segunda-feira, 13 de junho de 2011

Before The Rain - Frail (2011)

A julgar pelas cores da capa, pela sua imagem e título do álbum, os mais incautos terão uma valente surpresa quando tomarem contacto com os sons deste "Frail". Para os mais acostumados a estas andanças pelo Metal, a capa deste segundo álbum demonstra uma clara fuga ao standardizado e buscar, legitimamente, algum destaque. No entanto, não será somente pela capa/artwork que esta banda portuguesa andará "na boca do povo"; a sua música, ou seja, o principal leitmotiv. Merecido, diga-se, desde já.
Desde que saiu "... One Day Less", em 2007, os Before The Rain evidenciaram-se como uma das propostas mais consistentes na corrente do Doom/Death Metal que se faz em solo nacional e trilharam o seu percurso, mais ou menos conturbado, mas sempre seguro dos objectivos que a banda tinha a caminho desta nova etapa.
Olhando para este novo registo, podemos dizer que soa um pouco estranho, na medida em que não parece o sucessor de "... One Day Less", dando a clara ideia que falta um álbum ali pelo meio que nos prepare para esta nova proposta. As diferenças são bem notórias, o crescimento da banda foi muito significativo, a abordagem aos temas ganhou novos contornos e os Before The Rain de hoje já não se parecem com os de há 4 anos; estão bastante mais maduros, coesos, e o resultado disso mesmo são mais meia-dúzia de portentos que nos têm deixado a cabeça à roda, onde a fúria se imiscui de uma forma tão natural com passagens tão simples e doces, onde as palavras entoadas, cantadas e rugidas convivem graciosamente à medida que os minutos passam e tudo encaixa naturalmente. Quem já teve a oportunidade de apreciar estes novos temas ao vivo, não negará a força, poder e envolvência que os mesmos ganham.  Aqui, parece que se fundem os Katatonia, os My Dying Bride e os Anathema (na sua versão mais próxima do rock atmosférico) e não raras vezes estas bandas assomam ao nosso pensamento, na medida em que podiam muito estar a tocar qualquer um destes temas. Mas, estranhamente, as influências aqui soam muito bem.
Estão diferentes estes Before The Rain, musicalmente e no seu line up. Uma remodelação profunda na banda, com novos elementos, de entre os quais se destaca Gary Griffith (dos norte-americanos Morgion), e algumas novas abordagens musicais fazem desta banda e deste "Frail" um caso sério. Frágil, débil, delicado? Sim, tudo isso mas, acima de tudo, poderoso. (17.4/20)

English:
Judging for the colors of the cover, the image included and the title of the album, the most rash will have a brave surprise when they take contact with the sounds of this "Frail". For the ones most accustomed to these surprises in the Metal scene, the cover of this second album demonstrates a clear escape to a standard view that we have of Metal cover albums and to look, legitimately, for some distinction. However, it will not be only for the cover/artwork that this Portuguese band will be " in the mouth of the people "; its music, in other words, the principal leitmotiv. Deserved, of this you can be sure..
Since it went out "... One Day Less ", in 2007, Before The Rain showed up like one of the most solid proposals in the current line of Doom/Death Metal that is done in portuguese ground and trod his distance, more or less troubled, but always secure of the objectives that the band had the way of this new stage.
Looking to this new record, we can say that it sounds a little bit strange, as he does not seem the successor of "... One Day Less ", giving the clear idea that is lacking an album round about the way that prepares us for this new proposal. The differences are quite well-known, the growth of the band was very significant, the approach to the songs gained new outlines and the Before The Rain of today is already not similar with the ones 4 years ago; they are more ripe enough, cohesive, and the result is more stocking-dozen of wonders that have been leaving us the head to the wheel, where the fury interferes in such a natural form with so simple and sweet passages, where the chanted, sung and roared words coexist graciously while the minutes go by and everything fits naturally. The ones who already had the opportunity to appreciate these new songs live, will not deny the strength, power and involvement they gain in live acts. Here, seem that the Katatonia, My Dying Bride and Anathema (in his nearest version of the atmospheric rock) merge and not seldom these bands climb to the top of our thought, in so far as they could be touching very much any one of these compositions. But, strangely, the influences here sound very well.
This Before The Rain are different, musically and in its lineup. A deep remodelling in the band, with new elements, of which Gary Griffith is outstanding (of the North Americans Morgion), and some new musical approaches do from this band and from this "Frail" a serious case. Fragile, weak, delicate? Yes, completely that but, above all, mighty. (17.4/20)

domingo, 5 de junho de 2011

Ava Inferi - Onyx (2011)

Quase dois anos após o lançamento de "Blood Of Bacchus", os portugueses Ava Inferi regressam ás lides discográficas com mais um punhado de temas na senda do Gothic/Doom Metal, sempre bem melancólico, embalados pela voz de Carmen Simões e pelas seis cordas de Rune Eriksen. Quem já tomou contacto com anteriores trabalhos da banda não ficará totalmente surpreendido com o que irá ouvir. No entanto, este quarto longa-duração evidencia um estado de maturação considerável, em que este "Onyx" demonstra a banda a chegar a um estado adulto, com ideias bem delineadas, trabalhadas e qualitativamente significativas. Se olharmos para trás, desde o primeiro registo, em 2006, "Burdens", veremos uma notória mas segura evolução musical, à medida que o som dos Ava Inferi foi sendo forjado, sempre assente no trabalho de guitarra de Eriksen e na voz de Carmen, os pilares deste projecto.
Numa primeira audição, nota-se que não existem por aqui temas "orelhudos" como "Last Sign Of Summer", "Be Damned" ou "Viola", mas à medida que vamos interiorizando estas composições registamos uma grande coesão entre todos os oito temas que compõem esta nova proposta, resultando num todo homogéneo, mas sem perder pitada da identidade da banda. De facto, este talvez seja o álbum que de melhor forma cristaliza o som da banda.
Um outro aspecto que ressalta neste "Onyx" é a inexistência de temas em português, notória, dada a qualidade das músicas gravadas em trabalhos anteriores e que em muito espelham a melancolia sonora da banda; não podemos negar que esperaríamos um ou dois temas na língua de Pessoa, mas pérolas como "((Ghostlights))" ou "The Heathen Island" fazem-nos simplesmente ouvir repetidamente este álbum e degustar cada momento, descobrindo novos pormenores numa das obras de referência lançadas em território nacional. (15.8/20)

English:
Almost two years after the release of "Blood Of Bacchus", the Portugueses Ava Inferi always return with one more handful of songs in the path of the Gothic/Doom Metal, quite melancholic, dandled by the voice of Carmen Simões and the six strings of Rune Eriksen. Those who already took contact with previous works of the band will not be totally surprised with what they will be going to hear. However, this fourth record shows a state of considerable maturing up, in which "Onyx" demonstrates the band reaching to an adult state, with quite outlined, worked and qualitatively significant ideas. If we look backwards, from the first register, in 2006, "Burdens", we will see the well-known one but safe musical evolution, while the sound of Ava Inferi was forged, always suit the work of guitar of Eriksen and Carmen's voice, the pillars of this project.
In a first audition, we can perceive that there are not much songs that we could choose them as singles, instantly, like "Last Sign Of Summer", "Be Damned" or "Viola", but while we are internalizing these compositions one can register a great cohesion between all the eight songs that compose this new proposal, very homogeneous, but without losing pinch of the identity of the band. In fact, this perhaps is the album that in the better form crystallizes the sound of the band.
Another aspect that must be emphasized on this " Onyx " is the non-existence of songs in Portuguese, one that can be well noticed, because they showed a high level of qualitywhen the quality in previous albums and, perhaps, are the perfect mirror to the resonant sadness of the band; we cannot deny that we were waiting for one or two compositions in the language of Fernando Pessoa, but pearls I eat "((Ghostlights))" or "The Heathen Island" makes us hear simply, repeatedly, this album and taste each moment, discovering new details in one of the reference albums launched in portuguese territory. (15.8/20)

sábado, 28 de maio de 2011

MurkRat - Drudging The Mire (2011)

"Listen to me!" são as primeiras palavras que ecoam em "I, Rodent", após a intro desconcertante e iniciática que é "Processional: Drudging The Mire". E, de facto, a partir deste momento impossível não estarmos atentos à voz de Mandy VKS Cattleprod (criadora do artwork para bandas como os Mournful Congregation, Stone Wings ou Lycanthia), que baloiça entre o doce canto fúnebre e o grito demoníaco, inserido num conjunto de temas extremamente bem sacados, homogéneos, enquadráveis num funeral doom que ao mesmo tempo nos soa bem negro e angélico ao qual se adicionam ocasionais espasmos avantgarde, tudo bem assente nas omnipresentes teclas que constituem a base deste trabalho. As guitarras ocupam um lugar secundário, quase de mero apoio nas principais linhas que constituem os oito temas deste segundo longa-duração do projecto desta australiana. Tudo isto é suportado no trabalho de Neil Dyer, no seu drumkit, que reforça a toada de miserabilidade que se ouve ao longo destes 72 minutos.
A primeira metade do álbum reserva os melhores temas, evidenciando a evolução que o projecto sofreu desde a estreia homónima, em 2008, explorando um pouco melhor as atmosferas que este género de música pode proporcionar - caso de "World", um tema nitidamente ambient -, ou então o já referido "I, Rodent" ou "Faceless", que pela sua hipnótica e doentia força nos vão ficando a martelar na cabeça. Os últimos três temas, não contando com "Berceuse - Slow Immersion" que mais não é do que um epílogo desta tormenta, apresentam-se bastante longos, em média rondando os doze minutos, e constituem o seguimento dos temas citados, onde a qualidade não baixa de forma assinalável, existe coesão e sem fillers, acabando por "Drudging The Mire" ser um todo sem partes indissociáveis e define com maior nitidez, confirma e cristaliza o som MurkRat, projecto este saído da tortuosa mente de Mandy, que assume a voz, guitarras, baixo e teclas neste trabalho acima da média, e que nos chega pela mão da britânica Aesthetic Death.
Num ano em que ainda são muito poucos os trabalhos que nos deixaram ficar realmente colados à cadeira, onde tem imperado a mediania, estamos em crer que da Austrália chegou uma das melhores propostas neste segmento musical e, esperamos, seja o mote para uma segunda metade de 2011 de maior qualidade. Listen to her! (17.2/20)

English:
"Listen to me!" are the first words that echo in "I, Rodent", after the disconcerting and annoying intro that is "Processional: Drudging The Mire". And, in fact, from this moment it is not possible not to be attentive to Mandy VKS Cattleprod’s voice (who created the artwork for bands like Mournful Congregation, Stone Wings or Lycanthia), that bounces between the sweet funeral chant and the devilish scream, inserted in a set of extremely quite withdrawn songs, homogeneous, fitting in a funeral doom sound that at the same time strikes us quite black and angelically to which occasional spasms are added of avant-garde music, completely well suit the omnipresent keys that constitute the basis of this work. The guitars occupy a secondary place, almost of mere support in the principal lines of the eight black gifts that constitute this long-duration from the project of this Australian. All of this is supported in the work of Neil Dyer, in his drumkit, which reinforces the melody of misery that is heard along these 72 minutes.
The first half of the album reserves the best songs, showing up the evolution the project suffered from the homonymic first record, in 2008, exploring much better the atmospheres that this type of music can provide - case of "World", clearly ambient-, or then the already above-mentioned one "I, Rodent" or "Faceless", with its hypnotic and unhealthy necessity in going on and on around our head. The last three moments, not counting "Berceuse - Slow Immersion", an epilogue of this quite long storm, on average patrolling twelve minutes, and they constitute the continuation of the quoted songs, where the quality does not go down, there is cohesion without fillers, making this " Drudging The Mire " an all without parts left behind and defines with bigger clarity, it confirms and crystallizes the MurkRat sound, this project gone out from Mandy's winding mind, which assumes the voice, guitars, bass and keys in this work above the average, and that in the reprimand for the hand of the Briton Aesthetic Death.
In a year which there are still very little records that let us be really glued to the chair, where the median quality has been ruling, we are in believing what of the Australia brought near one of the best proposals in this musical segment and, wait, be the motto for a second half of 2011 of bigger quality. Listen you it her! (17.2/20)


domingo, 22 de maio de 2011

Gallow God - False Mystical Prose EP (2010)

Por vezes, somos "sacudidos" quando menos esperamos. Não são poucas as vezes em que as nossas expectativas relativamente a um ou outro trabalho saem defraudadas, mas há casos em que acabamos por ser surpreendidos quando menos esperamos. Afinal, a música até acaba por ser um pouco isso mesmo, ou então seria demasiado previsível e enfadonha.
Com base neste intróito, já todos devem ter percebido que estes ingleses (pois, acreditamos que é algo que lhes deve correr no sangue!) constituem mais uma boa proposta nas toadas mais tradicionais do doom metal. De facto, esta estreia não poderia ser mais auspiciosa; quatro temas que respiram o legado de Tony Iommi por todos os poros e vão buscar mais algumas influências aos Reverend Bizarre, Spiritus Mortis ou até mesmo a uns Cathedral, ali por alturas do "Ethereal Mirror". São quatro temas negros, poderosos, monolíticos, que pela sua coesão e elevada qualidade de composição, nos parecem mostrar um colectivo muito bem entrosado e com ideias muito bem definidas quanto ao caminho que querem seguir com este projecto e o som que querem para os seus temas: cheio, grave, pesado, sem perder a sua definição ou qualidade.
O registo inicia-se num registo que não nos deixa indiferentes; "The Sin and Doom of Godless Men" principia com um riff muito bem sacado, que nos guia até Dan Tibbals, num timbre que nos relembra Albert Witchfinder, mas com um ligeiro travo a stoner, mais árido e duro.
"The Emissary" continua numa toada bem dolorosa, mas aqui é possível ouvir alguns solos, bem conseguidos e que encaixam na sonoridade da banda, não pretendendo um notório realce, mas antes deixam-se diluir na torrente sonora. Quanto a "Summon the Rune Wizard", acaba por ser um pouco mais na linha de "The Sin...", reforçando a ideia que os Gallow God sabem escrever boas canções e que o fazem como se já andassem por estas andanças há vários anos.
Para terminar, uma dúzia de minutos que resumem tudo o que anteriormente se ouviu; "Ship of Nails" - com a devida intro marítima -, será, porventura, o melhor deste EP. É o resumo e a indicação de algo mais; a busca de novos espaços e as vocalizações típicas do death metal fazem aqui a sua aparição, dando uma maior amplitude a um tema colossal.
As estreias, por vezes, têm o condão de nos surpreender e no caso deste "False Mystical Prose" não poderíamos ficar melhor impressionados. Resta-nos aguardar pelas novas discorrências sonoras, para breve, assim o desejamos. (14.8/20)

English:

Sometimes we are "shaken" when we least expect. There are few times when our expectations for either work out disappointed, but there are cases where we shall be surprised when you least expect it. After all, the music turns out to be a bit of that, or else it would be too predictable and boring.
On basis of this introduction, you all must have realized that these Englishmen (yes, we believe that it is something that must run on their blood!) appoint to be one more good proposal in the most traditional melodies of doom metal. In fact, this first release might not be more auspicious; four songs that breathe the legacy of Tony Iommi through all the pores and go more for some influences like Reverend Bizarre, Spiritus Mortis or even Cathedral, round about heights of the "Ethereal Mirror" album. It is four black, mighty, monolithic themes, which for their cohesion and elevated quality of composition, seems to us to show a very well integrated collective one and with ideas very well defined as for the way that want to follow with this project and the sound they want for their work: full, powerful, heavy, without losing his definition or quality.
This EP begins in a register that does not leave us indifferent; "The Sin and Doom of Godless Men" begins with a very well withdrawn riff, that guides up to Dan Tibbals, in an insignia that recalls us Albert Witchfinder, but with a light bitterness to stoner, more arid and hard.
"The Emissary" continues in a quite painful melody, but here it is possible to hear some solos, quite nice ones that fit in the sonority of the band, not claiming a well-known emphasis, but before they are let dilute in the resonant torrent. As for "Summon the Rune Wizard", it is again a little more in the line of "The Sin ...", reinforcing the idea that Gallow God can write good songs and they do it in a way like they were already walking for these wanderings for several years.
To end, a dozen of minutes that summarize everything that previously was heard; "Ship of Nails" - with the owed sound of the sea intro-, will be, by chance, the best of this EP. It is the summary and the indication of something more; the search of new spaces and the typical vocalizations of the death metal do here their apparition, giving a bigger amplitude to a colossal release.
The first nights, for times, have the privilege to surprise us and in case of this "False Mystical Prose" we might not be better impressed. We still have to wait for new tunes, soon, so we want it. (14.8/20)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Megaphone - Entrevista aos LÖBO

O Megaphone passa de mão, dando continuidade à rubrica iniciada no mês passado com os Insaniae. Desta feita, a voz é a dos LÖBO, projecto da zona de Setúbal, que tem vindo a dar cartas por esse país fora com o seu som, no mínimo peculiar, capaz de agradar a uma variada paleta de apreciadores de música, embora as bases musicais do quarteto andem pelas toadas mais arrastadas. Foi um pouco sobre estes e outros assuntos que estivemos à conversa com Ricardo Remédio e Pedro Barceló.



No panorama nacional, os LÖBO apresentam um som bastante peculiar, um bocado fora dos trâmites normais dentro do espectro Doom ou das correntes mais arrastadas. O que gostaria de vos perguntar é o seguinte: como é que definem o vosso som?
Ricardo Remédio: A questão é… eu até acho que muitas vezes o termo que é utilizado nesta onda, a que chamam o “Pós-Doom”, acho que connosco até nem faz assim tanto sentido, simplesmente vejo este rótulo de outra maneira; é pegar no que é arrastado, no que é lento e no que é pesado e tentar encher com o máximo de coisas possível. No nosso caso, muita música ambiental, alguma electrónica e tentar fazer algo coeso; algo que a gente goste quando chega no final do dia. Acho que a designação “Pós-Doom” pode ser um termo que até nos fica bem, mas, simplesmente, em comparação com outras bandas do género, vamos buscar influências diferentes. Mas o princípio é o de pegar no Doom, ou no lento e puxá-lo para outros lados, seja com que influências forem. Acho que parte por aí, estamos confortáveis com os rótulos que nos dão, apesar que a nossa música vai para além disso.

As questões dos rótulos são sempre complicadas, por vezes as bandas também não gostam muito de serem rotuladas ou catalogadas. No entanto, uma coisa que se nota é que muitas das actuais sonoridades estão relacionadas com esse mesmo fenómeno do “Pós-“, o que não acabará por ser um guarda-chuva demasiado abrangente para tantos projectos que vão aparecendo a público?
Pedro Barceló: Acho que não. Eu e o Ricardo temos um passado dentro do Hardcore, viemos dessa cultura, tocamos em algumas bandas no final dos anos 90 e inícios da década de 00, e depois começamos a ter algumas influências de bandas fora desse estilo, bandas estrangeiras mas que tiveram o mesmo percurso, onde marcaram presença na cena Punk, Hardcore e mesmo Thrash e, neste momento, estão um pouco mais… acho que evoluíram para outro patamar; por exemplo, os Cult Of Luna ou os Isis, são bandas que têm um grande background alicerçado no Hardcore e, simplesmente, evoluíram a nível musical. O Hardcore é uma cultura jovem, e continua a ser uma cultura com muita força, mas a nível musical precisava de algo mais. Foi um pouco isso o que acabou por acontecer com os LÖBO, uma evolução que se nota mais agora. Por isso é que tocando num panorama com três bandas mais fortes, mais Doom, mais Metal [NR no contexto do Major Label Industries Fest], nos destacamos um pouco por causa disso, acho que é pela essência, um background um pouco diferente.

O som dos LÖBO foi algo pensado ou surgiu de forma natural? O facto de não incluírem vocalizações nos vossos temas também foi tido em linha de conta para a construção da vossa sonoridade
R. R.: A inclusão ou não de vozes nunca foi, propriamente, muito pensada. A génese da banda, que tem as suas raízes num projecto entre mim e o primeiro guitarrista, chamada Morte Por Acordes, que estava na linha do ambiental e foi evoluindo a partir daí. Aliás, começamos ainda sem baixista, era somente teclas, guitarra e bateria, naquela de ver o que é que saía; com o tempo, as músicas começaram a surgir, nenhum de nós era vocalista por natureza e seria difícil arranjarmos mais dois elementos para baixo e voz, para que pudéssemos fazer música. Achamos que deveríamos pegar no que tínhamos e continuar a desenvolver o nosso trabalho e a verdade é que, às vezes, essas limitações permitem-nos seguir caminhos diferentes, no sentido em que a música nunca foi pensada para ter voz, por isso segue ritmos e melodias completamente diferentes. Com isto, não queremos dizer que os LÖBO nunca irão ter voz, mas não é algo que nós consideremos quando pegamos numa guitarra, num baixo ou num teclado para fazer música.
P. B.: Nada está fora de questão. Neste momento, contamos com três guitarristas, o Ricardo também toca baixo, estamos com dois bateristas; somos muito versáteis a nível instrumental. Estamos dispostos a fazer de tudo, seja com voz, mais baixo, mais teclas, mais guitarras…
R. R.: Nós queremos colocar as próximas músicas, e se tudo correr bem para o nosso primeiro álbum, dentro de um género musical e com um ambiente definido; agora com que instrumentos o iremos fazer ainda não está definido. Vamos tentar não ter um lugar fixo em que, por exemplo, o baixista só toca baixo nas músicas todas, vamos tentar variar um pouco.

Isso faz lembrar, um pouco, os primeiros de actividade dos Queens Of The Stone Age, onde existia um núcleo duro criativo e era a imagem da banda, mas que se rodeava de uma série de colaborações que iam dando as suas ideias e inputs ao som do projecto. No vosso caso, com diferentes elementos a contribuírem para as partes de baixo, guitarra, bateria, etc.
R. R.: Sim, não fechamos a porta a esse tipo de colaborações externas. Aliás, gostaríamos de poder voltar a trabalhar com o nosso antigo baterista, que teve de sair por razões pessoais e indisponibilidade de tempo; termos duas baterias, alguns convidados. Vamos trabalhando assim dentro da banda e se houverem pessoas dispostas a dar o seu contributo, a porta está aberta.
P. B.: Já tivemos um convidado, o guitarrista e vocalista dos Men Eater, o Miguel, ele antigamente tocava o “Dânaca” nos concertos que fizemos juntos. A nossa primeira tour foi feita com eles e houve essa participação em todos os concertos nesse tema. Para além de convidado, é um amigo nosso e as coisas funcionaram mesmo muito bem, portanto, nada está fora de questão.


Da passagem da demo “Dânaca” para o EP “Alma”, que mudanças é que sentiram na composição dos temas?
R. R.: Basicamente, a diferença foi na maneira como nos colocamos para compor as músicas. O “Dânaca” foi composto na sala de ensaio e tem um sentimento maior de banda ao vivo, enquanto o EP foi acabou por ser uma experiência; começou comigo e com o Luís [NR Luís Pestana, primeiro guitarrista da banda], em que íamos efectuando algumas experiências em casa, brincando com sons até que começamos a perceber que poderia sair dali algo que encaixaria no som dos LÖBO. Impusemos algumas restrições, não no sentido negativo, mas com a finalidade de nos obrigar a procurar outras soluções e buscar coisas diferentes e, pronto, o resultado final foi algo mais frio, mais negro, mais mecânico, se calhar. A maneira como compusemos aquelas músicas acabou por ditar a forma como iriam soar e quando nos apercebemos disso, durante esse processo, dissemos ‘Vamos gravar as músicas como elas estão e ao vivo a história vai ser outra!’. Desta forma, acabamos por surpreender o público que pensa que vamos reproduzir os temas tal como foram gravados, o que acaba por permitir que tenham duas experiências diferentes: quem quiser ouvir o “Alma” mais lento, mais melancólico, mais negro ouve o EP e quem quiser sentir o lado mais visceral da banda vem ver os nossos concertos. Acho que, assim, conseguimos dar duas vidas às músicas.

Sendo o EP “Alma” um trabalho mais cerebral, nota-se uma maior abrangência sonora, talvez fruto desse mesmo conjunto de experiências que foram fazendo ao longo da composição… Não puxaram tanto as guitarras à frente, dando maior primazia à criação de atmosferas mais negras e melancólicas.
R. R.: A partir do momento que aceitamos e concordamos fazer o EP desta forma, ficou aberta uma hipótese de fazermos uma série de coisas diferentes, tanto a nível de instrumentos utilizados como ao nível da mistura. Sabíamos que iria ter um som em estúdio e que ao vivo seria diferente. Acabou por ser libertador aceitar fazer as coisas dessa maneira, porque permitiu-nos experimentar coisas, colocar influências diferentes e acabou por ajudar-nos pelo facto de mostrarmos o lado cru, visceral e pesado dos temas, mas há um registo, intencional, onde as melodias e ambientes se encontram preservadas e aparecem na mesma.

Como é que tem sido a reacção ao vosso som e aos vossos trabalhos de estúdio?
P. B.: Pelo que tenho ouvido, tem sido bastante boa. No ano passado, fizemos uma série de concertos entre Janeiro e Junho – parece muito mas praticamente foi uma tour pelo país em que tocávamos somente aos fins-de-semana – e penso que em todos os concertos tivemos um feedback mesmo muito bom, de várias pessoas com gostos bastante diferentes, do Pós-Rock ao Doom. As vendas de merchandise têm sido excelentes, temos chegado a pessoas dos EUA, de Espanha, de França e, no geral, achamos que tem sido muito positivo. Fomos tocar a Faro, somente os LÖBO em cartaz, e conseguimos colocar cerca de uma centena de pessoas na sala, bastante pequena e correu tudo mesmo muito bem, as pessoas adoraram. Tem sido, mesmo, muito positivo.

A banda tem disponibilizado ao público o seu trabalho de diferentes formas, desde métodos físicos mais convencionais e passando por outros com recurso à internet, com a possibilidade de efectuar o download dos temas, a demo “Dânaca” e o tema “Noite”. Como é que vêem essas duas formas de lançamento dos vossos registos?
R. R.: A nossa opinião é a que temos de aceitar a internet e usá-la a nosso favor, em nosso benefício. Resistir ao formato físico, hoje, não faz sentido, não podemos levar a mal as pessoas terem a nossa música, a descarregá-la, aliás, incentivamos que isso aconteça porque a disponibilizamos de forma gratuita; no fundo, achamos que o formato CD perdeu importância. Se não incluir algo diferente, informação adicional, seja o artwork ou outra coisa qualquer, mas o CD pelo CD já não tem tanto valor, mais vale disponibilizar gratuitamente. O “Alma” teve antes da saída em formato físico, uma versão digital pronta a ser descarregada. Isso só nos abriu portas, permitiu que imensas pessoas pudessem chegar ao nosso som, apesar das pessoas poderem pensar que dessa forma já não iriam vender o EP, mas no final quem gosta mesmo acaba por comprar. Por isso, a nossa abordagem é de abertura completa.

A banda sofreu algumas mudanças de line up recentemente. Que ideias e influências trouxeram os novos elementos e que mudanças poderão ter ocorrido no som dos LÖBO com estas novas entradas?
R. R.: É um pouco cedo para falarmos sobre isso, porque ainda não iniciamos o processo de composição conjuntamente. Estamos a reinterpretar as nossas músicas com este line up. Relativamente a influências, pelo que consigo depreender, penso que o som futuro talvez seja mais sujo, mais pesado, vamos tentar buscar coisas novas… Há o desejo de fazer algo diferente do EP, abrir mais os horizontes, alicerçados nos sons pesados e arrastados; agora, vamos ver como as coisas evoluem.

Como está o processo de composição e gravação do vosso primeiro álbum?
R. R.: Ainda está na fase inicial, porque com as mudanças de line up, a banda parou cerca de meio ano e não fazia muito sentido estar a compor muitas coisas e depois parar tudo e enquadrar nessas mesmas composições os novos elementos, bem como ensinar-lhes os temas antigos. Achamos por bem parar e realizar uma coisa de cada vez, com uma boa integração dos novos elementos.

Para terminar: planos para o futuro próximo dos LÖBO?
P. B.: Para além de ensaiar muito, tentar criar coisas novas para o nosso álbum. Talvez haja um lançamento ainda antes, mas vamos esperar para ver as novidades. Vamos tentar dar mais alguns concertos até ao Verão e, depois, até ao final do ano, talvez já com alguns temas novos.
R. R.: E, se tudo correr bem, gravar o álbum ainda em 2011, acho que seria ouro sobre azul. 

(Gostaríamos de agradecer à Joana Cardoso a facultação das fotos e ao Side B todas as facilidades concedidas para a entrevista).

Temple Of Doom Metal

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ab Reo Dicere (22.04.2011) - Clorange/Lengua Mortuoria/Dormant Inferno

Clorange - Clorange (EP) 2010

Trabalho de estreia desta banda que nos chega de Nashville, composto por quatro temas baseados no doom e no stoner metal, com vocalização feminina, aliás como já vem sendo hábito em colectivos que unem estes dois estilos musicais.
Sendo um debut, é normal que as influências estejam um pouco mais presentes e por aqui ressaltam logo os Electric Wizard, os Sleep e os Jex Thoth, para além do legado sabbathiano sempre audível nestas sonoridades.
Este EP inicia com um pequeno instrumental, "Haze", que indica as coordenadas para a meia hora seguinte: doom/stoner que já foi revisitado inúmeras vezes, com algumas linhas interessantes e algum experimentalismo à mistura, principalmente em "Lunar Schock Delirium", melhor tema deste registo. No entanto, nota-se que ainda há muito caminho para desbravar, no sentido de conseguirem algo mais consistente; assim o esperamos. (10.5/20)

English:
Working debut of this band that comes from Nashville, with four songs based on doom and stoner metal, with female vocalization, as has already been a habit in collectives that unite these two musical styles.
As a debut, it is normal that the influences are a little more present here and just point out the Electric Wizard, Sleep and Jex Thoth, in addition to the sabbathian legacy always audible in these kind of sounds.
This EP starts with a short instrumental, "Haze," which indicates the coordinates for the next half hour: doom/stoner that has been revisited numerous times, with some interesting lines and some experimentation to the mix, especially in "Lunar Schock Delirium", best song of this record. However, there is still a long way to clear in order to get something more consistent; hopefully. (10.5/20)


Lengua Mortuoria - Viaje Negro (EP) 2010

Não foram precisos muito segundos para perceber que a audição deste EP dos argentinos Lengua Mortuoria iria ser, de facto, uma viagem bem negra. O que temos aqui são três temas de drone/ambient que poderiam servir de banda sonora para um qualquer filme de terror de série B. Temos por aqui linhas de baixo cheias de distorção que comungam com grandes sequências atmosféricas a pender para o fantasmagórico, ou abordagens quase minimalistas, claustrofóbicas, onde algumas vozes deambulam num plano longínquo e são abafadas por elementos noise, acrescentando uma maior carga dramática a este trabalho.
A viagem termina com "Millones de Pequenos Horrores", um longo tema de 15 minutos que perscruta o mais profundo da nossa mente; tortuoso e tenebroso. 
"Viaje Negro" não é fácil de ouvir e digerir, mas aí poderá estar a mais-valia deste trabalho: a necessidade de contínuas audições, para que cresça e cause corrosão e mal-estar nos seus ouvintes. (11.0/20)

English:
We didn’t need many seconds to realize that hearing this EP of Argentines Lengua Mortuoria would be indeed a very dark journey. What we have here are three themes of drone/ambient that could serve as a soundtrack for any horror film in a B series. We hear bass lines filled with distortion that they share with great atmospheric sequences to tilt to the ghostly, or almost minimalist approaches, claustrophobic ones, where some wandering in a plane distant voices are stifled by noise elements, adding a greater amount of drama to this work .
The trip ends with "Millones de Pequenos Horrores," a 15-minute long song, that investigates the depth of our mind; devious and sinister.
"Viaje Negro" is not easy to hear and digest, but there may be the added value of this work: the need for continued hearings, to grow and cause corrosion and malaise in their listeners. (11.0/20)


Dormant Inferno - In Sanity (demo) 2011

Quem tomar contacto com este trabalho de estreia dos indianos Dormant Inferno, ficará, logo no início de "Failed Experiments", com a sensação que uma tempestade se afigura no horizonte e que arrebenta nas nossas colunas poucos segundos depois, levando-nos na forte corrente onde o doom/death reinam, a melancolia é omnipresente e os anos 90 estão, também, ali à espreita.
Estes três temas são feitos destes elementos, mas não só. Profundos growls que, a espaços, alternam com vocalizações mais rasgadas - como em "Ashes", por exemplo -, riffs pesadões, secção rítmica segura e dinamismo nos temas, não sendo raro que a meio dos temas as coisas se aproximem um pouco do mid-tempo, mostram um trabalho elaborado e com qualidade.
O trabalho vale pelo seu todo, não havendo nenhum tema que se destaque ou que contenha uma malha que continue a martelar-nos na cabeça após o fim da demo. Apesar disso, existe homogeneidade no seu conjunto, não soam desgarrados, o que lhes permite sonhar com voos mais altos, num género que tem estado um pouco dormente ultimamente. (11.7/20)

English:
Who have contact with this debut work of Indian Dormant Hell, will be right at the beginning of "Failed Experiments," with the feeling that a storm appears on the horizon and that is striking in our columns a few seconds later, taking us into the strong current where the doom / death reign, melancholy is pervasive and the 90 are also lurking there.
These three themes are made of these elements, but not only. Deep growls that, in space, alternating with more vocalizations torn - as in "Ashes," for example - lumbering riffs, rhythm section and drive safely on issues, it is not uncommon for half of the subjects to approach things a little mid -time, show an elaborate and quality.
The work draws on the whole, there was no single theme that stands out or contains a loop that continues to pound us in the head after the end of the demo. Nevertheless, there is homogeneity in the whole do not stray sound, allowing them to dream of flying higher in a genre that has been somewhat dormant lately. (11.7/20)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Alunah - Call Of Avernus (2010)

Os Alunah chegam-nos de Inglaterra, mais precisamente do eixo Birmingham-Coventry e lançaram o seu primeiro longa-duração através da Catacomb Records. Composto por nove temas, todas elas alicerçadas numa base stoner/doom metal, mas que incorpora no seu som, com alguma frequência, elementos ligados ao psicadelismo e injecta-lhes uma boa dose de groove.
Até aqui o percurso da banda de Sophie Willet, Dave, Gaz e Jake foi sem grandes sobressaltos, com uma exposição crescente através de lançamentos - uma demo, um EP e um split com os Queen Elephantine -, que lhes foram granjeando uma maior visibilidade, dando a conhecer as suas composições a um maior número de pessoas e suscitando o devido interesse.
"Call Of Avernus", o chamamento para o sub-mundo, para o Hades, mostra-nos não uma banda em queda para estas profundezas, mas algo já bem enraizado, coeso, com ideias definidas quanto ao som que quer atingir - afinal, as demos para que servem, para além de cartão de visita?. Começando com dois temas que se aproximam do mid-tempo, dando a impressão que os Alunah deixaram para trás as toadas bem lentas do EP "Fall To Earth", o álbum entra numa toada mais "familiar" a partir do tema "Song Of The Sun" - single óbvio, caso houvesse! -, onde se nota a exploração de novos caminhos musicais, deixando a voz de Sophie fluir, com mais ou menos efeitos, mas que marcam estes temas com o seu particular timbre, que de outra forma tornaria tudo um pouco mais banal - o que não quer dizer fraco ou mal executado, entenda-se! Há aqui espaço para quase tudo: momentos mais a rasgar, outros mais comedidos, algum experimentalismo que se cruza com riffs monolíticos que desembocam em solos bem encaixados - onde o wah-wah acaba por ficar tão bem... enfim, tão variado quanto possível, a léguas de ser monótono ou maçador.
Com "Call Of Avernus", o leque de escolhas alargou-se, dando mais espaço para a banda evoluir e dar maior dimensão aos seus temas. Quem acompanha o projecto desde "Crystal Voyage", reconhecerá o processo de amadurecimento deste quarteto e que estes 50 minutos mostram-nos um trabalho meritório, embora sem grandes novidades no espectro stoner/doom, que vale pelo seu todo e que cresce a cada audição. Não é um trabalho entretido, mas garante o seu tempo. (13.2/20)

English:
The Alunah reach us from England, specifically the Birmingham-Coventry axis and released their first full-length through Catacomb Records. Comprising nine tracks, all anchored on a stoner/doom metal, but incorporates into their sound, with some frequency, elements associated with psychedelia and injects them with a good dose of groove.
So far, the band`s route of Sophie Willet, Dave, Gaz and Jake has been no major surprises, with an increasing exposure through releases – a demo, an EP and a split with Queen Elephantine -, they have been garnering increased visibility making known their compositions to a greater number of people and arousing the interest due.
"Call Of Avernus", calling to the underworld, to Hades, shows us not a band to fall for these depths, but something already well established and cohesive, with definite ideas about the sound they want to achieve - after all, what are the demos, in addition to business cards?. Starting with two themes that are approaching the mid-tempo rhythm, giving the impression that Alunah left behind the very slow tunes from the EP "Fall To Earth", the album goes into a tune more familiar from the song "Song Of The Sun "- obvious single, if there was! -, which notes exploring new musical paths, leaving the voice of Sophie flow, with more or less effect, but that mark these issues with her particular timbre, which otherwise would make things a little more banal - not mean weak or poorly executed, I mean! There is room here for almost everything: more time to tear, others more restrained, some experimentalism that intersects with monolithic riffs that lead to solos firmly in place - where the wah-wah ends up as well ... at long last, as varied as possible, the leagues to be monotonous or boring.
With "Call Of Avernus," the range of choices has widened, giving more space for the band evolve and give more dimension to his songs. Anyone who follows the project from "Crystal Voyage," will recognize the process of maturation of this quartet and 50 minutes they show us a meritorious work, but no big news in the spectrum stoner / doom, that worth the whole  and it grows every hearing . Not a fun job, but ensures your time. (13.2/20)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Naisian - Mammalian (2011)

Quando "Fletcher-Munson" começou a brotar das colunas, instalou-se a dúvida se não estaríamos a ouvir algo dos Neurosis ou perante mais um projecto que segue, de forma mais ou menos fiel, as pisadas de Scott Kelly e Cª. De facto, os britânicos Naisian não só devem conhecer bem o trabalho daquela seminal banda como tem nos finados Isis, igualmente, uma das suas principais referências. Este tema de abertura e o seguinte, "Bellicist", bebem tanto dessas fontes que até parece que caíram lá dentro, qual Obélix no caldeirão da poção mágica!... Apesar de bastante competentes, acabam por ser os momentos menos cativantes deste trabalho. Somente ao terceiro tema é que o cenário muda de figura, o quarteto tira a máscara, ganha desenvoltura e mostra ao que vem: sludge com reminiscências ambientais e progressivas! Confuso, não parece? Pois bem, é com "Take Me To The Mountain Dew Mountain" que as coisas começam a ganhar piada, apesar dos nomes dos projectos já mencionados continuarem a pairar sobre as músicas. Um baixo de linhas que roçam quase o funk, aliado a guitarras ora limpas ora sujas e ásperas, como só no sludge sabem ser, numa estrutura musical não muito complexa, mas que habilmente trabalha a dicotomia placidez e raiva, mostram a qualidade destes músicos e dos seus temas. É precisamente nos temas mais longos que a banda ganha uma nova dimensão, espelhada no tema-título, um opus quasi-instrumental que em nada deve ao que já ouvimos por aí dezenas de vezes, que parece fugir quando começa a entranhar e regressa com um violino oscilante entre o épico e o dramático e aquelas guitarras hipnóticas, desaparecendo tal como surgiu, reaparecendo carregando aos ombros uma qualquer ambiência digna do post-metal.
Para o fim, a síntese desta experiência de quase 40 minutos: "I am Eustache Dauger". A mescla do sortido de sons, ambientes, sensações, que nos conduz para um final que nos faz carregar no play novamente.
Se a aposta tivesse sido efectuada apenas nos derradeiros três temas, diríamos que estávamos perante um caso muito sério. Assim, teremos que esperar para confirmar se esta veia criativa se prolonga e afirma os Naisian como mais um projecto a ter em (muita) linha de conta. (13.8/20)

English:
When "Fletcher-Munson" began to sprout up in columns, we settled the question whether we would be hearing something from Neurosis or more before a project that follows, more or less faithfully in the footsteps of Scott Kelly and Co. In fact, the British Naisian not only must be familiar with the work of that seminal band or the deceased Isis, also one of its key references. This opening theme and the next, "Bellicist" drink both of those sources which seem to have fallen inside, which Obelix in the cauldron of magic potion! ...Though competent enough, turn out to be less compelling moments of this work. Only the third theme is that the scenery changes from the figure, the quartet takes off the mask, and shows their work: sludge reminiscent environmental and progressive! Seems confused? Well, it is with "Take Me To The Mountain Dew Mountain" that things begin to take a joke, though the names of the projects already mentioned continue to hover over the songs.
With a bass guitar work  that almost touch funk, sometimes combined with clean guitars sometimes dirty and ragged, just like the sludge you know to be, in a musical structure is not very complex, but it cleverly works the dichotomy calmness and anger, show the quality of these musicians and of its themes.
It is precisely the themes that longer the band gains a new dimension, reflected in the title song, an instrumental opus that in no way due to what we've heard around a dozen times, that seems to escape when it begins to seep into and returns with a Violin oscillating between epic and dramatic and those hypnotic guitars, disappearing as it appeared they touch almost funk, sometimes combined with clean guitars sometimes dirty and ragged, just like the sludge you know to be in a musical structure is not very complex, but it cleverly works the dichotomy calmness and anger, show the quality of these musicians and reappeared carrying on his shoulders an ambience worthy of any post-metal.
To this end, the synthesis of this experience of almost 40 minutes, "I am Eustache Dauger. The mixture of the assortment of sounds, atmospheres, sensations, which leads to an ending that makes us click on play again.
If the bet had been made only in the final three songs, we would say that we were facing a very serious case. So we have to wait to see if this creative streak continues and affirms Naisian as another project to take (much) account. (13.8/20)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Megaphone - Entrevista aos INSANIAE

Nova rubrica. Megaphone. Assim mesmo, com o cheiro a escrita antiga, portuguesa, papel amarelecido com a passagem dos anos, mas que sabe tão bem folhear e descobrir.
Esta rubrica marca um ciclo de entrevistas a projectos portugueses inseridos nas correntes mais arrastadas do espectro metálico, iniciado com a banda lisboeta INSANIAE.
Eis a amistosa conversa que tivemos com a banda, após mais um concerto de promoção ao seu mais recente trabalho, "Imperfeições da Mão Humana", no Side B, em Benavente.


O vosso segundo álbum, “Imperfeições da Mão Humana”, saiu há quase um ano. Que tipo de reacções é que têm recebido relativamente a este trabalho?
Diogo Messias: Temos recebido boas reacções, nomeadamente por parte da editora, a ARX Productions, que nos informou que neste momento a edição do álbum encontra-se esgotada. Pelos vistos naquele mercado as coisas correram bem e cá em Portugal, também temos recebido boas reacções. Estamos satisfeitos.

Certamente que vocês encontram diferenças entre os vossos dois longa-duração [NR “Outros Temem Os Que Esperam Pelo Medo da Eternidade”, de 2006, e “Imperfeições da Mão Humana, de 2010]. Na vossa opinião, quais são as mais evidentes ao nível da composição e, depois, no resultado final?
DM: Sofremos uma evolução muito natural. Penso que neste álbum, estamos mais perto daquilo que queremos fazer, daquilo que tencionamos fazer e vamos amadurecendo, tanto na parte técnica, enquanto músicos, quer na clarificação das ideias. Contamos com a nossa experiência, também. Estamos mais próximos do que queremos fazer e do que vai ser o futuro.

E estão mais próximos daquilo que querem atingir, em termos sonoros? Nota-se uma grande diferença ao nível da produção, pelo menos, entre os trabalhos.
DM: Sim, são coisas que acabam por serem naturais. E essa evolução em termos sonoros acabou por ser normal. O Fernando [Matias, produtor de “Imperfeições da Mão Humana”], fez um excelente trabalho e acho que em todos os aspectos foi um passo em frente.

Depreende-se que todo este processo foi natural, que resultou como fruto da vossa experiência; não foi nada planeado. Deixaram, somente, a vossa experiência fluir…
DM: Sim, é basicamente isso. Sempre que nos reunimos para ensaiar e compor, tudo é muito natural, não há um plano definido, nenhum masterplan, é mesmo o que vai saindo de cada um de nós, sempre verdadeiro, mais próximo do que conseguimos e queremos fazer.

A banda Insaniae já está nestas andanças há quase uma década, mas os seus elementos já integraram outros projectos, desde há, pelo menos, 15 anos. Que balanço é que fazem, por ora, do percurso dos Insaniae?
DM: Acho que é positivo, senão não o continuaríamos a fazer. É o que nós gostamos de fazer e queremos dar continuidade a este trabalho. Preferimos olhar para frente e não ficar a pensar muito no passado. Estamos atentos ao que se passa no panorama nacional; todas as bandas de Doom, algumas que estão aqui hoje, as quais vamos acompanhando e, também, influenciando. E, assim, vamos andando para a frente. O balanço é positivo.

Aparentemente, nota-se que os Insaniae têm sofrido de uma menor exposição e divulgação, comparativamente a outros projectos nacionais. Acham que carecem de maior divulgação ou faltará aquele click, e que uma editora pegue na banda e a lance para um patamar superior? Qual a vossa opinião?
DM: Nós temos estado atentos às bandas e ao que se passa no panorama nacional. De igual forma, estamos atentos ás editoras e, portanto, gostaríamos de poder ter mais alguma projecção nacional, sobretudo nesta fase. Em termos de promoção, penso que é possível fazer mais; isto é Doom, é lento, tudo devagar, até a promoção o é. [risos] Estamos a tentar andar para a frente, a utilizar, cada vez mais, as ferramentas possíveis.
Luis Possante: Ter uma editora no estrangeiro também acaba por ser diferente. Em Portugal poderá não funcionar tão bem com se tivéssemos assinado por uma editora nacional, como é óbvio.
Pedro: Também houve problemas de line up. Logo após o lançamento do álbum, deu-se a saída do baterista e assim ficamos quase um ano, o que igualmente provocou um atraso na divulgação e promoção da banda e do seu trabalho.


Pelo facto de terem lançado o “Imperfeições…” pela mão de uma editora ucraniana, existem algumas perspectivas de poderem fazer alguma coisa fora de Portugal?
DM: Existe vontade e existem contactos, mas penso que para os tempos mais próximos não temos nada marcado nesse aspecto. Estamos receptivos a propostas, a uma tournée ou a outro evento lá fora, claramente. Uma oportunidade dessas não será de desperdiçar, mas até ao momento não surgiu a proposta certa, mas não estamos, de todo, fechados a isso.

Ainda relativamente ao impacto do “Imperfeições…”, desta feita fora de Portugal: têm recebido feedbacks de várias origens?
DM: Sim, recebemos, essencialmente pelo facto de cantarmos em português; provenientes do Brasil, importantes e positivas. Até já nos perguntaram quando é que lá vamos tocar, possivelmente, sem a noção da dimensão das coisas… [risos] Também obtivemos notícias positivas de países nórdicos, da Holanda, da Bélgica, com alguns contactos à mistura, eventuais trocas de concertos com bandas de lá a mostrarem cá o seu som. É certo que a nível pode tornar-se um pouco complicado. Mas sim, estamos satisfeitos com as reacções obtidas.

Acabaram por lançar este novo álbum através de uma editora estrangeira, e de entre o conjunto de bandas que têm estado mais activas, dentro do espectro das correntes mais arrastadas, os Insaniae são os únicos que utilizam a língua de Camões!... É vossa intenção continuar com o português nos vossos temas, em trabalhos futuros?
DM: Não há regras pré-estabelecidas. No concerto de hoje, apresentamos dois temas novos com letras em inglês [NR “Forsaken And Forgotten” e “I Am”]. Não tem que ser em português, inglês ou francês; é um bocado como nos dá na “real gana”, passo a expressão. Agora, quisemos experimentar em inglês, mas nada garante que esta experiência esteja garantida para o futuro. Surge consoante o nosso sentimento durante o processo de composição e o que queremos fazer. Não há nenhum plano rígido como estava a dizer há pouco.

Para terminar, uma questão com vista a levantar um pouco o véu do futuro da banda. Que planos é que os Insaniae têm para os próximos tempos?
DM: Iremos procurar solidificar a nossa posição, aqui em Portugal, com mais algumas actuações ao vivo. Já estamos a compor coisas novas, estamos a pensar gravar também. O futuro passará por aí. Não perdemos muito tempo a olhar para trás. Já passou algum tempo desde que o álbum saiu, algum tempo desde que foi gravado e mais tempo desde que foi composto. Portanto, estamos a pensar em novas músicas, o futuro editorial ainda não está totalmente definido, mais concertos. Sempre mais e melhor.


(Gostaríamos de agradecer à Joana Cardoso a facultação das fotos e ao Side B todas as facilidades concedidas para a entrevista).

Temple Of Doom Metal

sexta-feira, 11 de março de 2011

Spiritus Mortis - Spiritus Mortis (reed. 2010)

A par do fenómeno das "reuniões" de bandas, um outro parece estar em crescendo e que é o das reedições, do qual os Neurosis serão a sua face mais visível neste último par de anos.
Não querendo esmiuçar os possíveis motivos que levam bandas e editoras a enveredarem por este caminho, o facto é que quem pode beneficiar com todo este processo é o público (por um lado, para conhecerem estes projectos/álbuns, por outro, para os fãs/coleccionistas completarem a sua discografia com alguns bónus, mais ou menos pertinentes).
Adiante. Os finlandeses Spiritus Mortis vêem o seu primeiro longa-duração reeditado, através da Firebox Records, trazendo um novo artwork, remasterização dos temas originais aos quais foram adicionados quatro temas inéditos. Filiados na linha do doom metal de linhas mais tradicionais, lançaram este seu trabalho homónimo em 2004, dezassete anos - dezassete!-, após a sua formação e quase uma dezena de demos, o que demonstra uma clara perseverança da banda de Alavus e crer no seu som e temas; sim, porque ao longo dos, então, catorze temas podíamos ouvir uma mão cheia de boas malhas, com eventuais aproximações ao hard rock e alguns apontamentos mais bluesy, conferindo-lhe frescura e dinâmica, num género onde as inovações não são o pão nosso de cada dia. Toda esta mescla trouxe mais-valia a este trabalho. "Rise From Hell", "Vow To The Sun" ou "Forever", são alguns dos temas que marcam a sonoridade da banda e demonstram a qualidade que ela tem e apresenta (13.5/20).
Quanto às novidades: foram adicionados quatro temas inéditos, que totalizam cerca de uma vintena de minutos, que em pouco ou nada diferem do alinhamento original. Poderíamos pensar em outtakes, temas descartados pela fraca qualidade, mas não, a fasquia mantém-se inalterada, sem surgir aquele sentimento de estarmos perante uma série de fillers e que, certamente, agradarão aos apreciadores do género. Para os outros, são vinte minutos de bom doom metal que lhes poderá passar ao lado. (14/20)

English:

Alongside the phenomenon of "meetings" of bands, another seems to be growing and that is the reissues, which will Neurosis its most visible face in the last couple of years.
Not wanting to go into the possible reasons that bands and labels to take this path, the fact is that anyone who can benefit from this process is the public (on the one hand, to discover these projects/albums, second, for the fans/collectors complete their discography with some bonus, more or less relevant).
Ahead. The Finns Spiritus Mortis see their first long full length reissued by Firebox Records, bringing a new artwork, remastered from original songs to which were added four unreleased songs. Affiliated to the line of doom metal in more traditional lines, launched this work in 2004 titled, seventeen years - seventeen! - after their formation and almost a dozen demos, which shows a clear band's perseverance Alavus and believe in its sound and themes, yes, because over then fourteen subjects we could hear a handful of good songs with possible approaches to hard rock and some more bluesy notes, giving it fresh and dynamic, in a genre where the innovations do not are our “bread each day”.
The whole mix has added value to this work. "Rise From Hell," "Vow To The Sun" or "Forever", are some of the themes that mark the band's sound and demonstrate the quality and features it has (13.5/20).
Regarding news: we added four unreleased songs, totaling about a twenty minutes, nothing different from the original alignment. We could think of outtakes, discarded by the poor quality issues, but no, the slab remains unchanged, that arise without feeling that we are facing a series of fillers and that certainly will appeal to fans of the genre. For others, are good twenty minutes of doom metal that can pass them along. (14/20)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Koloss - End Of The Chayot (2011)

Em sentido desde o primeiro segundo! É assim que começa este trabalho dos suecos Koloss; uma explosão sonora maciça que nos coloca logo no meio do cenário que nos acompanhará durante os 39 minutos seguintes: uma boa dose de sludge/doom metal, com ocasionais piscadelas de olho ao post-metal.
Pois é assim "The End Of The Chayot", um trabalho sem grandes rodeios, composto por uma mão cheia de temas coesos, sólidos, bem trabalhados, com uma parte instrumental agradável - apesar de inócua no que diz respeito a novidades - e linhas vocais fortes, bem ao jeito do que se espera num trabalho neste quadrante musical. No entanto, ao longo das sucessivas audições existe sempre um certo desconforto que nos invade; parece que já ouvimos algo parecido algures... tanto nos momentos mais atrozes como nas passagens mais contemplativas ou atmosféricas.
Parece-nos certo que ainda não se verificou uma descolagem relativamente às suas influências que abarcam momentos que giram em torno das toadas do post-hardcore, post-metal (o duo Neurisis a fazer mais quatro vítimas) e lampejos progressivos. Apesar disso, estamos perante um trabalho meritório, mas para uma próxima edição, terão de colocar a fasquia bem mais alta para que consigam fugir ao rótulo de meras cópias de uma onda que transborda de projectos dentro do género.
Para ouvir, apreciar e em visita ao sítio da banda na grande rede o download deste trabalho é permitido.
Colosso, mas com cuidado. (13/20)

English:
In effect from the first second! Thus begins this work of Swedes Koloss; a massive sonic boom that puts us right in the middle of the picture that will go along with us during the following 39 minutes: a healthy dose of sludge/doom metal with occasional winks an eye to post-metal.
For that is how "End Of The Chayot," a bluntly work, composed of a handful of themes cohesive, solid, well crafted, with a nice instrumental part - though harmless in respect of the news - and vocal lines strong, well the way of what is expected in a musical work in this quadrant. However, during the successive hearings there is always a certain unease that pervades us, it seems we've heard something somewhere ... both in the most atrocious as the more contemplative or atmospherics passages.
It seems to us certain that there was still a take-off in relation to their influences that embrace the moments that revolve around the tunes from the post-hardcore, post-metal (the Neurisis duo doing four more victims) and progressive flashes. However, this is a meritorious work, but for an upcoming edition, they will have to set the slab much higher so they can escape the label of mere copies of a wave that is overflowing with projects within the same genre.
To listen, and enjoy visiting the website of the band, in the vast network download this work is allowed.
Colossus, but with caution. (13/20)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Dream Of Poe - The Mirror Of Deliverance (2011)

Há alguns meses atrás, quando nos debruçamos sobre o EP "Lady Of Shalott", referimos que esse mesmo trabalho era um aperitivo para o longa-duração que se encontrava em preparação. Aí, era exposto ao mundo um tema com o mesmo título, cartão de visita para este "The Mirror Of Deliverance; de facto, neste momento, não poderemos dizer se foi ou não o melhor cartão de visita, porque os seis temas que perfazem este álbum são tão homogéneos, tão negros, densos, pesarosos e angustiantes que qualquer um deles seria uma boa escolha. É claro que quem tomou contacto com "Lady...", possivelmente, lhe saltará mais ao ouvido esta música. Mas, no mesmo patamar encontramos uma "Neophyte" ou uma "The Lost King Of The Lyre". "Os Vultos" é uma composição completamente arrepiante, de uma cândida negrura que não deixará ninguém indiferente. Com um início que tresanda a oceano, a saudade, a Portugal, no fundo; evolui, apresentando contornos algo épicos, com solos bem sacados, em diferentes registos, e que no conjunto demonstram a qualidade que por aqui podemos encontrar espalhada ao longo deste 51 minutos. A declamação, ainda em "Os Vultos", exibe palavras que dançam sobre as notas de guitarra, num texto trágico, belo e dorido. São dez minutos de uma lentidão sentida, desarmante, que passam a voar (a antítese faz todo o sentido!...).
"The Mirror Of Deliverance" acaba por não constituir uma surpresa na sua totalidade, excepto para aqueles que somente agora tenham contacto com este projecto; a qualidade dos temas era já conhecida e, aqui, encontra-se espalhada por todos os lados, quer em momentos mais agrestes quer em outros mais calmos e contemplativos. Este trabalho irá viver da sua homogeneidade e, certamente, crescerá à medida que as audições forem aumentando, porque há sempre alguns pormenores para descobrir por entre malhas lentas, lancinantes e ritmos que, por vezes, quase roçam o funéreo.
Resta-nos aguardar que estes tenham rodagem em palco, para atestar do seu poder. Bem merecem! (15/20)

English:
A few months ago, when we focus on the single “Lady of Shalott”, we mention that this same work was an entrée for the long-term which was in preparation.
Then it was exposed to the world a theme with the same title, a pasteboard for this "Deliverance Of The Mirror”, in fact, right now, we can not say whether or not it was the best pasteboard, because the six themes that make up this album are as homogeneous, as dark, dense, mournful and distressing, than any of them would be a good choice. It is clear that whoever has contact with "Lady ..." possibly jump over him to hear this music. But at the same level we find "Neophyte" or "The Lost King of The Lyre. "Os vultos” are a composition quite creepy, in a candid blackness that will not leave anyone indifferent. With a start that reeks of the ocean, longing, to Portugal, at bottom evolves, introducing something epic contours, with guitar solos well-drawn, in different registers, and which together demonstrate that the quality here can find scattered throughout 51 minutes. The recitation, also found in "Os vultos", displays words that dance on the guitar notes, a text in a tragic, beautiful and sore. Ten minutes felt a slow, disarming, that go flying (the antithesis makes sense!).
"The Mirror Of Deliverance" ends up not as a surprise in its entirety, except for those who only now have contact with this project, the quality of the subjects was known, and here is spread everywhere, whether in roughest moments and in other more quiet and contemplative. This work will live on in their uniformity, and certainly grow as the hearings are increasing because there are always a few details to find out through meshes slow, excruciating and rhythms that sometimes almost graze the funereal.
We can only wait until they have running on stage to demonstrate their power. Well worth! (15/20)