segunda-feira, 26 de abril de 2010

When The Deadbolt Breaks - The Last Day Of Sun (2010)

Com “A Million Miles Of Trouble Ahead”, fica dado o mote para o regresso às lides discográficas dos When The Deadbolt Breaks (WTDB); Sludge/Doom Metal para homens de barba rija é o que nos espera. Logo aí, nesses 5 minutos, condensam-se as influências de Black Cobra, Eyehategod e Neurosis, mestres musicais nas áreas em que se movimentam.
Após este frenesim inicial, as coisas começam a mudar, as águas tornam-se cada vez mais turvas e vemos uns WTDB bastante experimentais, buscando texturas mais ambientais, que poderiam ter sido criadas para um qualquer registo dos Isis, por exemplo, conjugando-as com as toadas mais arrastadas com que nos presenteando ao deste trabalho, “Just Before The Twilight, “In Their Blood” ou “Sprawled In Seamless Time” são excelentes provas disso mesmo, onde a longa duração destes temas, utilizando algumas linhas musicais até à exaustão, vai alternando com outros mais curtos e mais in your face, ouça-se “Hope, Love, Solitude, Suicide” e o tema de abertura, por exemplo, mantendo as coisas sempre num nível que nos vai agarrando durante a audição deste registo.
“The Last Day Of Sun” resulta num grande caldeirão de experiências sonoras, de busca de novos trilhos a explorar e a presença de vocalizações femininas, a espaços, no meio desta aridez sonora bem como a aproximação a terrenos que podem andar próximos do Funeral Doom, “As Flies For Flesh”, e a aposta em vocalizações características do Death Metal, em “Of Fallen Grace”, demonstram que os WTDB não têm nenhum problema em pisar terrenos pouco familiares e, ao mesmo tempo, atirar em várias direcções na busca da melhor solução para a junção ao seu Sludge/Doom.
Quatro anos após “In The Ruins, No Light Shall Shine”, estamos perante um álbum bastante ambicioso, que poderá marcar a evolução musical do conjunto do Connecticut e atirá-los para esferas de qualidade e reconhecimento, na linha das bandas anteriormente mencionadas. Assim os próximos trabalhos o confirmem. (15/20)

“The Last Day Of Sun” encontra-se disponível para download via Fuzztown Records.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hyleon - Another Day In Paradise (2010)

Nestas coisas da música, existem álbuns que nos conquistam à primeira, outros que vão crescendo à medida que lhes vamos dando mais algumas oportunidades e que, finalmente, acabam por se revelar, em alguns casos, bem interessantes e cativantes e, por último, temos os outros que não nos aquecem nem arrefecem. 
Pois bem, este "Another Day In Paradise", o segundo álbum do projecto romeno Hyleon, liderado por Gabi "Cesar" Orbulescu, pode bem andar a candidatar-se a esta última categoria. A mistura de Doom, Black e Gothic, apesar de não constituir nenhuma novidade ainda poderia trazer algumas boas surpresas, mas não é o que se verifica por estes lados; aqui, recolhem-se apenas alguns bons riffs de guitarra e dois temas que fogem, de certa forma, à monotonia que reina nestes 40 minutos de duração do álbum, que são "Why" e "Depression", colocados a meio do registo, levando-nos a esperar uma segunda parte mais ambiciosa e agradável, o que, infelizmente, não se irá obter...
Voltamos a cair em temas que não são capazes de nos agarrar à audição, sem capacidade de nos fazer bater o pé ao ritmo, lento, dos temas ou trautear algo que ali se encontre; ritmos muito iguais, guitarras sempre nas mesmas tonalidades, tudo muito em piloto automático. Aqui, também se inclui a cover de "Brighter Than The Sun", dos Tiamat.
Para primeiro contacto com este projecto, parece-nos que não haverá muito por onde pegar, mas esperamos por surpresas. (8/20)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ab Reo Dicere (19-04-2010)

Sloath - Sloath (2010)

Trabalho de estreia para estes britânicos, praticantes de um Doom/Sludge/Ambient muito certinho e bem executado. Os 3 temas que aqui se encontram são instrumentais e bastante longos (todos acima dos 10 minutos), com momentos de beleza e contemplação que contrastam com a rudeza e aridez que caracterizam muitos dos trabalhos de Sludge.
Apesar de estarmos perante um trabalho que poderemos dizer como politicamente correcto, estes Sloath não trazem nenhuma centelha de inovação ou originalidade a um meio que já se encontra repleto de propostas no género. Apesar de "Cane Trader" até ser uma boa proposta, não deixa de soar a algo datado. (8/20)



Sardonis - Sardonis (2010)

Depois do lançamento do EP de estreia, em 2008, ficou uma certa curiosidade relativamente ao que este duo belga poderia fazer no futuro. É certo que os ingredientes básicos já estavam encontrados (Doom/Stoner/Sludge), restava saber se saberiam dar a volta ao texto, de forma a não repetirem a dose, pela negativa, está claro. Assim, após a escuta deste álbum, não é possível dizer claramente sim ou não, ou seja, há uma notória vontade de deixar o ninho, mas o medo da queda por vezes prevalece, já para não falar da inclusão dos dois primeiros temas do EP neste trabalho.
Acaba por ser um registo mediano, onde a espaços se destaca um ou outro tema ("March Of The Masses" e "The Wolf's Lair", são os mais evidentes), mas acaba por não se revelar tão cativante como se poderia julgar. (11/20)



Josué, O Salvador/Profan - Split (2010)

Dois projectos portugueses que poderemos classificar de sui generis. Quem tem acompanhado as suas andanças, sabe bem do que estamos a falar e da evolução que têm sofrido.
Estas bandas presenteiam-nos com dois longos temas, demonstrando que continuam a puxar um bocado os limites dos terrenos em que se movimentam e não receiam isso mesmo. No entanto, estes splits também poderão ter esse condão de conterem temas que marcam evoluções ou clivagens na linha artística da(s) banda(s).
Aqui, estamos perante a primeira situação e não deixa de ser engraçado ver os Josué a apostar numa atitude bem mais rockeira, enquanto que os Profan exploram com mais afinco texturas no âmbito do drone. 40 minutos bem empregues, mais uma vez com bandas nacionais. (13/20)

                http://www.myspace.com/profanmusic

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Temple Of Doom Metal/Solitude Productions - Parceria de divulgação



É com enorme satisfação que o Temple Of Doom Metal anuncia o estabelecimento de uma parceria de divulgação com uma das principais e maiores editoras europeias ligadas ao Doom Metal: a russa Solitude Productions.
Desta forma, a partir de agora irão surgir mais algumas mensagens ligadas a esta editora, bem como a divulgação/review de mais projectos a ela ligados.
Deixamos, para já, as primeiras actividades para 2010.


Solitude Productions - Russian Doom Metal Label
http://solitude-prod.com  


Out Now:
Ea – Au Ellai (funeral doom) (Review brevemente)
Helevorn – Forthcoming Displeasures (dark metal) (Review já efectuada)
Wedding In Hades – Elements Of Disorder (gothic metal / doom death) (Review brevemente)
On The Edge Of The NetherRealm – Different Realms (gothic doom death) (Review brevemente)
Re123+ – Magi (drone doom / post rock) (Review brevemente)

Coming soon:
The Howling Void - Shadows Over The Cosmos (symphonic funeral doom)
Ophis - Withered Shades (doom death)
The Sullen Route - Madness Of My Own Design (death doom)
As Light Dies - Ars Subtilior From Within The Cage (progressive dark / death metal)
Mournful Gust - She's My Grief… Decade (gothic doom death)
Fading Waves / Starchitect - Split CD (post metal)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ab Reo Dicere (09-04-2010)

Age Of Taurus - In The Days Of The Taurean Empire - 2010 (demo)

Estes Age Of Taurus chegam-nos de Inglaterra, mais precisamente de Londres e mostram-se ao mundo com esta sua primeira demo. O duo que constitui este projecto, Toby Wright e Sam Thredder, exibe um conjunto de 4 temas que balançam entre o Heavy e o Doom Metal, levando a espaços, umas pinceladas de Prog.
Directos e concisos, com temas bem estruturados e malhas cativantes, como são os casos de "Unborn Destroyer" e "Barren", poderemos estar perante um caso que tenha de ser levado bem a sério, se os próximos lançamentos confirmarem o potencial e a qualidade que emerge neste registo.
Quem sabe se não serão a next big thing vinda de terras de Sua Majestade!! (13/20)



Szeol - Demo 2010

A Polónia será, talvez, um dos países europeus que terá maior número de bandas de metal (em proporção relativamente à sua população, leia-se), embora não sejam assim tantas as que conseguiram atingir um nível de exposição e aceitação massiva. Não é neste restrito grupo, por ora, que podemos integrar os Szeol, praticantes de um Post-rock/Sludge que ao longo dos 20 minutos de duração desta demo não traz nada de muito interessante, a não ser utilizarem a sua língua natal num esquema gizado para anglo-saxónico.
O que aqui temos, outros fazem-no com mais capacidade e qualidade, mas estamos sempre dispostos a boas surpresas no futuro. Este registo foi disponibilizado pela banda na sua página myspace. (9/20)






 Severed Hand - Pandemonium 2010 (demo)

Os Severed Hand lançaram, também, a sua demo de estreia. Doom/Death Metal com vocalizações em russo ao longo dos 3 temas disponibilizados. Apresentam uma grande energia, com algumas variações rítmicas (apesar do abuso no pedal-duplo sempre na mesma cadência) e com as guitarras em bom plano; no entanto, estes temas acabam por ser um pouco iguais entre si, parecendo que estamos a ouvir a mesma música só que dividida em 3 actos, o que gera uma certa monotonia ao longo dos 14 minutos de duração.
Esperamos que, no futuro, outras ideias sejam introduzidas de modo a que o seu repertório suba em qualidade e ganhem o seu espaço na música extrema. (9/20)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Cathedral - The Guessing Game (2010)

Rara será a banda que não tenha sofrido na pele as irregularidades da sua carreira e os Cathedral são um bom exemplo disso mesmo. Após um começo fulgurante entre 1990 e 1993, deixaram-se envolver pelas toadas mais stonerizadas, então muito em voga, que em nada favoreceu o seu som característico e a voz atormentada de Lee Dorrian, motivando críticas pelos fãs mais acérrimos O reencontro com as linhas iniciais deu-se na fase "VIIth Coming"/"The Garden Of Unhearthly Delights", mas eis que a banda resolve remeter-se ao silêncio após a tour de suporte a "The Garden..." e notícias substanciais surgem somente em adiantado 2008. E eis que chegados a 2010, temos entre mãos este álbum-duplo.
Após uma primeira audição, apetece dizer que Dorrian & Co. resolveram ouvir todos os seus discos de Prog e Psychedelic dos anos 70 e condensá-los nestes 84 minutos de duração deste novo registo. Resultado: levantar o sobrolho, em jeito de desconfiança. No entanto, após algumas sucessivas audições, vemos que todos os elementos que têm vindo a fazer parte do som destes ingleses estão lá, mais diluídos, é certo, principalmente no primeiro cd, onde existe uma maior preponderância para a inclusão de sons mais estranhos e à realizarção de algumas experimentações (ouça-se "The Guessing Game" ou "Funeral Of Dreams, por exemplo). Na segunda rodela, a costela mais «ortodoxa» está bem patente, com um Stoner/Doom mais directo, sem grandes floreados ("The Casket Chasers" e "Requiem For The Voiceless") e que nos colocam a bater o pé, porque boas malhas e bons ritmos não faltam por aqui.
Uma coisa é certa, os Cathedral de 2010 são muito diferentes dos que surgiram em finais da década de 80 e parece que esse passado se encontra enterrado, apesar de que este registo acaba por ser uma espécie de «baralha e volta a dar» a que acrescentam uns pózinhos de Prog e Psychedelic, numa atitude declaradamente retro. Agora, resta ter a possibilidade de saborear estes temas ao vivo e esperar que o jogo não acabe por aqui. (14/20)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Centurions Ghost - Blessed & Cursed In Equal Measure (2010)

Na história da música, por vezes de forma mais ou menos cíclica, discute-se muito as origens de um dado movimento ou de um estilo. No entanto, no caso específico do Sludge Metal as coisas não são tão «pantanosas» quanto isso. Toma-se como dado adquirido, e consensual, que é uma sonoridade americana, com as suas raízes no estado do Louisiana, berço de bandas como os Crowbar e os Eyehategod, pioneiros deste tipo de descargas metálicas (se não tivermos na equação os Melvins, está claro).
Casos houve, igualmente, de bandas que se colavam de tal forma às raízes dos géneros que não era fácil percepcionar a sua origem e as linhas que formavam a sua identidade sonora.
Ora bem, isto tudo parece-nos pertinente por causa do novo álbum dos Centurions Ghost, "Blessed & Cursed In Equal Measure". Primeiro: estamos perante uma grande dose de Sludge Metal com alguns arremedos de Doom. Segundo: apesar de serem originários de Londres, o seu som poderia bem passar por ser de mais uma banda proveniente de Nova Orleães que ninguém iria notar grande diferença. Pois bem, estamos, então, esclarecidos relativamente a uma série de elementos.
Relativamente à música, que é o que nos traz aqui realmente, "Blessed & Cursed..." é um álbum que sabe juntar todos os bons ingredientes dos Crowbar, Eyehategod e dos Iron Monkey (ah, estes são ingleses!...) e qualquer fá do género vai adorar as descargas de peso do quarteto, juntando este projecto à sua lista de preferidos. De facto, temos aqui bom sludge, bem poderoso, muito peso e algum caos contido, mas que corre o risco de não sobressair por entre os demais pelo simples facto de estar um pouco colado em demasia às raízes do movimento, não imprimindo grandes inovações, surpresas e, acima de tudo, algo que evidencie um grande cunho pessoal e os individualize.
Assim, o que podemos dizer é que estamos perante um aceitável trabalho, ao qual falta-lhe qualquer coisa de próprio. (12/20)

domingo, 28 de março de 2010

High On Fire - Snakes For The Divine (2010)

Depois dos verdadeiros petardos que foram "Blessed Black Wings" e "Death Is This Communion", de 2005 e 2007, respectivamente, as expectativas em torno deste novo lançamento eram elevadas. De facto, o trio comandado por Matt Pike já conseguiu o seu espaço nesta encarnação e nos anais da história do rock, mas tememos que não venha a ser devido a este "Snakes For The Divine". A energia está lá, o poder da voz de Matt continua no estilo que sempre lhe conhecemos e a parte instrumental também não oferece a que se lhe faça grande reparo. O que realmente «tolhe» um pouco o registo é a produção que teve. Depois das experiências com Steve Albini e Jack Endino, pela ordem de lançamentos indicada, desta vez foi Greg Fidelman ("World Painted Blood", dos Slayer, por exemplo) o senhor da cadeira por detrás dos botões e o que se nota, principalmente, é a perda de um pouco de força do som da banda, ou seja, a guitarra não atinge o som demolidor que se lhe reconhece, a secção rítmica estonteante e endiabrada de outros tempos aqui está mais abafada e o registo vocal, igualmente, sofre com alguma falta de efeitos ou distorção. Um tema que foge um pouco a este padrão, talvez pelas suas características naturais, é "Ghost Neck".
Não é que este trabalho tenha sido sacrificado pela produção, pelo contrário; "Frost Hammer", "Blood Samurai" ou "How Dark We Pray" são faixas que, por si só, são válidas o suficiente e farão as delícias de quem assistir aos concertos da banda de S. Francisco, só que, no final, fica um ligeiro sabor a amargo e a questionarmo-nos se este não poderia ser o novo melhor álbum dos High On Fire. (13/20)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ab Reo Dicere (24-03-2010)

Void - Void (2010)



Trabalho de estreia para este colectivo italiano que se movimenta por entre o Drone, o Doom e o Sludge. São 3 longos temas, bem complexos, que nos transportam às tormentas internas de cada um, adicionando-lhes pequenos toques de calmaria para que deixe o ouvinte respirar um pouco melhor. Sim, é um trabalho intenso, claustrofóbico, por vezes até um pouco duro de digerir, mas as coisas interessantes também não têm essa vertente?
Apresentado em edições bem limitadas e com algum requinte, o que à primeira vista poderá fazer-nos já crescer água na boca. (12/20)



Shine, My Boregarden - Sunshine (2010)


Já não é a primeira vez que por aqui se escreve que a Rússia tem se tornado, nos últimos anos, num autêntico viveiro de bandas/projectos ligados a estas sonoridades mais extremas. E, pelo meio dessa oferta toda, claro está, a qualidade dificilmente se manterá num patamar elevado.
Estes Shine, My Boregarden vêm destoar dessa qualidade que tem vindo a terreiro. As linhas Funeral Doom, mescladas com Ambient e Gothic não resultam e a voz, ultra-gutural, também não soa muito bem conjugada com estes temas que sabem sempre ao mesmo, a comida aquecida servida fria. A produção, também, está num patamar bastante sofrível.
Ficamos à espera que o trabalho se desenvolva e hajam melhores resultados. (8/20)



Asteroid - Asteroid II (2010)


Após ouvir os primeiros sons deste registo, houve a necessidade de confirmar se não nos tínhamos enganado na banda e verificamos quem são os seus elementos, visto que os Asteroid apresentam inúmeras semelhanças com os conterrâneos Witchcraft, ou seja, praticam um Stoner totalmente retro, que bebe da fonte inesgotável que são os Black Sabbath, com uns pózinhos de Hard-Rock e psicadélia.
Poderíamos, desta forma, dizer que estamos perante um clone dos Witchcraft. Mas não. Os Asteroid têm bons temas (tal como os Witchcraft), boas melodias apesar do peso aqui ser bastante contido ou quase inexistente (tal como os Witchcraft) e ideias próprias que vão desenvolvendo ao longo dos 9 temas deste "Asteroid II" (et voilá!!); bom exemplo disso mesmo são "Disappear" e "Lady".
E, para dizer a verdade, neste momento estes Asteroid são bem mais interessantes do que vocês sabem quem. (13/20)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dawnrider - Two (2009)

Após a estreia nos registos em nome próprio, com "Alpha Chapter" e que lhes valeu uma boa recepção por parte da crítica, os Dawnrider regressaram no ano passado com o sempre «difícil» segundo álbum. É certo que já tinham sido apresentadas as linhas com que se iria coser este projecto, mas é com este "Two" que realmente a fórmula se encontra aprimorada e afinada, mostrando uma banda em boa forma a explorar Doom Metal de cariz mais tradicional (Pentagram, Pagan Altar, Trouble e Black Sabbath podem bem ser algumas das bandas de referência de entre um leque bem vasto), mas que se socorre de uns pózinhos de Stoner e psicadélia como que a condimentar o que aos olhos se nos mostra agradável (ou seja, uma capa e artwork enigmática e inquiridora do conteúdo musical que a acompanha).
E, logo ao fim dos primeiros segundos de "Scared Of Light", ficamos com a certeza que vamos ter groove, que vamos ter guitarras bem à frente, que vamos ter música de peso e tudo isso se vai confirmando ao longo dos 8 temas deste registo, com especial atenção para "Irinia", um tema soberbo, destacando-se de entre os demais pelos mais variados motivos: única música do álbum cantada em português, um riff inicial de guitarra muito bem sacado e que se torna a base estrutural desta composição, assumindo contornos de épico e a voz de F. Dias que se encaixa perfeitamente. Aqui, condensam-se na perfeição os vectores que guiam o Doom tradicional.
A vitalidade e versatilidade das composições continua bem patente, bastando ouvir "Redemption", com uma cadência mais mid-tempo, com mais uma excelente malha de guitarra, a puxar para um enérgico headbanging ou então "Maelstrom", o instrumental que encerra "Two".
Desta forma, e na esteira do que por aqui tem sido escrito relativamente a projectos nacionais, podemos indicar que estamos perante mais um relevante trabalho de Doom Metal, num ano que mostrou outros bons trabalhos, e que nos fazem reforçar a ideia que temos muitas e boas bandas que merecem a devida atenção e exposição nacional e internacional. E é claro que os Dawnrider, com este "Two", se encontram nesse grupo. (15/20)

terça-feira, 16 de março de 2010

Serenades - The Light Inside (2010)

Os Serenades regressaram às lides discográficas no ano passado com "Father", um álbum devedor das suas influências góticas, mas que passou um pouco ao lado da crítica e do que deles se esperava, após 9 anos de interregno.
Mas, quem ouviu o lançamento de 2009 certamente ficará um pouco surpreendido com esta novidade. Para que se tenha uma ideia, parece que se juntaram na mesma sala de ensaios os Katatonia, os Ulver e Trent Reznor na sua vertente mais melancólica e o resultado final está nestes 8 temas que roçam o Atmospheric Doom de ambiências góticas. Aqui, as guitarras ocupam um segundo plano, atingindo uma dimensão quase acessória, dando primazia a ritmos bem lentos, mecânicos, frios e às teclas, enquanto que a voz de Valerio Capsoni paira, triste e amargurada, sobre esta massa sonora característica de uma fria e cinzenta tarde de Outono.

"The Light Inside" é extremamente melancólico, envolto em cenários bem soturnos que nos embalam numa descida ao interior da dilaceração, da tristeza e da comiseração, resultando num misto de beleza e desconforto que nos impele para, mais uma vez, mergulharmos neste álbum apesar da clara consciência dos negros sentimentos por que seremos invadidos ao longo de temas como "Eponine" ou do tema-título.
Apesar de bastante diferente do que têm vindo a apresentar, onde mesmo o EP "Joy Of Decay", lançado já este ano, não augurava tamanha inflexão, pode-se dizer que os Serenades ganharam a aposta e resta-nos aguardar por mais momentos destes.
Nota final: este álbum e o EP "Joy Of Decay" encontram-se disponíveis para download no myspace da banda. (13/20)


domingo, 14 de março de 2010

Ab Reo Dicere - nova rúbrica

A Ab Reo Dicere é uma nova rúbrica que surge, a partir de agora, no Temple Of Doom Metal. Aqui, serão efectuados pequenos comentários sobre lançamentos que vão chegando ao mercado, ou seja, constará de pequenas reviews, com um carácter de teor mais informativo, digamos, de modo a poder dar uma maior resposta à larga quantidade de trabalhos que já é possível encontrar.
Terá uma periodicidade regular, semanal ou quinzenal, e incluirá sempre um conjunto de 3 ou mais notas sobre trabalhos que versarão sobre as temáticas abordadas pelo Temple Of Doom Metal.

Para a estreia, teremos e estreia dos Infinite Grievance, o EP dos turcos Depressive Mode e o novo álbum dos finlandeses Lyijykomppania, "Sota Nälkä Rutto Kuolema".


Infinite Grievance - Demo (2010)


Os Inifinite Grievance são um colectivo que nos chega de Alberta, no Canadá e este é o seu registo de estreia. Quatro temas que perfazem 56 minutos de música, sendo que Transfigure é uma cover dos Jesu.
Ao ouvir esta demo, nota-se ainda grande heterogeneidade nas composições, onde não se detecta uma linha condutora identitária e modeladora do som destes canadianos. São quatro temas muito diferentes entre si, que vão desde o Doom/Death, passando pelo Drone/Ambient até ao Post-rock.
Algumas ideias apresentam algum interesse, mas precisam de mais trabalho e maturação, de modo a evitar futuros dissabores. (8/20)



Depressive Mode - Despair Is Darkness (2010)


Da Turquia, chegam-nos as ambiências góticas dos Depressive Mode que coabitam com harmoniosamente com linhas Doom e Ambient. Este EP, composto por seis temas, essencialmente instrumentais, aposta forte no uso dos teclados, relegando o trabalho das guitarras para um plano secundário, dando às músicas um tom bastante melancólico e soturno.
Apesar de existir uma linha mestra claramente definida neste trabalho, faltam os temas capazes de nos agarrar e dar a volta à cabeça, que nos levaria a mergulhar neste desespero algo contido vezes sem fim. (10/20)



Lyijykomppania - Sota Nälkä Rutto Kuolema (2010)


Esta banda finlandesa teve um trajecto bastante atribulado, com diversas incarnações e muitas mudanças de line up, mas está às portas de celebrar 30 anos de existência.
Três anos após o EP "Mannyt Maailma", eis que é lançado o seu quinto longa-duração; e o que é que se pode dizer sobre ele? Estamos perante mais conjunto de malhas na esteira do Heavy/Doom Metal mais clássico que desde sempre nos habituaram, cantado na sua língua materna, aplicando as mesmas fórmulas de que se socorrem desde os primeiros registos e que nos faz torcer um bocado o nariz na hora de ter de carregar no repeat. De facto, a entrada de novos elementos na banda nada acrescentou à sonoridade praticada, temendo-se que os Lyijykomppania tenham chegado a um beco sem saída. (9/20)

sábado, 6 de março de 2010

Las Cruces - Dusk (2010)

Regresso às lides musicais do quarteto texano, com este "Dusk", após praticamente uma década de ausência (o último registo foi o EP "Lowest End", lançado em 2001).
Fustigado com frequentes mudanças de line-up ao longo do período da «primeira vida», este também não é excepção, contando unicamente com George Trevino como elemento constante desde a formação original.
Pois bem, este terceiro álbum é, musicalmente, uma continuação do que até aqui já podíamos conhecer da banda, ou seja, Doom Metal de linhas mais clássicas, com boas malhas e peso qb; no entanto, as linhas vocais de Trevino é que continuam a custar a encaixar às primeiras audições, devido ao timbre que adquire ao tentar atingir voos um pouco mais altos. Assim, bem vistas as coisas, poderíamos dizer que esta paragem em nada ajudou ou modificou o som dos Las Cruces! Talvez não seja bem assim. Os temas surgem carregados com uma boa dose de groove e as linhas mais próximas do Heavy Metal também surgem a espaços com mais veemência. Nota de registo vai, igualmente, para o trabalho de Jimmy Bell no baixo, com as suas malhas bem presentes e que reforçam o poder dos temas neste "Dusk".
Nove anos depois do registo que mostrava uma banda sem soluções, ensimesmada e sem grandes temas de referência, mostra um regresso com ideias frescas, com alguns inputs que fizeram os temas ganhar outra dimensão, parecendo augurar-se um futuro risonho para estes senhores, mas a prova disso mesmo terá de se reflectir nos próximos lançamentos. Por ora, continuaremos, um pouco, de pé atrás. (11/20)

terça-feira, 2 de março de 2010

Helevorn - Forthcoming Displeasures (2010)

Cinco anos após "Fragments", eis que os espanhóis Helevorn lançam o seu segundo longa-duração, desta feita através do selo BadMoonMan e a produção esteve a cargo de Jens Bogren e Johan Örborg (ligados ao último trabalho dos Paradise Lost, por exemplo).
Olhando e ouvindo este registo, as diferenças são bem notórias relativamente ao seu predecessor; começando pela capa, na qual o ar mais devedor ao gótico foi substituído .pelo jogo luz/sombra que vai sendo regularmente utilizado em trabalhos mais virados para os projectos downtempo; musicalmente, as diferenças estão mais vincadas. Em "Fragments", encontrávamo-nos perante um trabalho na linha do Gothic Metal com alguns inputs mais doomescos. A produção era mais sofrível, não deixando os temas respirar e mostrar o seu potencial. Por seu lado, "Forthcoming Displeasures" abraça com mais vontade as linhas do Doom e do Death Metal, com aproximações aos horizontes de uns Swallow The Sun, Novembers Doom - fase "The Knowing" -, Draconian e Katatonia pré-98, e as linhas de teor gótico encontram-se mais diluídas (talvez "Two Voices Sorrounding" seja o caso mais próximo do passado). A par disto tudo, existe um significativo crescimento na qualidade da composição dos temas, na sua execução e estruturação, o que poderá ser uma mais-valia para exposição alargada ao mercado do metal.
Apesar de estarmos, assim, perante um trabalho de Doom/Death, na sua essência, onde não existem grandes inovações ou tentativas de virtuosismo, mas onde é possível ouvir boas malhas de guitarra - bem puxadas à frente -, com uma secção rítmica segura e um assinalável registo vocal de Josep Brunet, fazendo lembrar Paul Kuhr, nas vertentes limpas e guturais.
Os 54 minutos de duração do álbum, no seu conjunto, garantem bons momentos para os aficionados, sem grandes momentos de cansaço ou repetição das estruturas utilizadas.
Quando a procissão ainda vai no adro e apesar de já estarem no mercado umas dezenas de lançamentos desta estirpe, poderemos afirmar que este regresso dos Helevorn é factor de destaque, que deve ser escutado com atenção, porque na nossa opinião estamos perante um bom registo dentro deste segmento. (16/20)