terça-feira, 23 de agosto de 2011

Megaphone - Entrevista a Mourning Lenore

No ano de 2010, os lisboetas Mourning Lenore foram uma das bandas portuguesas com mais hype na vertente do Doom Metal, tanto em Portugal como no estrangeiro, muito graças ao seu primeiro álbum "Loosely Bounded Infinities", lançado pela Major Label Industries, e às suas boas prestações em palco. Foi, após um desses últimos concertos, que estivémos à conversa com a banda, ainda antes das profundas mudanças de line up que, entretanto, sofreu.
O megaphone passa para a mão dos Mourning Lenore.


Entre a formação da banda e a chegada ao vosso primeiro álbum, houve um curto espaço de tempo. Como se desenrolou todo este processo até ao final de 2010, com um álbum como “Loosely Bounded Infinities” na mão?
João Arruda (JA): Bem, começamos a banda em 2008, após eu ter colocado um anúncio na internet e, rapidamente, apareceram os elementos que hoje compõem a banda. Foi muito engraçado, porque logo no início houve uma grande química, visto que foram os três primeiros elementos que responderam ao anúncio. De facto, as coisas aconteceram de forma bastante rápida.
Ainda nesse ano, começamos a gravação do split [NR: que foi lançado em 2009, em conjunto com os Insaniae]; sabíamos que era cedo, mas mesmo assim, decidimos arriscar. As reacções foram óptimas, não estávamos à espera que fossem tão boas. Aproveitamos o embalo e seguimos para o álbum.

No meio desta intensa actividade, onde entra a Major Label Industries neste processo?
João Galrito (JG): Numa linha de crescimento da banda, utilizámos o split para promoção junto de várias editoras e a que teve uma resposta mais positiva foi a Major Label Industries, que gostou muito do nosso trabalho, mas quis aguardar para ver como a banda iria evoluir e queriam ouvir mais alguns temas. Foi o que fizemos. Quando terminamos as novas músicas e as gravamos, enviamo-las para a editora e pronto…, basicamente foi um casamento feliz. Gostaram muito do nosso trabalho e resolveram lançar o nosso álbum.

E como têm sido as reacções, tanto em Portugal como lá fora, ao “Loosely Bounded Infinities”?
Emanuel Henriques (EH): As reacções têm sido positivas, tanto aqui como fora de portas, ainda que nos “acusem” de sermos um bocadinho jovens, mas é um argumento que tentamos utilizar da melhor maneira possível. Mas, basicamente, o feedback tem sido bastante bom, claramente acima das nossas expectativas, o que nos abre boas perspectivas para avançarmos para um segundo trabalho.

Uma prova dessas boas reacções foi o facto de o vosso álbum ter sido nomeado para a categoria “Best Doom Metal Album”, de 2010, no site da Metal Storm. Qual o impacto de uma nomeação dessas para banda e de notícias como esta?
JA: É claro que ficamos imensamente felizes pela nomeação, não estávamos, de todo, minimamente à espera. Eventualmente, com muita sorte, poderíamos figurar na categoria de Melhor Álbum de Estreia, porque para a primeira categoria estaríamos entre titãs, mas, mesmo assim, estamos extremamente satisfeitos e, ao mesmo tempo, acaba por ser um sinal que as coisas estão a correr bem além fronteiras. Estamos muito orgulhosos, sem dúvida.

Em trabalhos futuros, contam trabalhar novamente com o Fernando Matias, dado que no press release do álbum indicam que “equipa que ganha não se mexe”?
Joana Messias (JM): Bem, é sempre um pouco difícil dizer, com certeza, o que vamos fazer no futuro, mas, de facto tem sido muito bom trabalhar com ele [Fernando Matias], é uma pessoa com muita paciência, muita criatividade; nós gostamos muito da maneira como trabalha as nossas músicas, já faz parte da nossa equipa, mesmo. E, portanto, tudo indica que iremos continuar a trabalhar com o Fernando no seguimento de tudo o que tem sido feito até agora.



Em que medida é que o Fernando Matias vos ajudou a chegar ao som que podemos ouvir no “Loosely Bounded Infinities”?
JG: Basicamente, o Fernando tem vindo a construir uma reputação, como produtor e engenheiro de som, bastante sólida com os trabalhos que lhe passam pelas mãos e um dos pontos que, na nossa opinião, mais contribuíram para o nosso som foi a sua imensa capacidade de perceber rapidamente o tipo de som que encaixa na perfeição no tema em que está a trabalhar, ao longo de todo o processo de trabalho em estúdio; para além de conseguir dar os retoques finais que as músicas realmente precisam, dando-lhes uma grande coesão. Outra das suas qualidades é conseguir trabalhar muito bem ao nível do abstracto, em que a partir de uma simples ideia ou um som para uma determinada parte da música ou para um certo instrumento, mesmo dando-lhe dicas um bocado vagas, percebe onde é que queremos chegar e consegue fazer com que isso se torne possível.
JA: Uma outra coisa que, também, me parece importante: é que o Fernando não se prende a estilos musicais, é um produtor extremamente multi-facetado, sempre de mente aberta e isso foi essencial para nós, porque algumas pessoas acham que somos uma banda de Doom, um bocado colada a isto ou aquilo mas, na nossa óptica, gostamos de ir beber a diferentes fontes, o que se tornou essencial para atingirmos o nosso som.

O tema “Unchained” revela uma faceta mais experimental e com alguns elementos sonoros que fogem, um pouco, aos padrões com que foram rotulados. Acaba por ser uma porta que se abre para novas experiências no futuro?
JA: Nada é impossível. [risos]

Qual a vossa opinião relativamente ao panorama musical europeu, numa altura em que a informação corre a uma velocidade elevada, muito pela mão das novas tecnologias, possibilitando a divulgação dos Mourning Lenore e de outras bandas portuguesas, de uma forma exponencial? A noção que têm é a de que somos um país periférico, visto ainda como algo «exótico»?
JG: Nos anos 90, essa diferença era mais notória. Essa aura de «exótico» em torno de Portugal e de outros países mais periféricos, na Europa, e penso que algumas editoras assinavam bandas por isso mesmo, devido a esse factor «exótico», do ser diferente. Com a crescente velocidade de divulgação e exposição dos projectos, essas diferenças tenderam e tendem a diluir-se, do ponto de vista externo. No plano interno, ainda temos casos de pessoas e bandas que ainda persistem na mentalidade de que somos um país à parte; por isso, acho que muitas bandas poderiam expor-se mais além fronteiras e não o fazem por se deixarem levar nesta opinião de auto-comiseração. As opiniões que temos recolhido do exterior, em sites, fóruns e blogues, são: tudo o que chega de Portugal é bom. Mas, penso que por cá esse tipo de mentalidade está a mudar.

São da opinião que nestes últimos 3/4 anos se começou a construir, em Portugal, uma cena ligada ao Doom Metal?
EH: Acho que o último ano foi bastante fértil, de repente, parece que tocar Doom deixou de ser careta, porque sempre foi um primo afastado dos outros géneros dentro do Metal, por ser muito lento ou demasiado deprimente ou, então, porque, teoricamente, em termos técnicos não era tão exigente. Penso que no último ano apareceram muitas bandas, que já cá estavam há algum tempo, e tornaram-se um bocado mais visíveis. Na generalidade, este último ano foi muito bom para o Doom nacional.
JA: No estrangeiro, já se fala num movimento Doom português, da mesma forma que se fala do som de Gotemburgo, por exemplo. Não estou a comparar os estilos, somente estou a dizer que já se associa um tipo de som a um certo país, o que me parece muito bom, é sinal que estão a sair muitas coisas com qualidade por cá. Acho que não há qualquer dúvida que temos bandas muito boas, mesmo.

TODM: Para rematar, que projectos para o futuro dos Mourning Lenore?
JA: Ainda temos mais um concerto para dar e, depois, será uma incógnita. É tudo o que posso dizer.

(Gostaríamos de agradecer à Joana Cardoso a facultação das fotos e ao Side B todas as facilidades concedidas para a entrevista).

Temple Of Doom Metal


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ab Reo Dicere (17.08.2011) - The Doom + Gniyrg Gnaarg + Wreck And The Reference

The Doom - 'Echoes To Chaos' (EP) (2008)

Trabalho de estreia para este projecto norte-americano, composto por meia-dúzia de temas crus, com uma produção minimal, resultando num som muito sofrível, a que se junta um conjunto de vocalizações tortuosas, roçando os uivos de um lobo faminto.
No cômputo geral, estamos perante um trabalho que precisaria de muitas melhorias para se tornar aceitável; aqui, salvam-se alguns riffs de guitarra e pouco mais. Underground? De facto. DIY? Cremos que sim! Mas o Doom para mostrar a sua força, poder e sentimento necessita de bem mais. (7/20)


English:

First release for this North American project, consisting of half a dozen raw themes, with a minimal production, resulting in a sound very poorly, which is compounded by a tortuous set of vocalizations, rubbing the howling of a hungry wolf.
Overall, this is a work that would need many improvements to become acceptable; here, save a few guitar riffs and little else. Underground? Indeed. DIY? We believe so! But  Doom needs much more to show its strength, power and feeling. (7/20)



Gniyrg Gnaarg - 'From Mother Sun' (demo) (2010)

A Finlândia tem sido um bom viveiro no que toca a bandas que resolvem abraçar as sonoridades mais doomescas, de entre as quais os Shape Of Despair, Skepticism ou Spiritus Mortis são um bom exemplo disso mesmo. Com "From Mother Sun", estes Gniyrg Gnaarg apresentam-se ao mundo. Uma demo com quatro músicas na linha do Doom mais clássico, mas com alguns trejeitos Stoner, mais patentes nos riffs de guitarra.
No entanto, os temas ainda surgem pouco coesos, pouco poderosos, com a voz a não encaixar bem - a necessitar de mais garra e melhor trabalho na integração das melodias - apesar de apresentarem uma estrutura complexa, o que acaba por ser um ponto positivo neste trabalho.
Ainda sem nada de relevante que justifique o seu nome na galeria do Hall Of Fame do Doom, estes Gniyrg Gnaarg poderão almejar outros voos, mas para isso será preciso mais transpiração e um pouco mais de inspiração. (8.5/20)

English:
Finland has been a good breeding ground when it comes to bands that decide to embrace the more doomed sounds, from which Shape Of Despair, Skepticism and Spiritus Mortis are good examples of this. With 'From Mother Sun', these Gniyrg Gnaarg presents their selves to the world. A four-song demo in line with the more classic Doom, but with some quirks Stoner, more patents in the guitar riffs.
However, issues still arise bit tight, with little power and the voice does not fit properly - needing more grip and better integration of work on the tunes - even if they have a complex structure, which turns out to be a positive point in this work.
Yet, nothing of relevance to justify its name in the Hall Of Fame of Doom, they may aim other flights, but this will require more sweat and a bit more inspiration. (8.5/20)



Wreck And The Reference - 'Black Cassette' (2011)

Dissonante e caótico, ou por outras palavras, não tem ponta por onde pegar este "Black Cassette! Realmente, a expressão "DIY" faz aqui todo o sentido. Há Doom, Noise, montes de Experimentalismo e uma piscadela de olho ao Drone, tudo enrolado numa amálgama sonora, dividida em seis temas,  que não nos agarra, nem por breves instantes; pelo contrário! Não há fio condutor, dando a sensação que estamos perante uma manta de retalhos onde tudo foi unido à pressão. Há uma faceta um tanto ou quanto obscura a envolver estas músicas(!), mas mesmo isso não é suficiente para atenuar o que repetidas audições constataram: um trabalho que não vai ficar para a história.
Quem quiser testemunhar o escrito, pode ouvir os temas ou downloadar no link que segue. (7/20)

English:
Dissonant and chaotic, in other words, no tip for where to get this ”Black Cassette”! Indeed, the expression 'DIY' makes perfect sense here. There's Doom, Noise, lots of experimentation and a wink to Drone, all wrapped in a sonic amalgam, divided into six themes, that do not grab us, on the contrary! No thread, giving the impression that this is a patchwork where everything was attached to the pressure. There is one facet of a somewhat obscure to involve these songs (!), But even that is not enough to mitigate the hearings found that repeated: a job that will not go down in history.
Who wants to witness the writing, you can listen or download the themes on the link that follows. (7/20)



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Before The Rain - Frail (2011)

A julgar pelas cores da capa, pela sua imagem e título do álbum, os mais incautos terão uma valente surpresa quando tomarem contacto com os sons deste "Frail". Para os mais acostumados a estas andanças pelo Metal, a capa deste segundo álbum demonstra uma clara fuga ao standardizado e buscar, legitimamente, algum destaque. No entanto, não será somente pela capa/artwork que esta banda portuguesa andará "na boca do povo"; a sua música, ou seja, o principal leitmotiv. Merecido, diga-se, desde já.
Desde que saiu "... One Day Less", em 2007, os Before The Rain evidenciaram-se como uma das propostas mais consistentes na corrente do Doom/Death Metal que se faz em solo nacional e trilharam o seu percurso, mais ou menos conturbado, mas sempre seguro dos objectivos que a banda tinha a caminho desta nova etapa.
Olhando para este novo registo, podemos dizer que soa um pouco estranho, na medida em que não parece o sucessor de "... One Day Less", dando a clara ideia que falta um álbum ali pelo meio que nos prepare para esta nova proposta. As diferenças são bem notórias, o crescimento da banda foi muito significativo, a abordagem aos temas ganhou novos contornos e os Before The Rain de hoje já não se parecem com os de há 4 anos; estão bastante mais maduros, coesos, e o resultado disso mesmo são mais meia-dúzia de portentos que nos têm deixado a cabeça à roda, onde a fúria se imiscui de uma forma tão natural com passagens tão simples e doces, onde as palavras entoadas, cantadas e rugidas convivem graciosamente à medida que os minutos passam e tudo encaixa naturalmente. Quem já teve a oportunidade de apreciar estes novos temas ao vivo, não negará a força, poder e envolvência que os mesmos ganham.  Aqui, parece que se fundem os Katatonia, os My Dying Bride e os Anathema (na sua versão mais próxima do rock atmosférico) e não raras vezes estas bandas assomam ao nosso pensamento, na medida em que podiam muito estar a tocar qualquer um destes temas. Mas, estranhamente, as influências aqui soam muito bem.
Estão diferentes estes Before The Rain, musicalmente e no seu line up. Uma remodelação profunda na banda, com novos elementos, de entre os quais se destaca Gary Griffith (dos norte-americanos Morgion), e algumas novas abordagens musicais fazem desta banda e deste "Frail" um caso sério. Frágil, débil, delicado? Sim, tudo isso mas, acima de tudo, poderoso. (17.4/20)

English:
Judging for the colors of the cover, the image included and the title of the album, the most rash will have a brave surprise when they take contact with the sounds of this "Frail". For the ones most accustomed to these surprises in the Metal scene, the cover of this second album demonstrates a clear escape to a standard view that we have of Metal cover albums and to look, legitimately, for some distinction. However, it will not be only for the cover/artwork that this Portuguese band will be " in the mouth of the people "; its music, in other words, the principal leitmotiv. Deserved, of this you can be sure..
Since it went out "... One Day Less ", in 2007, Before The Rain showed up like one of the most solid proposals in the current line of Doom/Death Metal that is done in portuguese ground and trod his distance, more or less troubled, but always secure of the objectives that the band had the way of this new stage.
Looking to this new record, we can say that it sounds a little bit strange, as he does not seem the successor of "... One Day Less ", giving the clear idea that is lacking an album round about the way that prepares us for this new proposal. The differences are quite well-known, the growth of the band was very significant, the approach to the songs gained new outlines and the Before The Rain of today is already not similar with the ones 4 years ago; they are more ripe enough, cohesive, and the result is more stocking-dozen of wonders that have been leaving us the head to the wheel, where the fury interferes in such a natural form with so simple and sweet passages, where the chanted, sung and roared words coexist graciously while the minutes go by and everything fits naturally. The ones who already had the opportunity to appreciate these new songs live, will not deny the strength, power and involvement they gain in live acts. Here, seem that the Katatonia, My Dying Bride and Anathema (in his nearest version of the atmospheric rock) merge and not seldom these bands climb to the top of our thought, in so far as they could be touching very much any one of these compositions. But, strangely, the influences here sound very well.
This Before The Rain are different, musically and in its lineup. A deep remodelling in the band, with new elements, of which Gary Griffith is outstanding (of the North Americans Morgion), and some new musical approaches do from this band and from this "Frail" a serious case. Fragile, weak, delicate? Yes, completely that but, above all, mighty. (17.4/20)

domingo, 5 de junho de 2011

Ava Inferi - Onyx (2011)

Quase dois anos após o lançamento de "Blood Of Bacchus", os portugueses Ava Inferi regressam ás lides discográficas com mais um punhado de temas na senda do Gothic/Doom Metal, sempre bem melancólico, embalados pela voz de Carmen Simões e pelas seis cordas de Rune Eriksen. Quem já tomou contacto com anteriores trabalhos da banda não ficará totalmente surpreendido com o que irá ouvir. No entanto, este quarto longa-duração evidencia um estado de maturação considerável, em que este "Onyx" demonstra a banda a chegar a um estado adulto, com ideias bem delineadas, trabalhadas e qualitativamente significativas. Se olharmos para trás, desde o primeiro registo, em 2006, "Burdens", veremos uma notória mas segura evolução musical, à medida que o som dos Ava Inferi foi sendo forjado, sempre assente no trabalho de guitarra de Eriksen e na voz de Carmen, os pilares deste projecto.
Numa primeira audição, nota-se que não existem por aqui temas "orelhudos" como "Last Sign Of Summer", "Be Damned" ou "Viola", mas à medida que vamos interiorizando estas composições registamos uma grande coesão entre todos os oito temas que compõem esta nova proposta, resultando num todo homogéneo, mas sem perder pitada da identidade da banda. De facto, este talvez seja o álbum que de melhor forma cristaliza o som da banda.
Um outro aspecto que ressalta neste "Onyx" é a inexistência de temas em português, notória, dada a qualidade das músicas gravadas em trabalhos anteriores e que em muito espelham a melancolia sonora da banda; não podemos negar que esperaríamos um ou dois temas na língua de Pessoa, mas pérolas como "((Ghostlights))" ou "The Heathen Island" fazem-nos simplesmente ouvir repetidamente este álbum e degustar cada momento, descobrindo novos pormenores numa das obras de referência lançadas em território nacional. (15.8/20)

English:
Almost two years after the release of "Blood Of Bacchus", the Portugueses Ava Inferi always return with one more handful of songs in the path of the Gothic/Doom Metal, quite melancholic, dandled by the voice of Carmen Simões and the six strings of Rune Eriksen. Those who already took contact with previous works of the band will not be totally surprised with what they will be going to hear. However, this fourth record shows a state of considerable maturing up, in which "Onyx" demonstrates the band reaching to an adult state, with quite outlined, worked and qualitatively significant ideas. If we look backwards, from the first register, in 2006, "Burdens", we will see the well-known one but safe musical evolution, while the sound of Ava Inferi was forged, always suit the work of guitar of Eriksen and Carmen's voice, the pillars of this project.
In a first audition, we can perceive that there are not much songs that we could choose them as singles, instantly, like "Last Sign Of Summer", "Be Damned" or "Viola", but while we are internalizing these compositions one can register a great cohesion between all the eight songs that compose this new proposal, very homogeneous, but without losing pinch of the identity of the band. In fact, this perhaps is the album that in the better form crystallizes the sound of the band.
Another aspect that must be emphasized on this " Onyx " is the non-existence of songs in Portuguese, one that can be well noticed, because they showed a high level of qualitywhen the quality in previous albums and, perhaps, are the perfect mirror to the resonant sadness of the band; we cannot deny that we were waiting for one or two compositions in the language of Fernando Pessoa, but pearls I eat "((Ghostlights))" or "The Heathen Island" makes us hear simply, repeatedly, this album and taste each moment, discovering new details in one of the reference albums launched in portuguese territory. (15.8/20)

sábado, 28 de maio de 2011

MurkRat - Drudging The Mire (2011)

"Listen to me!" são as primeiras palavras que ecoam em "I, Rodent", após a intro desconcertante e iniciática que é "Processional: Drudging The Mire". E, de facto, a partir deste momento impossível não estarmos atentos à voz de Mandy VKS Cattleprod (criadora do artwork para bandas como os Mournful Congregation, Stone Wings ou Lycanthia), que baloiça entre o doce canto fúnebre e o grito demoníaco, inserido num conjunto de temas extremamente bem sacados, homogéneos, enquadráveis num funeral doom que ao mesmo tempo nos soa bem negro e angélico ao qual se adicionam ocasionais espasmos avantgarde, tudo bem assente nas omnipresentes teclas que constituem a base deste trabalho. As guitarras ocupam um lugar secundário, quase de mero apoio nas principais linhas que constituem os oito temas deste segundo longa-duração do projecto desta australiana. Tudo isto é suportado no trabalho de Neil Dyer, no seu drumkit, que reforça a toada de miserabilidade que se ouve ao longo destes 72 minutos.
A primeira metade do álbum reserva os melhores temas, evidenciando a evolução que o projecto sofreu desde a estreia homónima, em 2008, explorando um pouco melhor as atmosferas que este género de música pode proporcionar - caso de "World", um tema nitidamente ambient -, ou então o já referido "I, Rodent" ou "Faceless", que pela sua hipnótica e doentia força nos vão ficando a martelar na cabeça. Os últimos três temas, não contando com "Berceuse - Slow Immersion" que mais não é do que um epílogo desta tormenta, apresentam-se bastante longos, em média rondando os doze minutos, e constituem o seguimento dos temas citados, onde a qualidade não baixa de forma assinalável, existe coesão e sem fillers, acabando por "Drudging The Mire" ser um todo sem partes indissociáveis e define com maior nitidez, confirma e cristaliza o som MurkRat, projecto este saído da tortuosa mente de Mandy, que assume a voz, guitarras, baixo e teclas neste trabalho acima da média, e que nos chega pela mão da britânica Aesthetic Death.
Num ano em que ainda são muito poucos os trabalhos que nos deixaram ficar realmente colados à cadeira, onde tem imperado a mediania, estamos em crer que da Austrália chegou uma das melhores propostas neste segmento musical e, esperamos, seja o mote para uma segunda metade de 2011 de maior qualidade. Listen to her! (17.2/20)

English:
"Listen to me!" are the first words that echo in "I, Rodent", after the disconcerting and annoying intro that is "Processional: Drudging The Mire". And, in fact, from this moment it is not possible not to be attentive to Mandy VKS Cattleprod’s voice (who created the artwork for bands like Mournful Congregation, Stone Wings or Lycanthia), that bounces between the sweet funeral chant and the devilish scream, inserted in a set of extremely quite withdrawn songs, homogeneous, fitting in a funeral doom sound that at the same time strikes us quite black and angelically to which occasional spasms are added of avant-garde music, completely well suit the omnipresent keys that constitute the basis of this work. The guitars occupy a secondary place, almost of mere support in the principal lines of the eight black gifts that constitute this long-duration from the project of this Australian. All of this is supported in the work of Neil Dyer, in his drumkit, which reinforces the melody of misery that is heard along these 72 minutes.
The first half of the album reserves the best songs, showing up the evolution the project suffered from the homonymic first record, in 2008, exploring much better the atmospheres that this type of music can provide - case of "World", clearly ambient-, or then the already above-mentioned one "I, Rodent" or "Faceless", with its hypnotic and unhealthy necessity in going on and on around our head. The last three moments, not counting "Berceuse - Slow Immersion", an epilogue of this quite long storm, on average patrolling twelve minutes, and they constitute the continuation of the quoted songs, where the quality does not go down, there is cohesion without fillers, making this " Drudging The Mire " an all without parts left behind and defines with bigger clarity, it confirms and crystallizes the MurkRat sound, this project gone out from Mandy's winding mind, which assumes the voice, guitars, bass and keys in this work above the average, and that in the reprimand for the hand of the Briton Aesthetic Death.
In a year which there are still very little records that let us be really glued to the chair, where the median quality has been ruling, we are in believing what of the Australia brought near one of the best proposals in this musical segment and, wait, be the motto for a second half of 2011 of bigger quality. Listen you it her! (17.2/20)


domingo, 22 de maio de 2011

Gallow God - False Mystical Prose EP (2010)

Por vezes, somos "sacudidos" quando menos esperamos. Não são poucas as vezes em que as nossas expectativas relativamente a um ou outro trabalho saem defraudadas, mas há casos em que acabamos por ser surpreendidos quando menos esperamos. Afinal, a música até acaba por ser um pouco isso mesmo, ou então seria demasiado previsível e enfadonha.
Com base neste intróito, já todos devem ter percebido que estes ingleses (pois, acreditamos que é algo que lhes deve correr no sangue!) constituem mais uma boa proposta nas toadas mais tradicionais do doom metal. De facto, esta estreia não poderia ser mais auspiciosa; quatro temas que respiram o legado de Tony Iommi por todos os poros e vão buscar mais algumas influências aos Reverend Bizarre, Spiritus Mortis ou até mesmo a uns Cathedral, ali por alturas do "Ethereal Mirror". São quatro temas negros, poderosos, monolíticos, que pela sua coesão e elevada qualidade de composição, nos parecem mostrar um colectivo muito bem entrosado e com ideias muito bem definidas quanto ao caminho que querem seguir com este projecto e o som que querem para os seus temas: cheio, grave, pesado, sem perder a sua definição ou qualidade.
O registo inicia-se num registo que não nos deixa indiferentes; "The Sin and Doom of Godless Men" principia com um riff muito bem sacado, que nos guia até Dan Tibbals, num timbre que nos relembra Albert Witchfinder, mas com um ligeiro travo a stoner, mais árido e duro.
"The Emissary" continua numa toada bem dolorosa, mas aqui é possível ouvir alguns solos, bem conseguidos e que encaixam na sonoridade da banda, não pretendendo um notório realce, mas antes deixam-se diluir na torrente sonora. Quanto a "Summon the Rune Wizard", acaba por ser um pouco mais na linha de "The Sin...", reforçando a ideia que os Gallow God sabem escrever boas canções e que o fazem como se já andassem por estas andanças há vários anos.
Para terminar, uma dúzia de minutos que resumem tudo o que anteriormente se ouviu; "Ship of Nails" - com a devida intro marítima -, será, porventura, o melhor deste EP. É o resumo e a indicação de algo mais; a busca de novos espaços e as vocalizações típicas do death metal fazem aqui a sua aparição, dando uma maior amplitude a um tema colossal.
As estreias, por vezes, têm o condão de nos surpreender e no caso deste "False Mystical Prose" não poderíamos ficar melhor impressionados. Resta-nos aguardar pelas novas discorrências sonoras, para breve, assim o desejamos. (14.8/20)

English:

Sometimes we are "shaken" when we least expect. There are few times when our expectations for either work out disappointed, but there are cases where we shall be surprised when you least expect it. After all, the music turns out to be a bit of that, or else it would be too predictable and boring.
On basis of this introduction, you all must have realized that these Englishmen (yes, we believe that it is something that must run on their blood!) appoint to be one more good proposal in the most traditional melodies of doom metal. In fact, this first release might not be more auspicious; four songs that breathe the legacy of Tony Iommi through all the pores and go more for some influences like Reverend Bizarre, Spiritus Mortis or even Cathedral, round about heights of the "Ethereal Mirror" album. It is four black, mighty, monolithic themes, which for their cohesion and elevated quality of composition, seems to us to show a very well integrated collective one and with ideas very well defined as for the way that want to follow with this project and the sound they want for their work: full, powerful, heavy, without losing his definition or quality.
This EP begins in a register that does not leave us indifferent; "The Sin and Doom of Godless Men" begins with a very well withdrawn riff, that guides up to Dan Tibbals, in an insignia that recalls us Albert Witchfinder, but with a light bitterness to stoner, more arid and hard.
"The Emissary" continues in a quite painful melody, but here it is possible to hear some solos, quite nice ones that fit in the sonority of the band, not claiming a well-known emphasis, but before they are let dilute in the resonant torrent. As for "Summon the Rune Wizard", it is again a little more in the line of "The Sin ...", reinforcing the idea that Gallow God can write good songs and they do it in a way like they were already walking for these wanderings for several years.
To end, a dozen of minutes that summarize everything that previously was heard; "Ship of Nails" - with the owed sound of the sea intro-, will be, by chance, the best of this EP. It is the summary and the indication of something more; the search of new spaces and the typical vocalizations of the death metal do here their apparition, giving a bigger amplitude to a colossal release.
The first nights, for times, have the privilege to surprise us and in case of this "False Mystical Prose" we might not be better impressed. We still have to wait for new tunes, soon, so we want it. (14.8/20)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Megaphone - Entrevista aos LÖBO

O Megaphone passa de mão, dando continuidade à rubrica iniciada no mês passado com os Insaniae. Desta feita, a voz é a dos LÖBO, projecto da zona de Setúbal, que tem vindo a dar cartas por esse país fora com o seu som, no mínimo peculiar, capaz de agradar a uma variada paleta de apreciadores de música, embora as bases musicais do quarteto andem pelas toadas mais arrastadas. Foi um pouco sobre estes e outros assuntos que estivemos à conversa com Ricardo Remédio e Pedro Barceló.



No panorama nacional, os LÖBO apresentam um som bastante peculiar, um bocado fora dos trâmites normais dentro do espectro Doom ou das correntes mais arrastadas. O que gostaria de vos perguntar é o seguinte: como é que definem o vosso som?
Ricardo Remédio: A questão é… eu até acho que muitas vezes o termo que é utilizado nesta onda, a que chamam o “Pós-Doom”, acho que connosco até nem faz assim tanto sentido, simplesmente vejo este rótulo de outra maneira; é pegar no que é arrastado, no que é lento e no que é pesado e tentar encher com o máximo de coisas possível. No nosso caso, muita música ambiental, alguma electrónica e tentar fazer algo coeso; algo que a gente goste quando chega no final do dia. Acho que a designação “Pós-Doom” pode ser um termo que até nos fica bem, mas, simplesmente, em comparação com outras bandas do género, vamos buscar influências diferentes. Mas o princípio é o de pegar no Doom, ou no lento e puxá-lo para outros lados, seja com que influências forem. Acho que parte por aí, estamos confortáveis com os rótulos que nos dão, apesar que a nossa música vai para além disso.

As questões dos rótulos são sempre complicadas, por vezes as bandas também não gostam muito de serem rotuladas ou catalogadas. No entanto, uma coisa que se nota é que muitas das actuais sonoridades estão relacionadas com esse mesmo fenómeno do “Pós-“, o que não acabará por ser um guarda-chuva demasiado abrangente para tantos projectos que vão aparecendo a público?
Pedro Barceló: Acho que não. Eu e o Ricardo temos um passado dentro do Hardcore, viemos dessa cultura, tocamos em algumas bandas no final dos anos 90 e inícios da década de 00, e depois começamos a ter algumas influências de bandas fora desse estilo, bandas estrangeiras mas que tiveram o mesmo percurso, onde marcaram presença na cena Punk, Hardcore e mesmo Thrash e, neste momento, estão um pouco mais… acho que evoluíram para outro patamar; por exemplo, os Cult Of Luna ou os Isis, são bandas que têm um grande background alicerçado no Hardcore e, simplesmente, evoluíram a nível musical. O Hardcore é uma cultura jovem, e continua a ser uma cultura com muita força, mas a nível musical precisava de algo mais. Foi um pouco isso o que acabou por acontecer com os LÖBO, uma evolução que se nota mais agora. Por isso é que tocando num panorama com três bandas mais fortes, mais Doom, mais Metal [NR no contexto do Major Label Industries Fest], nos destacamos um pouco por causa disso, acho que é pela essência, um background um pouco diferente.

O som dos LÖBO foi algo pensado ou surgiu de forma natural? O facto de não incluírem vocalizações nos vossos temas também foi tido em linha de conta para a construção da vossa sonoridade
R. R.: A inclusão ou não de vozes nunca foi, propriamente, muito pensada. A génese da banda, que tem as suas raízes num projecto entre mim e o primeiro guitarrista, chamada Morte Por Acordes, que estava na linha do ambiental e foi evoluindo a partir daí. Aliás, começamos ainda sem baixista, era somente teclas, guitarra e bateria, naquela de ver o que é que saía; com o tempo, as músicas começaram a surgir, nenhum de nós era vocalista por natureza e seria difícil arranjarmos mais dois elementos para baixo e voz, para que pudéssemos fazer música. Achamos que deveríamos pegar no que tínhamos e continuar a desenvolver o nosso trabalho e a verdade é que, às vezes, essas limitações permitem-nos seguir caminhos diferentes, no sentido em que a música nunca foi pensada para ter voz, por isso segue ritmos e melodias completamente diferentes. Com isto, não queremos dizer que os LÖBO nunca irão ter voz, mas não é algo que nós consideremos quando pegamos numa guitarra, num baixo ou num teclado para fazer música.
P. B.: Nada está fora de questão. Neste momento, contamos com três guitarristas, o Ricardo também toca baixo, estamos com dois bateristas; somos muito versáteis a nível instrumental. Estamos dispostos a fazer de tudo, seja com voz, mais baixo, mais teclas, mais guitarras…
R. R.: Nós queremos colocar as próximas músicas, e se tudo correr bem para o nosso primeiro álbum, dentro de um género musical e com um ambiente definido; agora com que instrumentos o iremos fazer ainda não está definido. Vamos tentar não ter um lugar fixo em que, por exemplo, o baixista só toca baixo nas músicas todas, vamos tentar variar um pouco.

Isso faz lembrar, um pouco, os primeiros de actividade dos Queens Of The Stone Age, onde existia um núcleo duro criativo e era a imagem da banda, mas que se rodeava de uma série de colaborações que iam dando as suas ideias e inputs ao som do projecto. No vosso caso, com diferentes elementos a contribuírem para as partes de baixo, guitarra, bateria, etc.
R. R.: Sim, não fechamos a porta a esse tipo de colaborações externas. Aliás, gostaríamos de poder voltar a trabalhar com o nosso antigo baterista, que teve de sair por razões pessoais e indisponibilidade de tempo; termos duas baterias, alguns convidados. Vamos trabalhando assim dentro da banda e se houverem pessoas dispostas a dar o seu contributo, a porta está aberta.
P. B.: Já tivemos um convidado, o guitarrista e vocalista dos Men Eater, o Miguel, ele antigamente tocava o “Dânaca” nos concertos que fizemos juntos. A nossa primeira tour foi feita com eles e houve essa participação em todos os concertos nesse tema. Para além de convidado, é um amigo nosso e as coisas funcionaram mesmo muito bem, portanto, nada está fora de questão.


Da passagem da demo “Dânaca” para o EP “Alma”, que mudanças é que sentiram na composição dos temas?
R. R.: Basicamente, a diferença foi na maneira como nos colocamos para compor as músicas. O “Dânaca” foi composto na sala de ensaio e tem um sentimento maior de banda ao vivo, enquanto o EP foi acabou por ser uma experiência; começou comigo e com o Luís [NR Luís Pestana, primeiro guitarrista da banda], em que íamos efectuando algumas experiências em casa, brincando com sons até que começamos a perceber que poderia sair dali algo que encaixaria no som dos LÖBO. Impusemos algumas restrições, não no sentido negativo, mas com a finalidade de nos obrigar a procurar outras soluções e buscar coisas diferentes e, pronto, o resultado final foi algo mais frio, mais negro, mais mecânico, se calhar. A maneira como compusemos aquelas músicas acabou por ditar a forma como iriam soar e quando nos apercebemos disso, durante esse processo, dissemos ‘Vamos gravar as músicas como elas estão e ao vivo a história vai ser outra!’. Desta forma, acabamos por surpreender o público que pensa que vamos reproduzir os temas tal como foram gravados, o que acaba por permitir que tenham duas experiências diferentes: quem quiser ouvir o “Alma” mais lento, mais melancólico, mais negro ouve o EP e quem quiser sentir o lado mais visceral da banda vem ver os nossos concertos. Acho que, assim, conseguimos dar duas vidas às músicas.

Sendo o EP “Alma” um trabalho mais cerebral, nota-se uma maior abrangência sonora, talvez fruto desse mesmo conjunto de experiências que foram fazendo ao longo da composição… Não puxaram tanto as guitarras à frente, dando maior primazia à criação de atmosferas mais negras e melancólicas.
R. R.: A partir do momento que aceitamos e concordamos fazer o EP desta forma, ficou aberta uma hipótese de fazermos uma série de coisas diferentes, tanto a nível de instrumentos utilizados como ao nível da mistura. Sabíamos que iria ter um som em estúdio e que ao vivo seria diferente. Acabou por ser libertador aceitar fazer as coisas dessa maneira, porque permitiu-nos experimentar coisas, colocar influências diferentes e acabou por ajudar-nos pelo facto de mostrarmos o lado cru, visceral e pesado dos temas, mas há um registo, intencional, onde as melodias e ambientes se encontram preservadas e aparecem na mesma.

Como é que tem sido a reacção ao vosso som e aos vossos trabalhos de estúdio?
P. B.: Pelo que tenho ouvido, tem sido bastante boa. No ano passado, fizemos uma série de concertos entre Janeiro e Junho – parece muito mas praticamente foi uma tour pelo país em que tocávamos somente aos fins-de-semana – e penso que em todos os concertos tivemos um feedback mesmo muito bom, de várias pessoas com gostos bastante diferentes, do Pós-Rock ao Doom. As vendas de merchandise têm sido excelentes, temos chegado a pessoas dos EUA, de Espanha, de França e, no geral, achamos que tem sido muito positivo. Fomos tocar a Faro, somente os LÖBO em cartaz, e conseguimos colocar cerca de uma centena de pessoas na sala, bastante pequena e correu tudo mesmo muito bem, as pessoas adoraram. Tem sido, mesmo, muito positivo.

A banda tem disponibilizado ao público o seu trabalho de diferentes formas, desde métodos físicos mais convencionais e passando por outros com recurso à internet, com a possibilidade de efectuar o download dos temas, a demo “Dânaca” e o tema “Noite”. Como é que vêem essas duas formas de lançamento dos vossos registos?
R. R.: A nossa opinião é a que temos de aceitar a internet e usá-la a nosso favor, em nosso benefício. Resistir ao formato físico, hoje, não faz sentido, não podemos levar a mal as pessoas terem a nossa música, a descarregá-la, aliás, incentivamos que isso aconteça porque a disponibilizamos de forma gratuita; no fundo, achamos que o formato CD perdeu importância. Se não incluir algo diferente, informação adicional, seja o artwork ou outra coisa qualquer, mas o CD pelo CD já não tem tanto valor, mais vale disponibilizar gratuitamente. O “Alma” teve antes da saída em formato físico, uma versão digital pronta a ser descarregada. Isso só nos abriu portas, permitiu que imensas pessoas pudessem chegar ao nosso som, apesar das pessoas poderem pensar que dessa forma já não iriam vender o EP, mas no final quem gosta mesmo acaba por comprar. Por isso, a nossa abordagem é de abertura completa.

A banda sofreu algumas mudanças de line up recentemente. Que ideias e influências trouxeram os novos elementos e que mudanças poderão ter ocorrido no som dos LÖBO com estas novas entradas?
R. R.: É um pouco cedo para falarmos sobre isso, porque ainda não iniciamos o processo de composição conjuntamente. Estamos a reinterpretar as nossas músicas com este line up. Relativamente a influências, pelo que consigo depreender, penso que o som futuro talvez seja mais sujo, mais pesado, vamos tentar buscar coisas novas… Há o desejo de fazer algo diferente do EP, abrir mais os horizontes, alicerçados nos sons pesados e arrastados; agora, vamos ver como as coisas evoluem.

Como está o processo de composição e gravação do vosso primeiro álbum?
R. R.: Ainda está na fase inicial, porque com as mudanças de line up, a banda parou cerca de meio ano e não fazia muito sentido estar a compor muitas coisas e depois parar tudo e enquadrar nessas mesmas composições os novos elementos, bem como ensinar-lhes os temas antigos. Achamos por bem parar e realizar uma coisa de cada vez, com uma boa integração dos novos elementos.

Para terminar: planos para o futuro próximo dos LÖBO?
P. B.: Para além de ensaiar muito, tentar criar coisas novas para o nosso álbum. Talvez haja um lançamento ainda antes, mas vamos esperar para ver as novidades. Vamos tentar dar mais alguns concertos até ao Verão e, depois, até ao final do ano, talvez já com alguns temas novos.
R. R.: E, se tudo correr bem, gravar o álbum ainda em 2011, acho que seria ouro sobre azul. 

(Gostaríamos de agradecer à Joana Cardoso a facultação das fotos e ao Side B todas as facilidades concedidas para a entrevista).

Temple Of Doom Metal

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ab Reo Dicere (22.04.2011) - Clorange/Lengua Mortuoria/Dormant Inferno

Clorange - Clorange (EP) 2010

Trabalho de estreia desta banda que nos chega de Nashville, composto por quatro temas baseados no doom e no stoner metal, com vocalização feminina, aliás como já vem sendo hábito em colectivos que unem estes dois estilos musicais.
Sendo um debut, é normal que as influências estejam um pouco mais presentes e por aqui ressaltam logo os Electric Wizard, os Sleep e os Jex Thoth, para além do legado sabbathiano sempre audível nestas sonoridades.
Este EP inicia com um pequeno instrumental, "Haze", que indica as coordenadas para a meia hora seguinte: doom/stoner que já foi revisitado inúmeras vezes, com algumas linhas interessantes e algum experimentalismo à mistura, principalmente em "Lunar Schock Delirium", melhor tema deste registo. No entanto, nota-se que ainda há muito caminho para desbravar, no sentido de conseguirem algo mais consistente; assim o esperamos. (10.5/20)

English:
Working debut of this band that comes from Nashville, with four songs based on doom and stoner metal, with female vocalization, as has already been a habit in collectives that unite these two musical styles.
As a debut, it is normal that the influences are a little more present here and just point out the Electric Wizard, Sleep and Jex Thoth, in addition to the sabbathian legacy always audible in these kind of sounds.
This EP starts with a short instrumental, "Haze," which indicates the coordinates for the next half hour: doom/stoner that has been revisited numerous times, with some interesting lines and some experimentation to the mix, especially in "Lunar Schock Delirium", best song of this record. However, there is still a long way to clear in order to get something more consistent; hopefully. (10.5/20)


Lengua Mortuoria - Viaje Negro (EP) 2010

Não foram precisos muito segundos para perceber que a audição deste EP dos argentinos Lengua Mortuoria iria ser, de facto, uma viagem bem negra. O que temos aqui são três temas de drone/ambient que poderiam servir de banda sonora para um qualquer filme de terror de série B. Temos por aqui linhas de baixo cheias de distorção que comungam com grandes sequências atmosféricas a pender para o fantasmagórico, ou abordagens quase minimalistas, claustrofóbicas, onde algumas vozes deambulam num plano longínquo e são abafadas por elementos noise, acrescentando uma maior carga dramática a este trabalho.
A viagem termina com "Millones de Pequenos Horrores", um longo tema de 15 minutos que perscruta o mais profundo da nossa mente; tortuoso e tenebroso. 
"Viaje Negro" não é fácil de ouvir e digerir, mas aí poderá estar a mais-valia deste trabalho: a necessidade de contínuas audições, para que cresça e cause corrosão e mal-estar nos seus ouvintes. (11.0/20)

English:
We didn’t need many seconds to realize that hearing this EP of Argentines Lengua Mortuoria would be indeed a very dark journey. What we have here are three themes of drone/ambient that could serve as a soundtrack for any horror film in a B series. We hear bass lines filled with distortion that they share with great atmospheric sequences to tilt to the ghostly, or almost minimalist approaches, claustrophobic ones, where some wandering in a plane distant voices are stifled by noise elements, adding a greater amount of drama to this work .
The trip ends with "Millones de Pequenos Horrores," a 15-minute long song, that investigates the depth of our mind; devious and sinister.
"Viaje Negro" is not easy to hear and digest, but there may be the added value of this work: the need for continued hearings, to grow and cause corrosion and malaise in their listeners. (11.0/20)


Dormant Inferno - In Sanity (demo) 2011

Quem tomar contacto com este trabalho de estreia dos indianos Dormant Inferno, ficará, logo no início de "Failed Experiments", com a sensação que uma tempestade se afigura no horizonte e que arrebenta nas nossas colunas poucos segundos depois, levando-nos na forte corrente onde o doom/death reinam, a melancolia é omnipresente e os anos 90 estão, também, ali à espreita.
Estes três temas são feitos destes elementos, mas não só. Profundos growls que, a espaços, alternam com vocalizações mais rasgadas - como em "Ashes", por exemplo -, riffs pesadões, secção rítmica segura e dinamismo nos temas, não sendo raro que a meio dos temas as coisas se aproximem um pouco do mid-tempo, mostram um trabalho elaborado e com qualidade.
O trabalho vale pelo seu todo, não havendo nenhum tema que se destaque ou que contenha uma malha que continue a martelar-nos na cabeça após o fim da demo. Apesar disso, existe homogeneidade no seu conjunto, não soam desgarrados, o que lhes permite sonhar com voos mais altos, num género que tem estado um pouco dormente ultimamente. (11.7/20)

English:
Who have contact with this debut work of Indian Dormant Hell, will be right at the beginning of "Failed Experiments," with the feeling that a storm appears on the horizon and that is striking in our columns a few seconds later, taking us into the strong current where the doom / death reign, melancholy is pervasive and the 90 are also lurking there.
These three themes are made of these elements, but not only. Deep growls that, in space, alternating with more vocalizations torn - as in "Ashes," for example - lumbering riffs, rhythm section and drive safely on issues, it is not uncommon for half of the subjects to approach things a little mid -time, show an elaborate and quality.
The work draws on the whole, there was no single theme that stands out or contains a loop that continues to pound us in the head after the end of the demo. Nevertheless, there is homogeneity in the whole do not stray sound, allowing them to dream of flying higher in a genre that has been somewhat dormant lately. (11.7/20)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Alunah - Call Of Avernus (2010)

Os Alunah chegam-nos de Inglaterra, mais precisamente do eixo Birmingham-Coventry e lançaram o seu primeiro longa-duração através da Catacomb Records. Composto por nove temas, todas elas alicerçadas numa base stoner/doom metal, mas que incorpora no seu som, com alguma frequência, elementos ligados ao psicadelismo e injecta-lhes uma boa dose de groove.
Até aqui o percurso da banda de Sophie Willet, Dave, Gaz e Jake foi sem grandes sobressaltos, com uma exposição crescente através de lançamentos - uma demo, um EP e um split com os Queen Elephantine -, que lhes foram granjeando uma maior visibilidade, dando a conhecer as suas composições a um maior número de pessoas e suscitando o devido interesse.
"Call Of Avernus", o chamamento para o sub-mundo, para o Hades, mostra-nos não uma banda em queda para estas profundezas, mas algo já bem enraizado, coeso, com ideias definidas quanto ao som que quer atingir - afinal, as demos para que servem, para além de cartão de visita?. Começando com dois temas que se aproximam do mid-tempo, dando a impressão que os Alunah deixaram para trás as toadas bem lentas do EP "Fall To Earth", o álbum entra numa toada mais "familiar" a partir do tema "Song Of The Sun" - single óbvio, caso houvesse! -, onde se nota a exploração de novos caminhos musicais, deixando a voz de Sophie fluir, com mais ou menos efeitos, mas que marcam estes temas com o seu particular timbre, que de outra forma tornaria tudo um pouco mais banal - o que não quer dizer fraco ou mal executado, entenda-se! Há aqui espaço para quase tudo: momentos mais a rasgar, outros mais comedidos, algum experimentalismo que se cruza com riffs monolíticos que desembocam em solos bem encaixados - onde o wah-wah acaba por ficar tão bem... enfim, tão variado quanto possível, a léguas de ser monótono ou maçador.
Com "Call Of Avernus", o leque de escolhas alargou-se, dando mais espaço para a banda evoluir e dar maior dimensão aos seus temas. Quem acompanha o projecto desde "Crystal Voyage", reconhecerá o processo de amadurecimento deste quarteto e que estes 50 minutos mostram-nos um trabalho meritório, embora sem grandes novidades no espectro stoner/doom, que vale pelo seu todo e que cresce a cada audição. Não é um trabalho entretido, mas garante o seu tempo. (13.2/20)

English:
The Alunah reach us from England, specifically the Birmingham-Coventry axis and released their first full-length through Catacomb Records. Comprising nine tracks, all anchored on a stoner/doom metal, but incorporates into their sound, with some frequency, elements associated with psychedelia and injects them with a good dose of groove.
So far, the band`s route of Sophie Willet, Dave, Gaz and Jake has been no major surprises, with an increasing exposure through releases – a demo, an EP and a split with Queen Elephantine -, they have been garnering increased visibility making known their compositions to a greater number of people and arousing the interest due.
"Call Of Avernus", calling to the underworld, to Hades, shows us not a band to fall for these depths, but something already well established and cohesive, with definite ideas about the sound they want to achieve - after all, what are the demos, in addition to business cards?. Starting with two themes that are approaching the mid-tempo rhythm, giving the impression that Alunah left behind the very slow tunes from the EP "Fall To Earth", the album goes into a tune more familiar from the song "Song Of The Sun "- obvious single, if there was! -, which notes exploring new musical paths, leaving the voice of Sophie flow, with more or less effect, but that mark these issues with her particular timbre, which otherwise would make things a little more banal - not mean weak or poorly executed, I mean! There is room here for almost everything: more time to tear, others more restrained, some experimentalism that intersects with monolithic riffs that lead to solos firmly in place - where the wah-wah ends up as well ... at long last, as varied as possible, the leagues to be monotonous or boring.
With "Call Of Avernus," the range of choices has widened, giving more space for the band evolve and give more dimension to his songs. Anyone who follows the project from "Crystal Voyage," will recognize the process of maturation of this quartet and 50 minutes they show us a meritorious work, but no big news in the spectrum stoner / doom, that worth the whole  and it grows every hearing . Not a fun job, but ensures your time. (13.2/20)