon - The Dead End (2009)

Se há momentos em que a palavra "condicionamento" faz sentido, este é, sem dúvida, um deles. Ao olharmos para este opus magnum dos suecos Abandon e inteirados do contexto pós-gravação do mesmo, parece que tudo encaixa perfeita e deveras mórbida.
Vejamos: ao terceiro álbum, existe o risco (e ainda bem!) de "The Dead End" poder ficar na história do metal, pelo menos da década que se presta a findar, por ser um portento de sludge/doom carregado dos mais pesarosos sentimentos de frustração, angústia, desprezo pela vida, até. Não é nada que seja estranho às temáticas do doom, mas aqui parece-nos elevado a um patamar bem alto e que durante a audição deste duplo CD torna-se quase palpável e atingindo o seu expoente nas letras de Johan Carlzon (falecido nos finais de 2008, vítima de overdose).
As quase duas horas de duração deste trabalho, submergem-nos por uma negra atmosfera bem patente em todos os temas, mesmo os acústicos. Neste capítulo, deixamos uma especial nota para "Pitch Black Hole", "For Crumb We Crawl" (pequeno tema instrumental, de abertura ao segundo disco) e o trio final "It's All Gone", "There Is No Escape" e "Eulogy", são tudo temas de causar um forte arrepio na espinha, tal é a intensidade com que nos são apresentados.
"Até ao lavar dos cestos é vindima", lá diz o adágio popular e quem se deparou com este álbum não poderá negar que estamos perante uma das principais referências para o ano de 2009.
E se Johan Carlzon ainda estivesse entre nós, como veríamos este "The Dead End"? (16/20)

sábado, 21 de novembro de 2009

Kowloon Walled City - Gambling On The Richter Scale (2009)

Nos dias que correm, torna-se muito difícil encontrar um nome para um projecto que se possa dizer que fica no ouvido à primeira, ou que é genial. No caso destes californianos, a opção será a da metáfora, sim, porque ao olharmos para a sua designação imaginamos as voltas que a nossa língua dá para o poder pronunciar. E a metáfora esta genial. Inicialmente, Walled City, foi uma fortificação centenária e, no pós-guerra, tornou-se o paraíso no Extremo Oriente do jogo, das drogas e do crime. Já chegaram lá? À metáfora?
Pois bem, o que os Kowloon Walled City nos propõem no seu álbum de estreia é sludge do bom, duro como pedra, que nos derruba, arrasta e esfrega pelo chão sem piedade, às ordens da voz de Scott Evans que parece estar a segundos de um ataque de apoplexia.
Este trabalho surge no seguimento do EP do ano passado, "Turk Street", onde são condensadas as linhas desta banda e explanadas, desenvolvidas e maturadas neste registo que, em pouco mais de meia hora nos mostra como se faz sludge de qualidade misturando Melvins, Black Cobra e Kylesa, agitando bem e lançando-nos à cara o produto final.
Com alguns, poucos, momentos para tomar fôlego, como é o caso do tema-título e "More Like The Shit Factory", este acaba por ser uma dose de violência contida, mas que acaba por ser um trabalho que pode muito bem ombrear com algumas das referências para este ano que se aproxima do seu final. Referência última para a capa, com bom gosto, acentua a metáfora. Já chegaram lá?
Nota final: disponível para download no site da banda. (15/20)



Myspace: http://www.myspace.com/kowloonwalledcity

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Passatempo "Count Raven/Mammons War" - Número Sorteado e Vencedor

Tal como anunciado, procedeu-se hoje ao sorteio do número que permitiu encontrar o vencedor do passatempo "Count Raven/Mammons War.

Assim, a sorte bateu à porta do participante # 1, o Coragem, visto que o sorteio da Lotaria Popular revelou o número 05421.

Link: https://www.jogossantacasa.pt/web/SCCartazResult/lotPop

Parabéns ao vencedor e muito obrigado a todos os que participaram nesta iniciativa.

O Temple Of Doom Metal regressará, em breve, com mais iniciativas e reviews.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Unsilence - Under A Torn Sky (2009)

Os ingleses Unsilence já por cá andam desde 1993, mas a sua carreira tem sido tão inconstante, tão atribulada, com frequentes mudanças de line up, que a saída deste trabalho parece o resultado de uma teimosia colossal. Este longa duração dista 11 anos do seu predecessor, "Choirs Of Memory", sendo posteriormente lançados 2 EPs. Depois, silêncio, longo...
Uns reformulados Unsilence ressurgem em 2006 com a demo "Echoes Awaken", que funcionou como re-apresentação da banda e os 3 temas que delam constam surgem neste lançamento.
Alicerçados no doom de bases melódicas e épicas, este quarteto carrega no seu interior o que muitos colectivos britânicos, mas principalmente ingleses, carregam, ou seja, uma angústia e uma dor que parece ser característica da ilha de Sua Majestade, e que tão bem lhes assenta.
Essas qualidades/virtudes, neste contexto, encontram-se bem espelhadas no trabalho de guitarras e na voz de James Kilmurray (com algumas semelhanças à de Chris Goss dos Masters Of Reality), alicerçadas numa base rítmica competente e que faz deste "Under A Torn Sky" um lançamento de referência na linha do melodic doom metal neste ano 2009. (14/20)

Site: http://www.unsilence.co.uk/

Myspace: http://www.myspace.com/unsilence

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Passatempo "Count Raven/Mammons War" - Lista de participantes

A fase de votação no passatempo "Count Raven - Mammons War", terminou no dia de ontem. Resta-nos agradecer a todos os que votaram e deixaram a sua opinião sobre este regresso da banda sueca, após treze anos de silêncio, e aos que foram um pouco mais além e encaminharam o seu voto/opinião para o nosso e-mail e puderam inscrever-se neste passatempo. A todos vós, muito obrigado!

Como anunciado no regulamento, deixamos aqui a lista de participantes no passatempo:

# 01 - Coragem
# 02 - Marco Veloso
# 03 - Erzsébet Báthory (nickname)
# 04 - Nierika (nickname)
# 05 - LeadAether (nickname)
# 06 - Francisco Dias

O sorteio realizar-se-á no próximo dia 19, quinta-feira, e contará o último número do primeiro prémio sorteado da Lotaria Popular para este passatempo. Dada a possibilidade de ser extraído o número 0 na casa das unidades, e caso aconteça, passará a ser válido o número respeitante à casa das dezenas e assim sucessivamente.
Desta forma, para efeito de prémio, os números terão de estar entre 1 e 6, inclusive.

Muito obrigado, a todos, mais uma vez!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Obiat - Eye Tree Pi (2009)


Ao olharmos para esta capa, podemos bem imaginar o que irá brotar das colunas assim que o play seja premido; pois é, estamos perante o terceiro álbum dos stoners Obiat, conjunto multinacional que se sedeou em Inglaterra, mais precisamente em Londres. A oferta aqui não difere em muito dos  predecessores, onde o gosto pelo stoner metal se vai imiscuindo aqui e ali com momentos mais doomescos ou até mesmo com algumas pinceladas de sludge (mais patente na voz e guitarras, principalmente) e que vão conferindo um certo gozo ao longo dos 57  minutos de duração deste registo. Os fãs do género irão evidenciar um belo sorriso ao som deste "Eye Tree Pi", pois a escola está lá toda, mas os Obiat, porventura, terão na manga uma jogada que procurará angariar mais alguns devotos através dos trejeitos referidos anteriormente. E que não lhes irá, certamente, ficar mal. Veja-se o exemplo de "Serpent's Rites". (13/20)

Site: http://www.obiat.com/

Myspace: http://www.myspace.com/obiat

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Baroness - Blue Record (2009)

O segundo álbum costuma ser, tradicionalmente, a prova de fogo para qualquer banda quer seja como forma de prova de identidade, capacidade de evolução e ascensão no mundo musical. Ora bem, após uma estreia em tons de vermelho muito auspiciosa, os Baroness enfrentavam esse tal desafio do segundo trabalho; e arrisco dizer que o ultrapassam com distinção.  E porquê? O regresso que agora temos, em tons de azul, consegue ser mais variado que "Red Album", abrindo portas para uma infinidade de experiências que poderão entrosar-se com a base sludge que a banda (ainda!) ostenta, sem macular a sua identidade. Tal como nas complexas composições que nos são apresentadas nas capas dos seus trabalhos, tudo acaba por nos ser servido de forma a que os nossos sentidos consigam interiorizar a fórmula que este quarteto nos apresenta, tornando os seus temas frescos, num mercado cada vez mais saturado de lançamentos e onde os cenários sludge/post-metal (no eixo Neurosis e Isis) se encontram sobre-valorizados, numa clara separação da mistura entre o essencial e o regular.
Se olharmos para um passado (demasiado) recente, veremos que o trajecto destes georgianos pode ser bem cruzado com o que os Mastodon têm vindo a trilhar, e que se encontra bem vincado com "Crack The Skye", onde a estagnação não parece fazer parte do vocabulário e que o risco vale a pena. (15/20)

Myspace: http://www.myspace.com/yourbaroness

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Katatonia - Night Is The New Day (2009)



O ano de 2009 vê a chegada do oitavo álbum de estúdio dos Katatonia. "Night Is The New Day", a mui aguardada novidade, foi alvo de elevadas expectativas depois de "The Great Cold Distance" ter conquistado uma consensualidade genaralizada da elevada categoria deste suecos que vinham de três trabalhos que roçaram a magnificência : "Tonight's Decision" (1999), "Last Fair Deal Gone Down" (2001) e "Viva Emptiness" (2003). A sua passagem por Vagos, em Agosto último, com um setlist sem novidades terá aumentado ainda mais a efervescência entre as hostes.
O disco está aí, que dizer então? Facto: os Katatonia não estão tão agressivos como no seu passado recente (sim, porque a fase pré-"Discouraged Ones" parece, definitivamente, enterrada), apostando mais nas ambiências melancólicas, onde a voz de Renkse se sente muito mais à vontade, no uso de alguns apontamentos electrónicos e no contínuo abuso do formato canção. Será, então, um álbum desinspirado? Quem o ouvir de raspão, dirá que sim, mas com a passagem das audições e a ligação com as palavras carregadas de tristeza e angústia (atenção, aqui Anders Nyström não tem espao para vocalizações rasgadas) apercebemo-nos que estamos perante mais um colosso de negritude, mas bela por sinal.
No que a temas em destaque concerne, registamos "The Longest Year", "Nephilim" e "Inheritance", que constituirão, a par de mais algumas músicas dispersas em lados b de singles, alguns dos melhores temas que estes suecos alguma vez escreveram.
Apesar de não ser um portento imediato, este registo tem a indelével marca que caracteriza os Katatonia e constitui a evidente escolha para ouvir nestes dias cinzentos de Outono, em que a noite nos abraça bem cedo. (15/20)


Myspace: http://www.myspace.com/katatonia

terça-feira, 3 de novembro de 2009

3,14 - Neizbejnost (2009)


De Baku, no Azerbaijão, chegam-nos estes 3,14 (Pi) com o seu álbum de estreia com a particularidade dos seus 10 temas serem cantados na língua natal.
Este trabalho, que ultrapassa os 90 minutos de duração, alicerça-se  na vertente do melodic doom, onde as vozes limpas alternam com guturais que não deixam de ser perceptíveis ao longo de longos temas bem melancólicos, não se registando grandes alterações rítmicas, o mesmo se passando com as guitarras que ecoam sempre num tom triste, sem devaneios, que resultam em cansaço lá para o meio do álbum.
A contrastar com esta electricidade monocórdica, surgem alguns momentos acústicos, que entram bem no ouvido e que conferem uma boa lufada de ar fresco, demonstrando que também é possível ser obscuro e melancólico tendo por base musical uma guitarra acústica e um teclado. Aliás, o tema que mais me chamou a atenção foi "Poiski Utesheniy", a encerrar o primeiro cd, a espelhar o bom gosto da faceta acústica da banda.
No entanto, apesar deste não ser um trabalho de nível inferior, nota-se que os temas precisam de uma dose extra de trabalho, de procura de novas texturas, evitar alguma repetição nas estruturas de composição, de forma a que possam crescer ou que posteriores composições surjam como elementos definidores do som dos 3,14 (Pi). (11/20)

Site: http://www.3-14.ws/

Myspace: http://www.myspace.com/314doom

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Necromimesis - Ashk (2009)


"The metal scene in Iran is very poor due to the strong Islamic atmosphere, illegality of playing this kind of music and the bad thoughts about this kind of music by our government. However there a few active metal bands in Iran who work underground, but they can't present their records, CDs and DVDs officially." Estas são algumas das palavras proferidas por Hamed Azizi numa entrevista presente no último número da Terrorizer (# 189, p. 8) e que demonstram bem o estrangulamento que este tipo de sonoridades sofre no Irão e, bem possivelmente, em outros países.
O caso dos Necromimesis, provenientes do mesmo país, não deverá ser nenhuma excepção, apesar deste ser já o segundo lançamento que efectua - a estreia foi com a demo "Trance, or Decease", de Maio. Projecto de uma só pessoa,que também tem entre mãos o projecto Misty Forest, sem qualquer contrato assinado, numa experiência muito DIY que marcou grande parte das edições desta década, que através da internet tenta fazer chegar os seus sons à maior quantidade de público possível. Aqui, temos 5 temas de funeral doom que, apesar de algum primitivismo - principalmente ao nível da produção - mostra algumas ideias interessantes, embora haja sempre alguma dificuldade em inovar em géneros tão "fechados", chamemos-lhes assim. As linhas mestras que orientam o funeral doom estão ali todas e encontram-se aplicadas de modo a não defraudar os fâs do género.
A ouvir, sem rodeios e sem receios. (13/20)

Site: http://www.necromimesis.com/ 

Myspace: http://www.myspace.com/necromimesisband