domingo, 20 de novembro de 2011

An Evening [Before The Rain] + Corpus Christii (Apresentação de 'Frail')

Quem teve a oportunidade de se deslocar à República da Música, em Lisboa, no passado dia 10 de Novembro, certamente que não terá dado o seu tempo por mal empregue. O facto de se tratar de uma quinta-feira, não terá pesado em demasia na turba que se deslocou a este espaço, em Alvalade. Afinal, tratava-se da apresentação do álbum de uma das melhores propostas nacionais ao nível do Metal, ‘Frail’ o segundo longa-duração dos [Before The Rain].
Perante uma boa moldura humana, a banda arregaçou as mangas logo desde o início, no intuito de demonstrar e explanar o poder e a qualidade das propostas que, actualmente, tem entre mãos. Arrancando com ‘Somewhere Not There’, faixa presente no split com os finlandeses Shape Of Despair, o quarteto mostrou claramente ao que vinha, suportado por um som equilibrado e coeso de entre o qual sobressaíram os solos de Valter Cunha e a voz de Gary Griffith.
Dado o mote para uma actuação que primou pela segurança, ‘Frail’ começou a ser debitado, do qual se destacam as prestações para ‘Shards’, ‘A Glimpse Towards The Sun’ ou a belíssima ‘Breaking The Waves’, temas que foram sendo “atirados” ao público com uma nua e crua subtileza, desarmante para quem tem vindo a conviver com estes temas da há algum tempo a esta parte. Canções maduras, distantes de ‘One Day Less…’, aqui unicamente representado por ‘Wounds Of Rejection’, canções que buscam outras e novas paragens, tanto a nível musical como ao nível dos temas explorados nas letras.

       
         
A coroar uma exibição muito bem conseguida, ‘And The World Ends There’, antecipada por um “we’re gonna play it long and we’re gonna play it slow”, pela voz de Gary Griffith, que ao longo dos quase 80 minutos de concerto encarnou na perfeição estes temas, dando-lhes uma vívida carga expressiva, tornando-se em mais um ponto favorável para a banda.


Agora com três guitarras, pontificadas pelo trabalho, ora em tons de uma limpidez quase dolente ora explodindo em riffs fortíssimos, de Valter Cunha, dono de alguns dos melhores feedbacks ouvidos durante muito tempo, Carlos Monteiro e Gary Griffith; toda esta estrutura musical encontra-se suportada por uma secção rítmica que se apresentou segura e oleada, aguentando firmemente nas cordas do pulsante baixo de Pedro Daniel e nos ritmos cadenciados e marcantes de Joaquim Aires, contribuindo para o resultado final bastante positivo e deixando um excelente prenúncio para as seguintes datas que se avizinhavam.

             

Na primeira parte desta apresentação, estiveram os Corpus Christii, que aproveitaram para apresentarem, por paragens lisboetas uma vez mais e após a digressão europeia realizada com os Inquisition, Revenge e The Stone, o seu mais recente registo, ‘Luciferian Frequencies’, novo marco de qualidade e perseverança de uma das certezas do black metal nacional, que é a banda de Nocturnus Horrendus.
Com enfoque nos dois últimos trabalhos de estúdio, foram destilados, com a acutilância que se lhes reconhece, temas como ‘Crystal Glaze Foundation’, ‘Deliverer Of Light ou ‘The Wanderer’, sem esquecer passagens por momentos mais antigos como ‘The Fire God’ ou ‘Constant Suffering’, marcando um agradável início de noite que se queria de emoções fortes.

Temple Of Doom Metal

Fotos: Temple Of Doom Metal

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Bong - Beyond Ancient Space (2011)

Esta banda de Newcastle, do ponto de vista discográfico, é, no mínimo, estranha! Senão vejamos: antes de lançarem o seu primeiro álbum ou outro registo em nome próprio, ou seja, por entre um conjunto de splits chegaram ao mercado dois álbuns ao vivo e, após o EP "Bethmoora", em 2008, uma compilação… de temas inéditos que versam em torno da temática "Easter Sunday". No seguimento de cada álbum, há sempre registos ao vivo subsequentes - após o disco "Bethmoora", de 2009, foram lançados quatro registos ao vivo! Não queremos com isto dizer que há modelos definidos ou pré-estabelecidos de promoção e/ou divulgação de projectos, somente salientamos a estratégia atípica no caso particular dos Bong.
Quem passar umas horas pela discografia da banda, não negará o seu gosto pelo palco e, sobretudo, o gosto em poder legar as experiências das suas actuações, mostrando que esta não é uma banda de canções, mas antes de jam sessions e quer os registos de estúdio quer as performances ao vivo demonstram essa vertente deste quarteto.
Assim, este "Beyond Ancient Space", do alto dos seus quasi 80 minutos, divide-se em três longas jams e, comparativamente ao passado, as coisas mantêm-se sem grandes alterações, no mesmo patamar, onde para além da duração dos temas continuar a ser levada ao extremo - talvez aqui ainda um pouco mais -, continuam os ritmos ultra-lentos, as atmosferas que misturam uma densidade obscura com um misticismo com leve travo a oriente, muito por culpa de um Mike Vest que aqui marca um belo, mas discreto, trabalho de guitarra e de uma presença bem mais notória do trabalho de Ben Freeth na cítara e shahi baaja, enquanto Dave Terry encarrega-se de vocalizações que mais lembram cânticos no mais profundo êxtase ao mesmo tempo que retira das cordas do seu baixo os sons que conferem o ar mais doente deste registo.
Aqui, não iremos encontrar um golpe de génio como foi a versão de "Set The Controls For The Heart Of The Sun", mas antes um puxar para diante o som dos Bong, ir ao limite, sem macular a sua identidade e sonoridade. Mas falta qualquer coisa que o torne realmente empolgante.
Quem conhece, vai gostar, certamente. Quem tomar contacto com a banda através deste álbum, torcerá o nariz ou então levará o seu tempo a incorporar mais esta experiência sónica. (12.8/20)


English:
This band from Newcastle, in terms of discography releases, is a little bit strange. Consider this: before their first album or other record on their own behalf, not through a set of splits, entered the market with two live albums, and after the EP 'Bethmoora' in 2008, a compilation of... unpublished songs, dealing around the 'Easter Sunday' theme. Following each album, there is always subsequent live records - after the disc 'Bethmoora', 2009, were released four!
This is not to say that there are defined pre-established guidelines for promoting and/or disclosure projects, we are only emphasizing the atypical strategy in the particular case of Bong.
Those who spend a few hours with the band's discography, cannot deny their taste for stage performances, and especially likes to bequeath their experiences of their concerts, showing that this is not a band of songs, but a jam session one and studio records or live acts demonstrate this aspect of this quartet.
Thus, 'Beyond Ancient Space', from the top of its almost 80 minutes, divided into three long jams, and compared to the past, one say that things remain without major changes, where beyond the length of the tracks continue to be taken too far - maybe a little more here - still the ultra-slow rhythms, atmospheres that blend an obscure density of mysticism with a slight oriental aftertaste, much by the fault of Mike Vest’s beautiful guitar work, and a more visible presence and the work of Ben Freeth on the sitar and shahi baaj, while Dave Terry is in charge of vocalizations that are more reminiscent of songs in the deepest ecstasy while off the strings of his bass the sounds extracted give us the sickest parts of this record.
Here, we will not find a stroke of genius as the version of 'Set The Controls For The Heart Of The Sun', but a pull on the Bong’s sound, going to the limit, without tarnishing his identity and sound. But there is something missing that makes it really exciting.
Who knows, you'll like, indeed. Those who make the first contact with the band through this album, will twist the nose or will need lots of time to incorporate this latest sonic experience. (12.8/20)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lançamento Oficial de 'Frail' - [Before The Rain]


'Frail', um dos álbuns mais marcantes do panorama metálico português, e do espectro do Doom Metal em particular, para este ano de 2011 irá ter a sua festa de apresentação no próximo dia 10 de Novembro, na República da Música, em Lisboa, com o início das actuações prevista para as 21:30 horas.
A par dos [Before The Rain], que irão realizar um concerto único em Portugal de divulgação a este mui aguardado trabalho, teremos os lisboetas Corpus Christii como convidados especiais.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Under The Doom Metal Fest (2011)


No próximo dia 22 de Outubro irá realizar-se o "Under The Doom Metal Fest", no Side B, em Benavente.
O cartaz é composto por 5 bandas, duas delas internacionais, os Solar Flare e os Rorcal, ambos provenientes da Suíça, dois projectos nacionais, os Why Angels Fall e os Insaniae e os Mother Of The Hydra que conta no seu lineup com elementos portugueses e suecos. Estes últimos, enquadram a sua sonoridade na linha do Black Metal.
Esta será mais uma noite dedicada ao Doom Metal, no seguimento do Major Label Industries Festival, levado a cabo em Março deste ano e que reuniu os Process Of Guilt, Mourning Lenore, Löbo e os Insaniae.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dutch Doom Days X (2011)

Na décima edição do 'Dutch Doom Days', que se realizará entre 11 e 13 de Novembro, em Baroeg, próximo de Roterdão, regista-se a presença de duas bandas portuguesas: os açorianos A Dream Of Poe e o setubalenses Before The Rain.
Os A Dream Of Poe, lançaram no início deste ano o seu primeiro álbum, 'The Mirror Of Deliverance' e marcarão presença no primeiro dia do festival, enquanto o Before The Rain subirão ao palco no dia 12 e, certamente, o ponto central da sua actuação será  a novidade 'Frail'.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Abstract Spirit - Horror Vacui (2011)

Funeral Doom Metal, movimento III! 2011 vê o regresso dos moscovitas Abstract Spirit com mais um álbum, após a estreia 'Liquid Dimensions Change', de 2008, e 'Tragedy And Weeds' no ano seguinte. Quem já se cruzou - ou melhor, foi abalroado! -, com a sonoridade deste trio já sabe muito bem com o que pode contar, bastaria ler a primeira frase deste texto. Para os 'novatos', este 'Horror Vacui' acaba por ser a descoberta da banda no se u passo seguinte, ou seja, não é o aprimoramento da fórmula, com retoques aqui ou ali, mas um aprofundamento da sonoridade, com algumas novas tonalidades até aqui pouco exploradas.
A meia-dúzia de temas, mais o interlúdio de faceta ambiental 'Vigilae Mortuorum (Interludium)', que fazem parte deste trabalho parecem ainda mais lentos e guarnecidos de uma dimensão épica. Essa impressão fica logo patente na abertura, com 'Beyond Closed Eyelids', onde a par dos riffs imensos e incomensuravelmente pesados de M. Hater e da voz gutural cortesia de I. Stellarghost, surge uma maior incorporação de teclados e passagens de piano, permitindo aos temas respirarem da sua hipnótica e lenta violência, o que proporcionará ao ouvinte, por conseguinte, algum tempo para recuperar o fôlego antes de voltar a ser engolido por esta massa sonora gigantesca.
Ao longo deste 70 minutos, cai sobre nós uma negritude funérea, criando uma atmosfera doentia, comiserável, um monumento que se constrói lentamente, numa subtil e arrepiante progressão, dantesco que esbarra na nossa frente, deixando-nos com uma sensação de mal-estar perturbadora. Os coros, quais lamúrias desta ode mortífica, funcionam como leves bálsamos, momentâneos, ao longo deste trajecto por hediondas paisagens.
Este álbum resulta como um só, rochedo indivisível, esmagador, quer pela sua coerência estilística e sonora mas, também, pela cadência que os próprios temas têm, entrelaçando-se uns nos outros bastante naturalmente. Apesar disso, algo mais ressalta ao escutarmos 'Post Mortem' e 'Pulse'.
'Horror Vacui', não sendo um trabalho perfeito, nem inovador, tem no condão da sua coesão e poder sonoro e estilístico a capacidade de afirmar os Abstract Spirit como uma das melhores bandas do segmento na Rússia e na Europa, capaz de poder vir a ombrear com os alemães Ahab.
Por nós, os últimos 70 minutos do Apocalipse já têm banda-sonora. (16.3/20)

English:
Funeral Doom Metal, movement III! 2011 sees the return of Moscow Abstract Spirit with another album after the debut ‘Liquid Dimensions Change’, in 2008, and ‘Tragedy And Weeds’ in the next year. Anyone who has ever crossed - or rather, was rammed! - with the sound of this trio, knows quite well what can count on, just need to read the first sentence of this text. For the 'newbie’s', this 'Horror Vacui' turns out to be the discovery of the band at their next step, specifically, not on improving the formula, with touches here and there, but looking forward for a deeper sound with some new ideas up till now little explored.
The half-dozen tracks, plus the ambiental interlude 'Vigilae Mortuorum (Interludium)', which are part of this work seem even slower and look a bit more epic. This impression is immediately evident in the opening song, "Beyond Closed Eyelids', where side by side with immense and immeasurably heavy riffs, played by M. Hater and deep guttural voices courtesy of I. Stellarghost, there is a greater incorporation of keyboards and piano passages, allowing those songs to breathe from their slow and hypnotic violence, which will provide the listener, therefore, time to catch his breath before returning to be swallowed by this huge mass of sound.
During these 70 minutes, falls upon us a funereal blackness, creating an unhealthy atmosphere, miserable, a monument that is built, slowly, in a subtle and chilling progression, in a Dantesque way that collides against our senses, leaving us with a feeling of malaise disturbing. The choirs, which laments along this deadly ode, act as light balms, momentary, along this route by hideous landscapes.
This album turns out as one, indivisible rock, overwhelming, both for its consistency of style and sound but also by the cadence that have their own tracks, weaving them into each other quite naturally. Yet, we need to emphasize 'Post Mortem' and 'Pulse'.
'Horror Vacui', not being a perfect record, or innovative, has the knack to show a very intense cohesion and power of their sound and stylistic ability to affirm Abstract Spirit as one of the best bands in the funeral segment in Russia and in Europe, capable of being able to comparable with the Germans Ahab.
For us, the last 70 minutes of the Apocalypse have already a proper soundtrack. (16.3/20)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Wreck Of The Hesperus - Light Rotting Out (2011)

Ao longo dos anos em que os irlandeses Wreck Of The Hesperus têm estado em actividade, habituamo-nos a duas coisas: primeiro, a trabalhos extremos. Segundo, a não sabermos quão extrema poderá ser a novidade que se segue por parte deste trio atormentador de almas. Tem sido assim desde a demo 'Terminal Dirge' ou, se preferirem, do EP 'Eulogy For The Sewer Dwellers' e o seguintes lampejos de actividade são a prova que a banda de Dublin reforça a sua postura no panorama metálico irlandês e europeu.
Chegados a 2011, os três temas que compõem este 'Light Rotting Out' confirmam o exposto e, também, o aumento do grau de insanidade musical e visceralidade patente em cada descarga musical ou vociferada por AC Rottt. O podredo instala-se ao longo destes 40 minutos, em doses colossais, directas e incisivas, como são os casos de 'Kill The Monument' e 'Cess Pit People'. O terceiro e último tema, 'The Holy Rheum', dividido em duas partes, é ligeiramente mais comedido - na falta de um termo mais adequado -, onde há espaço para dar largas à introdução de um saxofone em 'I - Night Of Negative Stars', adensando o clima doentio já existente e à presença, discreta mas magnânime no seu tom muito pregadordoapocalipse, de Albert Witchfinder, na segunda parte, 'II - Hologram Law', onde a letra mais não é do que uma adaptação do Salmo 102. Apesar disso, em nada se desprende dos dois primeiros assombros, mostrando que 'Light Rotting Out' é, na nossa opinião, o trabalho mais conseguido da banda e que os pode anunciar como um dos projectos cimeiros das correntes mais extremas das franjas do Doom Metal. Dizer que estamos perante Funeral Doom é bastante redutor, pois aqui abraçam-se estilos como o Sludge mais sujo e bruto e Ambient/Drone, conferindo um tom algo apocalíptico e obscuro às músicas.
A par dos Murkrat, este poderá ser um dos álbuns que mais nos chamou à atenção ao longo deste ano e, curiosamente, chegam ao mercado com o selo da britânica Aesthetic Death, que preparou um artwork bem especial para este trabalho, digno de peça de colecção. (17.5/20)

English:
Over the years, the Irish Wreck Of The Hesperus accustomed us two things: first, to wait for extreme records. Second, we do not know how extreme can be a novelty from this tantalizing trio of souls. It's been like this since the demo 'Terminal Dirge' or, if you prefer, the EP 'Eulogy For The Sewer Dwellers' and following flashes of activity are the proof that the band from Dublin strengthens its position in the Irish and European metal scene.
Arrived in 2011, the three themes that compose this 'Light Rotting Out' confirm the above and also the increased degree of musical insanity and visceral patent in each discharge or ranted by AC Rottt. This rotting sounds settles over the 40 minutes in huge doses, direct and incisive, as in the case of 'Kill The Monument' and 'People Cess Pit'. The third and last song, 'The Holy Rheum', divided in two parts, is slightly more restrained – in the lack of a better term - where there is room for unlocking the introduction of a saxophone in 'I - Night Of Negative Stars ', densifying the existing unhealthy climate and the presence, quiet but very magnanimous in their tone of preacheroftheapocalypse, Albert Witchfinder, in the second part,' II - Hologram Law ', where the lyrics are nothing more than an adaptation of Psalm 102. Nevertheless, it doesn’t comes off the first two astonishing tracks, showing that 'Light Rotting Out' is, in our opinion, the band's most accomplished work and that can advertise as one of the top list of current projects of the more extreme fringes of Doom Metal . To say that we are facing a Funeral Doom album is very reductive, because here they embrace styles like Sludge, the rude and gross, or Ambient/Drone, giving a somewhat apocalyptic and obscure tone to the songs.
Together with Murkrat, this may be one of the albums that most caught our attention this year and, interestingly, achieves the market with the seal of the British Aesthetic Death, who prepared a very special artwork for this work, worthy piece of collection. (17.5/20)