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sábado, 31 de dezembro de 2011

Hanged Ghost - Knowledge Of The Occult (2011)

Cruento e obscuro, são os adjectivos que mais vezes nos passam pela cabeça durante este primeiro longa-duração dos portugueses Hanged Ghost. Lançamento efectuado através da Bubonic Productions e da Universal Tongue, composto por três temas e um pequeno epílogo, que sucede a duas maquetas em cassete, onde este duo de almas penadas nos mostrava bem as linhas com que se queria coser, com a sua música em balada num doom frio, bafiento, negro, sem grandes requintes ao nível da produção e da gravação, conferindo a este som um ar ainda mais mórbido/cativante (riscar o que não interessar), num estilo muito underground.
Ao longo deste 48 minutos, nunca saímos deste espectro de trevas, com uma banda-sonora apostada em descargas de riffs monolíticos, por vezes algo gélidos, que nos conduzem lentamente para um buraco negro onde a morte, a dor e o desespero que nos imiscuem e envolvem, num vagaroso e sufocante enleio.
'Knowledge Of The Occult' acaba por não ser muito diferente do que é possível ouvir nos registos anteriores e a falta de alguns momentos que marquem algumas 'rupturas' durante os temas, limita-os, ficando a sensação que estes carecem de mais algum dinamismo.  De qualquer forma, aqui fica mais uma proposta meritosa e que tão bem pode acompanhar as mentes mais negras durante estes frios e cinzentos dias de Inverno. (13.4/20)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ab Reo Dicere - Hanged Ghost / Lord Of The Abyss / Bosque-Lord Of The Abyss (Split)


Hanged Ghost - Remebrance Pt. II (2011)

Envoltos numa espessa neblina, eis que surgem dois seres entoando hinos de dor. A base é o doom/death metal, muito simples, sem grandes arranjos ou estruturas musicais muito complexas, obscuro, frio e deveras depressivo. Aqui, ao longo dos 11 minutos de 'Cursed, this Spirit Diseased', dá-se primazia a um som cru, uma produção sem qualquer requinte, reforçando esse lado bem negro da música e ao mesmo tempo das duas almas penadas que se exorcizam ao longo desta segunda demo do projecto. Soa a algo de primitivo, onde a voz é quase imperceptível, não dispensando uma leitura atenta do 'livreto' que acompanha a cassete (sim, parece que estamos perante um revivalismo da audição de temas em fita magnética!).
Esperam-se novos desenvolvimentos, dado que este momento iniciático deixou-nos com sabor a pouco. (11.6/20)


Lord Of The Abyss - Lord Of The Abyss (2011)

A Bubonic Productions tem o condão de ir às catacumbas mais profundas e trazer à luz do dia (mas sempre em dias cinzentos e tristes) alguns dos projectos mais underground que Portugal conhece. O caso destes Lord Of The Abyss (para nós, um dos melhores nomes dos últimos tempos) é mais uma prova disso. Dois longos temas, que no total rondam os 40 minutos, com base no drone/doom com características minimalistas, algo experimentais, onde uma bruta muralha sonora avança ao ritmo ultra-lento, esmagando que se atravesse no caminho. Som duro e áspero, custoso de ouvir e interiorizar, proporcionado pela quase inexistente produção, causando alguma indefinição no som, prejudicando a percepção e a dimensão destes mesmos temas que, pelo conteúdo das letras mais parecem duas preces a Satanás, sendo que 'Behold the Carrion...' atinge uma dimensão mais atroz e metafísica que a terrena e purulenta 'Whore... You Shall Be the Slave of macabre Deeds'.
Obscuro culto, segredo guardado no mais recôndito e fétido local do underground. (11.4/20)



Bosque/Lord Of The Abyss - Split (2011)

Enquanto não é lançado o sucessor de 'Passage', os Bosque vão nos entretendo com alguns temas que prenunciam algo de diferente, embora sem existirem mudanças significativas na sonoridade do projecto vilacondense. Aqui continuamos a estar perante momentos de doom funéreo, minimalista, abrasivo qb, mas um pouco mais "estruturado" e passagens bem mais definidas. E é aqui que reside essa diferença, tornando 'Stalactites Pt. I e II' mais fáceis de digerir e onde até se consegue vislumbrar alguma beleza, embora a voz de DM continue a soar como um longínquo eco se tratasse, sombra de si mesmo, lamento embalado nas guitarras sofridas e nos ritmos empoeirados. Catarse em pequena dose. (12.5/20)
Do outro lado da fita, encontra-se 'Enki... Our Eternal Dark God', mais uma grotesca invocação do Diabo, resultando muito bem naquele ambiente claustrofóbico que tão bem sabe gerar onde pontificam os berros que parecem rasgar o que resta da alma de quem se purga no meio de uma parafernália sonora, quase roçando a cacofonia, levando-nos a pensar que estamos perante um mero exercício de improviso. Ainda estão à procura, certamente, da melhor equação para o seu som, dadas as alterações que se podem confirmar entre este e os seus anteriores registos. (10.9/20)

sábado, 29 de maio de 2010

Why Angels Fall - The Unveiling (2010)

De tempos a tempos, somos confrontados com álbuns que ultrapassam essa simples esfera do registo musical e revelam-se autênticas experiências sensoriais, que nos deixam aturdidos e a remoer, durante vários dias no nosso íntimo, a forma de os poder abordar.
E este primeiro longa-duração dos portugueses Why Angels Fall encaixa, perfeitamente, nesse restrito grupo de trabalhos.
Dividido em dois longos temas, repartido, cada um, em três partes, "The Unveiling", desde os primeiros segundos, carrega uma aura e um poder completamente arrebatadores, engolindo-nos para o centro de um choque de emoções e, após o término do officium, nos atira violentamente ao chão ainda mal refeitos da vertigem que dura mais de 77 minutos.
Aqui, parece que nada foi deixado ao acaso; desde a estruturação dos temas, à mensagem, passando pelo artwork, tudo está interligado e só funciona assim, não sobrevive de partes isoladas.
Focalizando, agora, no que aqui nos traz, a música, "The Unveiling" e "Neo Genesis" são dois temas colossais, tanto pela sua duração e, sobretudo, pela qualidade que patenteiam. Foram sete anos de trabalho para erigir esta montanha, composta por partes que nos fazem lembrar uns Anathema (da fase "Serenades"/"The Silent Enigma"), como minutos depois nos fazem andar de mão dada com uns Dead Can Dance até que ressoam nas colunas linhas de pensamento baseados em passagens bíblicas do Antigo e Novo Testamento, bem como outros não bíblicos, sob uma banda sonora que nos agarra e transporta para um Apocalipse de luz.
Guitarras fortíssimas, ambientes comiseravelmente belos, contemplativos, vozes para todos os gostos e estados de espírito e, destaque para uma bateria que, de forma omnipresente mas discreta qb, segura toda esta estrutura tal, como o Atlas que às costas carrega a Terra. Tudo isto, a base para uma brutal introspecção.
Apesar de ser um registo de difícil digestão pelas razões aludidas e outras que nos escapam, talvez devido ao repetido estado ébrio em que estes temas nos colocam, "The Unveiling" é um trabalho de destaque, uma obra maior do Doom Metal nos últimos anos e que urge dar conhecimento porque, em Portugal, também se encontram diamantes. 
"Word that is, word that becomes" (19/20)