sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ab Reo Dicere (09-04-2010)

Age Of Taurus - In The Days Of The Taurean Empire - 2010 (demo)

Estes Age Of Taurus chegam-nos de Inglaterra, mais precisamente de Londres e mostram-se ao mundo com esta sua primeira demo. O duo que constitui este projecto, Toby Wright e Sam Thredder, exibe um conjunto de 4 temas que balançam entre o Heavy e o Doom Metal, levando a espaços, umas pinceladas de Prog.
Directos e concisos, com temas bem estruturados e malhas cativantes, como são os casos de "Unborn Destroyer" e "Barren", poderemos estar perante um caso que tenha de ser levado bem a sério, se os próximos lançamentos confirmarem o potencial e a qualidade que emerge neste registo.
Quem sabe se não serão a next big thing vinda de terras de Sua Majestade!! (13/20)



Szeol - Demo 2010

A Polónia será, talvez, um dos países europeus que terá maior número de bandas de metal (em proporção relativamente à sua população, leia-se), embora não sejam assim tantas as que conseguiram atingir um nível de exposição e aceitação massiva. Não é neste restrito grupo, por ora, que podemos integrar os Szeol, praticantes de um Post-rock/Sludge que ao longo dos 20 minutos de duração desta demo não traz nada de muito interessante, a não ser utilizarem a sua língua natal num esquema gizado para anglo-saxónico.
O que aqui temos, outros fazem-no com mais capacidade e qualidade, mas estamos sempre dispostos a boas surpresas no futuro. Este registo foi disponibilizado pela banda na sua página myspace. (9/20)






 Severed Hand - Pandemonium 2010 (demo)

Os Severed Hand lançaram, também, a sua demo de estreia. Doom/Death Metal com vocalizações em russo ao longo dos 3 temas disponibilizados. Apresentam uma grande energia, com algumas variações rítmicas (apesar do abuso no pedal-duplo sempre na mesma cadência) e com as guitarras em bom plano; no entanto, estes temas acabam por ser um pouco iguais entre si, parecendo que estamos a ouvir a mesma música só que dividida em 3 actos, o que gera uma certa monotonia ao longo dos 14 minutos de duração.
Esperamos que, no futuro, outras ideias sejam introduzidas de modo a que o seu repertório suba em qualidade e ganhem o seu espaço na música extrema. (9/20)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Cathedral - The Guessing Game (2010)

Rara será a banda que não tenha sofrido na pele as irregularidades da sua carreira e os Cathedral são um bom exemplo disso mesmo. Após um começo fulgurante entre 1990 e 1993, deixaram-se envolver pelas toadas mais stonerizadas, então muito em voga, que em nada favoreceu o seu som característico e a voz atormentada de Lee Dorrian, motivando críticas pelos fãs mais acérrimos O reencontro com as linhas iniciais deu-se na fase "VIIth Coming"/"The Garden Of Unhearthly Delights", mas eis que a banda resolve remeter-se ao silêncio após a tour de suporte a "The Garden..." e notícias substanciais surgem somente em adiantado 2008. E eis que chegados a 2010, temos entre mãos este álbum-duplo.
Após uma primeira audição, apetece dizer que Dorrian & Co. resolveram ouvir todos os seus discos de Prog e Psychedelic dos anos 70 e condensá-los nestes 84 minutos de duração deste novo registo. Resultado: levantar o sobrolho, em jeito de desconfiança. No entanto, após algumas sucessivas audições, vemos que todos os elementos que têm vindo a fazer parte do som destes ingleses estão lá, mais diluídos, é certo, principalmente no primeiro cd, onde existe uma maior preponderância para a inclusão de sons mais estranhos e à realizarção de algumas experimentações (ouça-se "The Guessing Game" ou "Funeral Of Dreams, por exemplo). Na segunda rodela, a costela mais «ortodoxa» está bem patente, com um Stoner/Doom mais directo, sem grandes floreados ("The Casket Chasers" e "Requiem For The Voiceless") e que nos colocam a bater o pé, porque boas malhas e bons ritmos não faltam por aqui.
Uma coisa é certa, os Cathedral de 2010 são muito diferentes dos que surgiram em finais da década de 80 e parece que esse passado se encontra enterrado, apesar de que este registo acaba por ser uma espécie de «baralha e volta a dar» a que acrescentam uns pózinhos de Prog e Psychedelic, numa atitude declaradamente retro. Agora, resta ter a possibilidade de saborear estes temas ao vivo e esperar que o jogo não acabe por aqui. (14/20)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Centurions Ghost - Blessed & Cursed In Equal Measure (2010)

Na história da música, por vezes de forma mais ou menos cíclica, discute-se muito as origens de um dado movimento ou de um estilo. No entanto, no caso específico do Sludge Metal as coisas não são tão «pantanosas» quanto isso. Toma-se como dado adquirido, e consensual, que é uma sonoridade americana, com as suas raízes no estado do Louisiana, berço de bandas como os Crowbar e os Eyehategod, pioneiros deste tipo de descargas metálicas (se não tivermos na equação os Melvins, está claro).
Casos houve, igualmente, de bandas que se colavam de tal forma às raízes dos géneros que não era fácil percepcionar a sua origem e as linhas que formavam a sua identidade sonora.
Ora bem, isto tudo parece-nos pertinente por causa do novo álbum dos Centurions Ghost, "Blessed & Cursed In Equal Measure". Primeiro: estamos perante uma grande dose de Sludge Metal com alguns arremedos de Doom. Segundo: apesar de serem originários de Londres, o seu som poderia bem passar por ser de mais uma banda proveniente de Nova Orleães que ninguém iria notar grande diferença. Pois bem, estamos, então, esclarecidos relativamente a uma série de elementos.
Relativamente à música, que é o que nos traz aqui realmente, "Blessed & Cursed..." é um álbum que sabe juntar todos os bons ingredientes dos Crowbar, Eyehategod e dos Iron Monkey (ah, estes são ingleses!...) e qualquer fá do género vai adorar as descargas de peso do quarteto, juntando este projecto à sua lista de preferidos. De facto, temos aqui bom sludge, bem poderoso, muito peso e algum caos contido, mas que corre o risco de não sobressair por entre os demais pelo simples facto de estar um pouco colado em demasia às raízes do movimento, não imprimindo grandes inovações, surpresas e, acima de tudo, algo que evidencie um grande cunho pessoal e os individualize.
Assim, o que podemos dizer é que estamos perante um aceitável trabalho, ao qual falta-lhe qualquer coisa de próprio. (12/20)

domingo, 28 de março de 2010

High On Fire - Snakes For The Divine (2010)

Depois dos verdadeiros petardos que foram "Blessed Black Wings" e "Death Is This Communion", de 2005 e 2007, respectivamente, as expectativas em torno deste novo lançamento eram elevadas. De facto, o trio comandado por Matt Pike já conseguiu o seu espaço nesta encarnação e nos anais da história do rock, mas tememos que não venha a ser devido a este "Snakes For The Divine". A energia está lá, o poder da voz de Matt continua no estilo que sempre lhe conhecemos e a parte instrumental também não oferece a que se lhe faça grande reparo. O que realmente «tolhe» um pouco o registo é a produção que teve. Depois das experiências com Steve Albini e Jack Endino, pela ordem de lançamentos indicada, desta vez foi Greg Fidelman ("World Painted Blood", dos Slayer, por exemplo) o senhor da cadeira por detrás dos botões e o que se nota, principalmente, é a perda de um pouco de força do som da banda, ou seja, a guitarra não atinge o som demolidor que se lhe reconhece, a secção rítmica estonteante e endiabrada de outros tempos aqui está mais abafada e o registo vocal, igualmente, sofre com alguma falta de efeitos ou distorção. Um tema que foge um pouco a este padrão, talvez pelas suas características naturais, é "Ghost Neck".
Não é que este trabalho tenha sido sacrificado pela produção, pelo contrário; "Frost Hammer", "Blood Samurai" ou "How Dark We Pray" são faixas que, por si só, são válidas o suficiente e farão as delícias de quem assistir aos concertos da banda de S. Francisco, só que, no final, fica um ligeiro sabor a amargo e a questionarmo-nos se este não poderia ser o novo melhor álbum dos High On Fire. (13/20)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ab Reo Dicere (24-03-2010)

Void - Void (2010)



Trabalho de estreia para este colectivo italiano que se movimenta por entre o Drone, o Doom e o Sludge. São 3 longos temas, bem complexos, que nos transportam às tormentas internas de cada um, adicionando-lhes pequenos toques de calmaria para que deixe o ouvinte respirar um pouco melhor. Sim, é um trabalho intenso, claustrofóbico, por vezes até um pouco duro de digerir, mas as coisas interessantes também não têm essa vertente?
Apresentado em edições bem limitadas e com algum requinte, o que à primeira vista poderá fazer-nos já crescer água na boca. (12/20)



Shine, My Boregarden - Sunshine (2010)


Já não é a primeira vez que por aqui se escreve que a Rússia tem se tornado, nos últimos anos, num autêntico viveiro de bandas/projectos ligados a estas sonoridades mais extremas. E, pelo meio dessa oferta toda, claro está, a qualidade dificilmente se manterá num patamar elevado.
Estes Shine, My Boregarden vêm destoar dessa qualidade que tem vindo a terreiro. As linhas Funeral Doom, mescladas com Ambient e Gothic não resultam e a voz, ultra-gutural, também não soa muito bem conjugada com estes temas que sabem sempre ao mesmo, a comida aquecida servida fria. A produção, também, está num patamar bastante sofrível.
Ficamos à espera que o trabalho se desenvolva e hajam melhores resultados. (8/20)



Asteroid - Asteroid II (2010)


Após ouvir os primeiros sons deste registo, houve a necessidade de confirmar se não nos tínhamos enganado na banda e verificamos quem são os seus elementos, visto que os Asteroid apresentam inúmeras semelhanças com os conterrâneos Witchcraft, ou seja, praticam um Stoner totalmente retro, que bebe da fonte inesgotável que são os Black Sabbath, com uns pózinhos de Hard-Rock e psicadélia.
Poderíamos, desta forma, dizer que estamos perante um clone dos Witchcraft. Mas não. Os Asteroid têm bons temas (tal como os Witchcraft), boas melodias apesar do peso aqui ser bastante contido ou quase inexistente (tal como os Witchcraft) e ideias próprias que vão desenvolvendo ao longo dos 9 temas deste "Asteroid II" (et voilá!!); bom exemplo disso mesmo são "Disappear" e "Lady".
E, para dizer a verdade, neste momento estes Asteroid são bem mais interessantes do que vocês sabem quem. (13/20)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dawnrider - Two (2009)

Após a estreia nos registos em nome próprio, com "Alpha Chapter" e que lhes valeu uma boa recepção por parte da crítica, os Dawnrider regressaram no ano passado com o sempre «difícil» segundo álbum. É certo que já tinham sido apresentadas as linhas com que se iria coser este projecto, mas é com este "Two" que realmente a fórmula se encontra aprimorada e afinada, mostrando uma banda em boa forma a explorar Doom Metal de cariz mais tradicional (Pentagram, Pagan Altar, Trouble e Black Sabbath podem bem ser algumas das bandas de referência de entre um leque bem vasto), mas que se socorre de uns pózinhos de Stoner e psicadélia como que a condimentar o que aos olhos se nos mostra agradável (ou seja, uma capa e artwork enigmática e inquiridora do conteúdo musical que a acompanha).
E, logo ao fim dos primeiros segundos de "Scared Of Light", ficamos com a certeza que vamos ter groove, que vamos ter guitarras bem à frente, que vamos ter música de peso e tudo isso se vai confirmando ao longo dos 8 temas deste registo, com especial atenção para "Irinia", um tema soberbo, destacando-se de entre os demais pelos mais variados motivos: única música do álbum cantada em português, um riff inicial de guitarra muito bem sacado e que se torna a base estrutural desta composição, assumindo contornos de épico e a voz de F. Dias que se encaixa perfeitamente. Aqui, condensam-se na perfeição os vectores que guiam o Doom tradicional.
A vitalidade e versatilidade das composições continua bem patente, bastando ouvir "Redemption", com uma cadência mais mid-tempo, com mais uma excelente malha de guitarra, a puxar para um enérgico headbanging ou então "Maelstrom", o instrumental que encerra "Two".
Desta forma, e na esteira do que por aqui tem sido escrito relativamente a projectos nacionais, podemos indicar que estamos perante mais um relevante trabalho de Doom Metal, num ano que mostrou outros bons trabalhos, e que nos fazem reforçar a ideia que temos muitas e boas bandas que merecem a devida atenção e exposição nacional e internacional. E é claro que os Dawnrider, com este "Two", se encontram nesse grupo. (15/20)

terça-feira, 16 de março de 2010

Serenades - The Light Inside (2010)

Os Serenades regressaram às lides discográficas no ano passado com "Father", um álbum devedor das suas influências góticas, mas que passou um pouco ao lado da crítica e do que deles se esperava, após 9 anos de interregno.
Mas, quem ouviu o lançamento de 2009 certamente ficará um pouco surpreendido com esta novidade. Para que se tenha uma ideia, parece que se juntaram na mesma sala de ensaios os Katatonia, os Ulver e Trent Reznor na sua vertente mais melancólica e o resultado final está nestes 8 temas que roçam o Atmospheric Doom de ambiências góticas. Aqui, as guitarras ocupam um segundo plano, atingindo uma dimensão quase acessória, dando primazia a ritmos bem lentos, mecânicos, frios e às teclas, enquanto que a voz de Valerio Capsoni paira, triste e amargurada, sobre esta massa sonora característica de uma fria e cinzenta tarde de Outono.

"The Light Inside" é extremamente melancólico, envolto em cenários bem soturnos que nos embalam numa descida ao interior da dilaceração, da tristeza e da comiseração, resultando num misto de beleza e desconforto que nos impele para, mais uma vez, mergulharmos neste álbum apesar da clara consciência dos negros sentimentos por que seremos invadidos ao longo de temas como "Eponine" ou do tema-título.
Apesar de bastante diferente do que têm vindo a apresentar, onde mesmo o EP "Joy Of Decay", lançado já este ano, não augurava tamanha inflexão, pode-se dizer que os Serenades ganharam a aposta e resta-nos aguardar por mais momentos destes.
Nota final: este álbum e o EP "Joy Of Decay" encontram-se disponíveis para download no myspace da banda. (13/20)


domingo, 14 de março de 2010

Ab Reo Dicere - nova rúbrica

A Ab Reo Dicere é uma nova rúbrica que surge, a partir de agora, no Temple Of Doom Metal. Aqui, serão efectuados pequenos comentários sobre lançamentos que vão chegando ao mercado, ou seja, constará de pequenas reviews, com um carácter de teor mais informativo, digamos, de modo a poder dar uma maior resposta à larga quantidade de trabalhos que já é possível encontrar.
Terá uma periodicidade regular, semanal ou quinzenal, e incluirá sempre um conjunto de 3 ou mais notas sobre trabalhos que versarão sobre as temáticas abordadas pelo Temple Of Doom Metal.

Para a estreia, teremos e estreia dos Infinite Grievance, o EP dos turcos Depressive Mode e o novo álbum dos finlandeses Lyijykomppania, "Sota Nälkä Rutto Kuolema".


Infinite Grievance - Demo (2010)


Os Inifinite Grievance são um colectivo que nos chega de Alberta, no Canadá e este é o seu registo de estreia. Quatro temas que perfazem 56 minutos de música, sendo que Transfigure é uma cover dos Jesu.
Ao ouvir esta demo, nota-se ainda grande heterogeneidade nas composições, onde não se detecta uma linha condutora identitária e modeladora do som destes canadianos. São quatro temas muito diferentes entre si, que vão desde o Doom/Death, passando pelo Drone/Ambient até ao Post-rock.
Algumas ideias apresentam algum interesse, mas precisam de mais trabalho e maturação, de modo a evitar futuros dissabores. (8/20)



Depressive Mode - Despair Is Darkness (2010)


Da Turquia, chegam-nos as ambiências góticas dos Depressive Mode que coabitam com harmoniosamente com linhas Doom e Ambient. Este EP, composto por seis temas, essencialmente instrumentais, aposta forte no uso dos teclados, relegando o trabalho das guitarras para um plano secundário, dando às músicas um tom bastante melancólico e soturno.
Apesar de existir uma linha mestra claramente definida neste trabalho, faltam os temas capazes de nos agarrar e dar a volta à cabeça, que nos levaria a mergulhar neste desespero algo contido vezes sem fim. (10/20)



Lyijykomppania - Sota Nälkä Rutto Kuolema (2010)


Esta banda finlandesa teve um trajecto bastante atribulado, com diversas incarnações e muitas mudanças de line up, mas está às portas de celebrar 30 anos de existência.
Três anos após o EP "Mannyt Maailma", eis que é lançado o seu quinto longa-duração; e o que é que se pode dizer sobre ele? Estamos perante mais conjunto de malhas na esteira do Heavy/Doom Metal mais clássico que desde sempre nos habituaram, cantado na sua língua materna, aplicando as mesmas fórmulas de que se socorrem desde os primeiros registos e que nos faz torcer um bocado o nariz na hora de ter de carregar no repeat. De facto, a entrada de novos elementos na banda nada acrescentou à sonoridade praticada, temendo-se que os Lyijykomppania tenham chegado a um beco sem saída. (9/20)

sábado, 6 de março de 2010

Las Cruces - Dusk (2010)

Regresso às lides musicais do quarteto texano, com este "Dusk", após praticamente uma década de ausência (o último registo foi o EP "Lowest End", lançado em 2001).
Fustigado com frequentes mudanças de line-up ao longo do período da «primeira vida», este também não é excepção, contando unicamente com George Trevino como elemento constante desde a formação original.
Pois bem, este terceiro álbum é, musicalmente, uma continuação do que até aqui já podíamos conhecer da banda, ou seja, Doom Metal de linhas mais clássicas, com boas malhas e peso qb; no entanto, as linhas vocais de Trevino é que continuam a custar a encaixar às primeiras audições, devido ao timbre que adquire ao tentar atingir voos um pouco mais altos. Assim, bem vistas as coisas, poderíamos dizer que esta paragem em nada ajudou ou modificou o som dos Las Cruces! Talvez não seja bem assim. Os temas surgem carregados com uma boa dose de groove e as linhas mais próximas do Heavy Metal também surgem a espaços com mais veemência. Nota de registo vai, igualmente, para o trabalho de Jimmy Bell no baixo, com as suas malhas bem presentes e que reforçam o poder dos temas neste "Dusk".
Nove anos depois do registo que mostrava uma banda sem soluções, ensimesmada e sem grandes temas de referência, mostra um regresso com ideias frescas, com alguns inputs que fizeram os temas ganhar outra dimensão, parecendo augurar-se um futuro risonho para estes senhores, mas a prova disso mesmo terá de se reflectir nos próximos lançamentos. Por ora, continuaremos, um pouco, de pé atrás. (11/20)

terça-feira, 2 de março de 2010

Helevorn - Forthcoming Displeasures (2010)

Cinco anos após "Fragments", eis que os espanhóis Helevorn lançam o seu segundo longa-duração, desta feita através do selo BadMoonMan e a produção esteve a cargo de Jens Bogren e Johan Örborg (ligados ao último trabalho dos Paradise Lost, por exemplo).
Olhando e ouvindo este registo, as diferenças são bem notórias relativamente ao seu predecessor; começando pela capa, na qual o ar mais devedor ao gótico foi substituído .pelo jogo luz/sombra que vai sendo regularmente utilizado em trabalhos mais virados para os projectos downtempo; musicalmente, as diferenças estão mais vincadas. Em "Fragments", encontrávamo-nos perante um trabalho na linha do Gothic Metal com alguns inputs mais doomescos. A produção era mais sofrível, não deixando os temas respirar e mostrar o seu potencial. Por seu lado, "Forthcoming Displeasures" abraça com mais vontade as linhas do Doom e do Death Metal, com aproximações aos horizontes de uns Swallow The Sun, Novembers Doom - fase "The Knowing" -, Draconian e Katatonia pré-98, e as linhas de teor gótico encontram-se mais diluídas (talvez "Two Voices Sorrounding" seja o caso mais próximo do passado). A par disto tudo, existe um significativo crescimento na qualidade da composição dos temas, na sua execução e estruturação, o que poderá ser uma mais-valia para exposição alargada ao mercado do metal.
Apesar de estarmos, assim, perante um trabalho de Doom/Death, na sua essência, onde não existem grandes inovações ou tentativas de virtuosismo, mas onde é possível ouvir boas malhas de guitarra - bem puxadas à frente -, com uma secção rítmica segura e um assinalável registo vocal de Josep Brunet, fazendo lembrar Paul Kuhr, nas vertentes limpas e guturais.
Os 54 minutos de duração do álbum, no seu conjunto, garantem bons momentos para os aficionados, sem grandes momentos de cansaço ou repetição das estruturas utilizadas.
Quando a procissão ainda vai no adro e apesar de já estarem no mercado umas dezenas de lançamentos desta estirpe, poderemos afirmar que este regresso dos Helevorn é factor de destaque, que deve ser escutado com atenção, porque na nossa opinião estamos perante um bom registo dentro deste segmento. (16/20)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

In Peccatvm - MDLXIII (2009)

Os açorianos In Peccatvm continuam a ser um dos bastiões do metal nacional insular e um modelo de perseverança, crença e paixão pelo metal, que nos deverá fazer pensar muitas vezes que, se calhar, cuspimos no prato em que comemos. E porquê? Perseverança, crença e paixão, como foi escrito; termos e, sobretudo, sentimentos que muitos "velhos do Restelo" parecem ter esquecido perante as "facilidades" que ora se vão vendo por estes lados do continente. A esta banda, poderíamos juntar os A Dream Of Poe, Morbid Death e Requiem Laus, que não deslustrarão em nada o exposto. Ponto.
O último registo, se não contarmos com a reedição da demo de 2000 "Just Like Tears..." em 2008, data já de 2002 e foi o EP "Antília", baseado no conceito das lendas das Sete Cidades. No entanto, a longa espera valeu bem a pena, porque os sete temas que compõem este novo EP, também ele conceptual - desta feita sobre a erupção do Fogo que, em 1563, destruiu a parte central da ilha de S. Miguel -, revelam uma significativa maturação nas composições e na estrutura que deram a este trabalho. Desde o tema de abertura, "All I Am Is Fear (Prelude)", em que os sons do interior da terra, os sinos - um misto de dor e protecção/aviso -, passando pelos gritos dos micaelenses, até aos últimos sons de "So Shall Ye Wither (Outro)" que  existe um excelente encadeamento neste acontecimento musicalizado e sentimos-nos, ao mesmo tempo, envolvidos pelas músicas e os excertos do texto que relata  a tragédia, da autoria de Gaspar Frutuoso, "Saudades da Terra", do século XVI, que surgem nos temas centrais do registo, sob bases mais acústicas e atmosféricas, evidenciam que os In Peccatvm se encontram num grande momento e que MDLXIII é, até à data, o seu melhor registo em todas as suas valências, sempre dentro do espectro do Gothic/Doom Metal. Acabamos por ter , assim, reflectido um belo espelho desta tragédia sem que se abram os olhos. E quando as coisas são assim, só queremos saber qual será o próximo capítulo. (16/20)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Okera - The Black Rain (2010)

Demo de estreia deste quarteto australiano, que pratica um Death/Doom Metal agradável, mas que faz logo lembrar uns Swallow The Sun (na fase "The Morning Never Came", essencialmente), Novembers Doom e Daylight Dies, mas principalmente os primeiros; por vezes, ao longo destes 3 temas, existe uma colagem demasiado evidente à banda finlandesa, o que até se desculpa visto ser o primeiro registo da banda, que poderá ofuscar a modelagem do seu som e personalidade.
No entanto, deparamo-nos com um conjunto de músicas bem estruturadas e pesadas qb, que incluem alguns momentos mais calmos que contrastam com as descargas de energia (veja-se "Futility" e "Jewels In The Sky"); esta dualidade confere aos temas algum dinamismo e acrescenta qualidade aos temas.
Apesar de não nos encontrarmos perante um registo cheio de inovações e originalidade, os Okera apresentam-se ao mundo de uma forma descomprometida, mas segura, sólida nas linhas em que se querem coser, mas que convém alinhavar melhor a discrição das influências, porque desta forma correm o risco de soarem a uma cópia e chegarem a um beco sem saída.
Última nota: esta Demo, encontra-se disponível para download no myspace da banda. (12/20)


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Persistence In Mourning - The Undead Shall Rise (2009)

Uma das características por que ficará conhecida a década que acaba de findar, no espectro do Metal, é a proliferação de projectos no regime de one man band. A isso, teremos de juntar que as novas tecnologias e a massificação das ferramentas de gravação e edição desses mesmos projectos em muito contribuiram para tal fenómeno.
E é sobre mais um desses solo projects que se discorrerá nas seguintes linhas
Os Persistence In Mourning chegam-nos de Oklahoma City e têm no seu mentor, A. Lippoldt, a sua face, aplicando aqui uma abordagem ao Funeral Doom, de forma genérica.
Apesar de já terem no seu curriculum meia dúzia de lançamentos, apenas no início do ano passado é que foi lançado este "The Undead Shall Rise", que transporta um cariz conceptual em torno dos zombies.
A par de guitarras bem abrasivas e agrestes, neste álbum temos ritmos bem lentos, funéreos e uma voz bem gutural, também. No entanto, fugindo, de certa forma, à cartilha mais ortodoxa  por que se pauta este sub-género, encontramos alguns momentos e elementos que conferem uma valorização aos temas, nomeadamente a presença de um piano em "... And The Killing Began In Earnest" ou as teclas em "The Cabin" que conferem ao tema um ar mais taciturno e spooky, para além de um ou outro apontamento mais na esteira do Black Metal.
Apesar de, na generalidade, estarmos perante um trabalho válido, existe ainda alguma heterogeneidade no resultado final dos temas e a sua ordem de distribuição ao longo do disco; referimo-nos, mais concretamente, à sequência "Interlude I (She's Ashen)"/"The Earth, The Terrible Dark Silence"/"The New Begining (Ominous)", que cria um corte longo na sequência do álbum.
Contudo, os Persistence In Mourning ainda têm uma boa margem de progressão, a ver pela amostra, num sub-género que é bem conhecido pelas suas limitações.(12/20)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Doom 10+ - Janeiro 2010

Na continuidade da rubrica iniciada em Dezembro de 2009, onde algumas personalidades do mundo do metal nacional emitem as suas escolhas sobre os trabalhos de Doom Metal que mais os marcaram ao longo do seu trajecto musical e não só, retomamos, com um ligeiro atraso é certo, essa recolha de escolhas.
Durante o mês de Janeiro, fomos bater à porta de Francisco Dias, vocalista e fundador dos doomsters Dawnrider, que no ano passado lançaram o mui aclamado "Two". Para além da listagem onde distingue os seus 10+, presenteou o Temple Of Doom Metal com os dez trabalhos mais relevantes da última década, bem como os que contribuíram para a criação do Doom Metal. É o que podemos chamar 3 em 1 e melhor início de ano para o Doom10+ seria muito difícil vaticinar.


  1. TROUBLE "Psalm 9" (1984)

2. CANDLEMASS "Epicus Doomicus Metallicus" (1986)
3. IRON MAN "The Passage" (1994)

4. THE OBSESSED "Incarnate" (comp. - 1999)
5. SAINT VITUS "Die Healing" (1995)
6. ELECTRIC WIZARD "Come My Fanatics..." (1997)
7. WITCHFINDER GENERAL "Death Penalty" (1982)
8. DEATH SS "The Story 1977-84" (comp. - 1987)
9. PAGAN ALTAR "Pagan Altar" (demo - 1982 - reeditada duas vezes)
10. ASYLUM "The Earth Is The Insane Asylum Of The Universe" (demo - 1985)


DOOM10+ New Millenium

1. SPIRIT CARAVAN "The Last Embrace" (comp. - 2003)

2. REVEREND BIZARRE "In The Rectory" (2002)
3. CATHEDRAL "The Garden Of Unearthly Delights" (2005)
4. EARTHRIDE "Vampire Circus" (2005)
5. PLACE OF SKULLS "Nailed" (2002)
6. GRAND MAGUS "Monument" (2003)
7. SPIRITUS MORTIS "Spiritus Mortis" (2004)
8. IRON MAN "I Have Returned" (2009)
9. FORSAKEN "After The Fall" (2009)
10. PENTAGRAM "Sub Basement" (2001)


DOOM 10+ Proto-Doom

1. BLACK SABBATH "Master Of Reality" (1971)

2. PENTAGRAM "First Daze Here" (comp. - 2002)
3. BLUE CHEER "Outsideinside" (1968)

4. RANDY HOLDEN "Population II" (1969)
5. JERUSALEM "Jerusalem" (1972)
6. JOSEFUS "Dead Man" (1970)
7. BANG "Bang" (1971)
8. CZAR "Czar" (1970)
9. HIGH TIDE "Sea Shanties" (1969)
10. TIGER B. SMITH "Tiger Rock" (1972)

Como devem calcular, muita coisa boa ficou de fora especialmente nos 2 primeiros tops. Pelos primeiros lugares dos tops, podem reparar que alguns dos discos da minha vida passam por Black Sabbath, Pentagram e pelo Doom Metal mais tradicional produzido nas decadas de 80 e 90 em Maryland/DC. No entanto, há uma tendencia mais europeia no top do novo milénio e especialmente no top do proto-Doom. Agora vão à procura dos discos, relaxem, ouçam e sejam surpreendidos!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

The Wounded Kings - The Shadow Over Atlantis (2010)

Por vezes, discorrer em algumas linhas o que nos vai na alma sobre um determinado trabalho tem muito que se lhe diga devido ao facto de podermos estar perante uma grande surpresa, ser mais do mesmo sem momentos que nos cativem, sem mostras de originalidade ou de reinvenção/mistura das fórmulas de trabalho ou, por último, depararmo-nos perante algo que nos desilude ou que não gostamos. 
E este segundo álbum dos ingleses The Wounded Kings pode ser um bocadinho disso tudo para as diversas pessoas que se depararem com "The Shadow Over Atlantis", ou seja, para quem não conhece, certamente, não ficará desiludido, porque aqui pode verificar mais uma extensão do legado sabbathiano, com algumas nuances funeral doom e psicadélia (?), e terá mais um filão para explorar; para a maioria que já contactou com "Embrace Of The Narrow House", não existirão grandes surpresas, vão gostar e achar que é a primeira "bomba" de 2010 e apontarão aqui e ali elementos de destaque. Finalmente, também teremos os que irão dizer raios e coriscos, encontrando em todos os minutos deste registo motivos para apontar o dedo e lançar o vitupério.
Pois bem, este duo de Dartmoor parece que não deve ter ligado muito a uma possível reflexão deste género e o facto é que nos arremessam com mais 40 minutos de doom poderoso e cru, sem grandes contemplações, dividido por 6 temas (de entre os quais 2 pequenos instrumentais) que reforçam as linhas denunciadas no registo de estreia, de 2008, e dotam as suas músicas de uma carga ambiental cativante, conferindo-lhes uma dimensão extra que em muito abona o álbum. Os melhores exemplos para isso serão, talvez, os dois primeiros temas, "The Swirling Mist" e "Baptism Of Atlantis".
Neste novo ano/década que inicia, muita coisa se vai augurando, no que ao metal diz respeito, após um decénio extremamente variado e rico em produções musicais, mas o facto é que este "The Shadow Over Atlantis" acaba por ser a primeira grande referência no espectro do doom metal deste ano. (15/20)