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sábado, 28 de maio de 2011

MurkRat - Drudging The Mire (2011)

"Listen to me!" são as primeiras palavras que ecoam em "I, Rodent", após a intro desconcertante e iniciática que é "Processional: Drudging The Mire". E, de facto, a partir deste momento impossível não estarmos atentos à voz de Mandy VKS Cattleprod (criadora do artwork para bandas como os Mournful Congregation, Stone Wings ou Lycanthia), que baloiça entre o doce canto fúnebre e o grito demoníaco, inserido num conjunto de temas extremamente bem sacados, homogéneos, enquadráveis num funeral doom que ao mesmo tempo nos soa bem negro e angélico ao qual se adicionam ocasionais espasmos avantgarde, tudo bem assente nas omnipresentes teclas que constituem a base deste trabalho. As guitarras ocupam um lugar secundário, quase de mero apoio nas principais linhas que constituem os oito temas deste segundo longa-duração do projecto desta australiana. Tudo isto é suportado no trabalho de Neil Dyer, no seu drumkit, que reforça a toada de miserabilidade que se ouve ao longo destes 72 minutos.
A primeira metade do álbum reserva os melhores temas, evidenciando a evolução que o projecto sofreu desde a estreia homónima, em 2008, explorando um pouco melhor as atmosferas que este género de música pode proporcionar - caso de "World", um tema nitidamente ambient -, ou então o já referido "I, Rodent" ou "Faceless", que pela sua hipnótica e doentia força nos vão ficando a martelar na cabeça. Os últimos três temas, não contando com "Berceuse - Slow Immersion" que mais não é do que um epílogo desta tormenta, apresentam-se bastante longos, em média rondando os doze minutos, e constituem o seguimento dos temas citados, onde a qualidade não baixa de forma assinalável, existe coesão e sem fillers, acabando por "Drudging The Mire" ser um todo sem partes indissociáveis e define com maior nitidez, confirma e cristaliza o som MurkRat, projecto este saído da tortuosa mente de Mandy, que assume a voz, guitarras, baixo e teclas neste trabalho acima da média, e que nos chega pela mão da britânica Aesthetic Death.
Num ano em que ainda são muito poucos os trabalhos que nos deixaram ficar realmente colados à cadeira, onde tem imperado a mediania, estamos em crer que da Austrália chegou uma das melhores propostas neste segmento musical e, esperamos, seja o mote para uma segunda metade de 2011 de maior qualidade. Listen to her! (17.2/20)

English:
"Listen to me!" are the first words that echo in "I, Rodent", after the disconcerting and annoying intro that is "Processional: Drudging The Mire". And, in fact, from this moment it is not possible not to be attentive to Mandy VKS Cattleprod’s voice (who created the artwork for bands like Mournful Congregation, Stone Wings or Lycanthia), that bounces between the sweet funeral chant and the devilish scream, inserted in a set of extremely quite withdrawn songs, homogeneous, fitting in a funeral doom sound that at the same time strikes us quite black and angelically to which occasional spasms are added of avant-garde music, completely well suit the omnipresent keys that constitute the basis of this work. The guitars occupy a secondary place, almost of mere support in the principal lines of the eight black gifts that constitute this long-duration from the project of this Australian. All of this is supported in the work of Neil Dyer, in his drumkit, which reinforces the melody of misery that is heard along these 72 minutes.
The first half of the album reserves the best songs, showing up the evolution the project suffered from the homonymic first record, in 2008, exploring much better the atmospheres that this type of music can provide - case of "World", clearly ambient-, or then the already above-mentioned one "I, Rodent" or "Faceless", with its hypnotic and unhealthy necessity in going on and on around our head. The last three moments, not counting "Berceuse - Slow Immersion", an epilogue of this quite long storm, on average patrolling twelve minutes, and they constitute the continuation of the quoted songs, where the quality does not go down, there is cohesion without fillers, making this " Drudging The Mire " an all without parts left behind and defines with bigger clarity, it confirms and crystallizes the MurkRat sound, this project gone out from Mandy's winding mind, which assumes the voice, guitars, bass and keys in this work above the average, and that in the reprimand for the hand of the Briton Aesthetic Death.
In a year which there are still very little records that let us be really glued to the chair, where the median quality has been ruling, we are in believing what of the Australia brought near one of the best proposals in this musical segment and, wait, be the motto for a second half of 2011 of bigger quality. Listen you it her! (17.2/20)


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Apostle Of Solitude - Last Sunrise (2010)


Cerca de ano e meio após o lançamento de "Sincerest Misery", o seu primeiro longa-duração, os norte-americanos Apostle Of Solitude surgem com uma nova proposta, este "Last Sunrise", agora com selo da Profound Lore Records.
E quem tomou contacto com esse debut, sabe já muito bem com que linhas se cose Chuck Brown e Ca., ou seja, um Doom Metal de linhas clássicas, que vai beber a nomes como Witchfinder General, The Obsessed e Saint Vitus, por exemplo. E como diz o velho ditado "em equipa que ganha não se mexe", o que temos aqui ao longo desta dúzia de temas acaba por ser uma continuação da fórmula empregue no registo anterior, com boas linhas de guitarra, um ou outro solo, ritmos pausados e sóbrios, sempre a encaixar no timbre de Brown.
Este último nascer do sol inicia ao ritmo de marcha militar e desemboca em "Acknowledging The Demon", um tema mais mid-tempo que se une a "Other Voices" de forma imperceptível (ainda não se percebe como não é uma única peça musical!). É somente à quarta música que as coisas começam a entrar nos eixos e, de facto, "Letting Go Of The Wheel" é uma grande canção e a prova de que se pode muito bem fazer fazer bom Doom melancólico sem recorrer a grandes distorções. "Hunter Sick Rapture" parece piscar o olho a um feeling mais bluesy, alargando a paleta de cores num álbum que sem recorrer a grandes novidades acabaria por se tornar monótono.
Mas não pensem que o quarteto de Indianapolis está a amolecer, porque "December Drives To Tears" e "Frontiers Of Pain" demonstram bem a matriz por que se regem, onde o peso reina e até será possível fazer algum headbanging nesta última.
No final, mediante a versão europeia ou americana que seja adquirida, encontram-se três temas extra, correspondendo a tantas outras covers. Na versão para o Velho Mundo, as versões de "Emerald" de Thin Lizzy, "Where Eagles Dare" dos Misfists e "Procreation Of The Wicked" dos Celtic Frost não fogem em nada aos originais, passando por mero exercício de entretenimento para a banda e ouvintes. (13/20)

terça-feira, 16 de março de 2010

Serenades - The Light Inside (2010)

Os Serenades regressaram às lides discográficas no ano passado com "Father", um álbum devedor das suas influências góticas, mas que passou um pouco ao lado da crítica e do que deles se esperava, após 9 anos de interregno.
Mas, quem ouviu o lançamento de 2009 certamente ficará um pouco surpreendido com esta novidade. Para que se tenha uma ideia, parece que se juntaram na mesma sala de ensaios os Katatonia, os Ulver e Trent Reznor na sua vertente mais melancólica e o resultado final está nestes 8 temas que roçam o Atmospheric Doom de ambiências góticas. Aqui, as guitarras ocupam um segundo plano, atingindo uma dimensão quase acessória, dando primazia a ritmos bem lentos, mecânicos, frios e às teclas, enquanto que a voz de Valerio Capsoni paira, triste e amargurada, sobre esta massa sonora característica de uma fria e cinzenta tarde de Outono.

"The Light Inside" é extremamente melancólico, envolto em cenários bem soturnos que nos embalam numa descida ao interior da dilaceração, da tristeza e da comiseração, resultando num misto de beleza e desconforto que nos impele para, mais uma vez, mergulharmos neste álbum apesar da clara consciência dos negros sentimentos por que seremos invadidos ao longo de temas como "Eponine" ou do tema-título.
Apesar de bastante diferente do que têm vindo a apresentar, onde mesmo o EP "Joy Of Decay", lançado já este ano, não augurava tamanha inflexão, pode-se dizer que os Serenades ganharam a aposta e resta-nos aguardar por mais momentos destes.
Nota final: este álbum e o EP "Joy Of Decay" encontram-se disponíveis para download no myspace da banda. (13/20)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

The Wounded Kings - The Shadow Over Atlantis (2010)

Por vezes, discorrer em algumas linhas o que nos vai na alma sobre um determinado trabalho tem muito que se lhe diga devido ao facto de podermos estar perante uma grande surpresa, ser mais do mesmo sem momentos que nos cativem, sem mostras de originalidade ou de reinvenção/mistura das fórmulas de trabalho ou, por último, depararmo-nos perante algo que nos desilude ou que não gostamos. 
E este segundo álbum dos ingleses The Wounded Kings pode ser um bocadinho disso tudo para as diversas pessoas que se depararem com "The Shadow Over Atlantis", ou seja, para quem não conhece, certamente, não ficará desiludido, porque aqui pode verificar mais uma extensão do legado sabbathiano, com algumas nuances funeral doom e psicadélia (?), e terá mais um filão para explorar; para a maioria que já contactou com "Embrace Of The Narrow House", não existirão grandes surpresas, vão gostar e achar que é a primeira "bomba" de 2010 e apontarão aqui e ali elementos de destaque. Finalmente, também teremos os que irão dizer raios e coriscos, encontrando em todos os minutos deste registo motivos para apontar o dedo e lançar o vitupério.
Pois bem, este duo de Dartmoor parece que não deve ter ligado muito a uma possível reflexão deste género e o facto é que nos arremessam com mais 40 minutos de doom poderoso e cru, sem grandes contemplações, dividido por 6 temas (de entre os quais 2 pequenos instrumentais) que reforçam as linhas denunciadas no registo de estreia, de 2008, e dotam as suas músicas de uma carga ambiental cativante, conferindo-lhes uma dimensão extra que em muito abona o álbum. Os melhores exemplos para isso serão, talvez, os dois primeiros temas, "The Swirling Mist" e "Baptism Of Atlantis".
Neste novo ano/década que inicia, muita coisa se vai augurando, no que ao metal diz respeito, após um decénio extremamente variado e rico em produções musicais, mas o facto é que este "The Shadow Over Atlantis" acaba por ser a primeira grande referência no espectro do doom metal deste ano. (15/20)