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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Grime - Grime (2012)

Os Grime, são um quarteto que nos chega de Trieste, na Itália e praticam uma sonoridade que tanto deve aos Black Sabbath como aos Eyehategod ou Sourvein, só para citar os casos mais imediatos; ou seja, para os mais distraídos, informa-se que navegam pelas águas bem lodosas do sludge/doom metal na sua vertente mais crua e suja, embora mantenham sempre à vista a melodia, garantindo desta forma o equilíbrio necessário, que lhes granjeou a atenção da britânica Mordgrimm, através da qual veêm lançado este seu trabalho de estreia - embora, desde meados do ano passado, pudesse ser escutado e comprado em formato digital, via bandcamp.
É certo que a fórmula sludge/doom já conheceu melhores dias, há muito deixou de ser novidade, encontra-se num patamar de sobrexposição e já tem a sua colheita de trabalhos icónicos, digamos, mas não podemos deixar de apreciar um bom disco e dizê-lo condicionados pelo anteriormente referido. Se trazem algo de novo ou se irão deixar a sua marca na história da música, isso já será outra conversa. E este registo de estreia dos Grime acaba por ser um bom exemplo disso mesmo: em pouco mais de meia hora, condensam riffs duros e sujos com ritmos lentos, a que se junta uma vocalização tipicamente do género. Temas como 'Self-Contempt' ou 'Charon' evidenciam qualidade, mostram bem as linhas com que a banda se cose, conseguindo agarrar o ouvinte e dar-lhe uns valentes abanões, mas no final fica um ligeiro travo a pouco, que faltava ali pelo meio algo que garantisse uma outra dimensão a este conjunto de temas.
Longe de ser um trabalho medíocre, este debut apesar de não trazer novidades proporciona bons momentos durante a sua audição, mas espera-se, para breve segundo a banda, por algo com mais substância de modo a garantir um longo tempo na playlist e a provocar-nos uma feliz dor de cabeça. (12.2/20)

Tracklist: 
01 - Self-Contempt / 02 - The Journey / 03 - Charon / 04 - Chasm / 05 - Born Sick / 06 - Wife-Beater



         http://www.infektion.pt/pr/

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Love Sex machine - Love Sex Machine (2012)

O que é que um amistoso suricata e um título como ‘Love Sex Machine’ fazem numa capa que tem como pano de fundo uma cidade em ruínas? Pois é! Também ficamos com essa cara de caso com que estão agora!...
‘Love Sex Machine’ é o trabalho de estreia da banda com o mesmo nome e movimentam-se por territórios hoje muito em voga, ou seja, misturam os sons mais arrastados do doom ao podredo do sludge, aqui polvilhados com uns toquezinhos de core; tudo bem equilibrado, com uma crueza, descomprometimento e visceralidade que nos deixam de queixo caído perante o poder sonoro debitado ao longo destes oito temas, que perfazem pouco mais de meia hora.
Perante as camadas de som que vão sendo expelidas pelas colunas, lá vamos conseguindo apanhar alguns dos berros de um vocalista completamente possuído, sem que haja uma única palavra perceptível. No entanto, perante títulos como ‘Anal On Deceased Virgin’, ‘Deafening Peepshow’ ou ‘Killed With A Monster Cock’, não estaremos muito longe de adivinhar a temática dominante apesar da banda indicar que as suas composições são “Songs about love”. Hilariante, no mínimo!
Apesar de não trazerem grande originalidade a um panorama que todos os meses dá a conhecer vários trabalhos, destacamos a enorme energia contida nestes temas que nos irão proporcionar um bom embalo para o que vem aí nos próximos tempos.
Quem quiser conferir sobre esta lista de obscenidades, ‘Love Sex Machine’ encontra-se disponível para download nas páginas oficiais da banda. (14.8/20)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dopethrone - Dark Foil (2011)

Imaginem o que aconteceria se os Sleep se juntassem a Blaine Cartwright, dos Nashville Pussy, na mesma sala de ensaio, após a elevada ingestão de álcool e outras substâncias: exacto! Possivelmente, estaríamos bem próximos do que podemos ouvir em ‘Dark Foil’, o segundo longa-duração dos canadianos Dopethrone. O trio de Montreal regressa, dois anos após ‘Demonsmoke’, com mais seis descargas de sludge/doom imbuídas de muito podredo e javardice, misturado com alguns samples de filmes de horror, erva e booze a rodos, reforçando uma certa afinidade com o NOLA sound.
Tal como o seu antecessor, ‘Dark Foil’ é lançado em edição de autor, sintoma de uma saudável teimosia e consciência do material que têm entre mãos, conhecedores do seu potencial, sem grandes compromissos ou respostas com ou quem quer que seja.
Riffs lentos e pesadões, com um pouco de groove é o que nos espera, aqui e ali com um ligeiro travo a southern (lá está, afinidades!), sentindo-se que o que aqui vale é a música pela música, quer ela tenha algum rasgo de originalidade ou não. O que importa é curtir os quase 45 minutos de duração deste álbum e, depois, voltar a carregar no play e continuar num lento headbanging, enquanto Vincent Houde nos vai relatando as suas histórias sempre no seu tom bem ríspido e negro.
Ali pelo meio, há a possibilidade de sermos contemplados com um momento de ligeira acalmia, com a cover de ‘Ain´t No Sunshine’, de Bill Withers (quem? – não interessa, mas fica muito bem!). O que importa é chegar ao final e relembrar “I’m not dead!”, no início de ‘Zombi Powder’. (14.5/20)

English:
Imagine what would happen if Sleep join Blaine Cartwright, of Nashville Pussy, in the same rehearsal room, after a high intake of alcohol and other substances: exactly! Possibly, we would be very close to what we can hear in 'Dark Foil', the second record of the Canadians’ Dopethrone. The trio from Montreal returns, two years after 'Demonsmoke', with six discharges of sludge / doom and imbued with very rotteness and squarol, mixed with some samples taken from horror movies, weed and booze to rakes, reinforcing a certain affinity with NOLA sound.
Such as his predecessor, ‘Dark Foil‘ is self-released , an healthy  symptom of stubbornness and conscience of the material that these guys have in hands, experts of his potential, without great promises, no major commitments or answers with anyone.
Slow and heavy riffs, with a little groove is what we can wait, here and there with a light bitterness of southern (there it is, affinities!), feeling that what here is worth is the music for the music, and no matter if it has some tear of originality or not. What matters is to enjoy these almost 45 minutes of duration of this album and, then, to overdo again the play and continue in a slow headbanging, while Vincent Houde is always reporting us his stories in his quite brusque and black tone.
Round about the way, is there the possibility to be contemplated with a moment of light lull, with the cover of ‘Ain't No Sunshine’, of Bill Withers (who? – it doesn’t matter, it sounds very well!).
What matters is to reach the end and to recall “I’m not dead!”, just like in the beginning of 'Zombi Powder'. (14.5/20)

Link: http://www.myspace.com/dopethronemafia

sexta-feira, 4 de março de 2011

Koloss - End Of The Chayot (2011)

Em sentido desde o primeiro segundo! É assim que começa este trabalho dos suecos Koloss; uma explosão sonora maciça que nos coloca logo no meio do cenário que nos acompanhará durante os 39 minutos seguintes: uma boa dose de sludge/doom metal, com ocasionais piscadelas de olho ao post-metal.
Pois é assim "The End Of The Chayot", um trabalho sem grandes rodeios, composto por uma mão cheia de temas coesos, sólidos, bem trabalhados, com uma parte instrumental agradável - apesar de inócua no que diz respeito a novidades - e linhas vocais fortes, bem ao jeito do que se espera num trabalho neste quadrante musical. No entanto, ao longo das sucessivas audições existe sempre um certo desconforto que nos invade; parece que já ouvimos algo parecido algures... tanto nos momentos mais atrozes como nas passagens mais contemplativas ou atmosféricas.
Parece-nos certo que ainda não se verificou uma descolagem relativamente às suas influências que abarcam momentos que giram em torno das toadas do post-hardcore, post-metal (o duo Neurisis a fazer mais quatro vítimas) e lampejos progressivos. Apesar disso, estamos perante um trabalho meritório, mas para uma próxima edição, terão de colocar a fasquia bem mais alta para que consigam fugir ao rótulo de meras cópias de uma onda que transborda de projectos dentro do género.
Para ouvir, apreciar e em visita ao sítio da banda na grande rede o download deste trabalho é permitido.
Colosso, mas com cuidado. (13/20)

English:
In effect from the first second! Thus begins this work of Swedes Koloss; a massive sonic boom that puts us right in the middle of the picture that will go along with us during the following 39 minutes: a healthy dose of sludge/doom metal with occasional winks an eye to post-metal.
For that is how "End Of The Chayot," a bluntly work, composed of a handful of themes cohesive, solid, well crafted, with a nice instrumental part - though harmless in respect of the news - and vocal lines strong, well the way of what is expected in a musical work in this quadrant. However, during the successive hearings there is always a certain unease that pervades us, it seems we've heard something somewhere ... both in the most atrocious as the more contemplative or atmospherics passages.
It seems to us certain that there was still a take-off in relation to their influences that embrace the moments that revolve around the tunes from the post-hardcore, post-metal (the Neurisis duo doing four more victims) and progressive flashes. However, this is a meritorious work, but for an upcoming edition, they will have to set the slab much higher so they can escape the label of mere copies of a wave that is overflowing with projects within the same genre.
To listen, and enjoy visiting the website of the band, in the vast network download this work is allowed.
Colossus, but with caution. (13/20)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Archon - The Ruins At Dusk (2010)

Esta recta final de 2010 tem reservado alguns bons trabalhos, fazendo prevalecer o adágio "Até ao lavar dos cestos é vindima", e no espectro do Sludge/Doom fomos confrontados ultimamente com alguns registos que não nos passaram indiferentes: o novo álbum dos Salome, "Terminal", já dissecado por estas bandas e este disco de estreia dos, igualmente, norte-americanos Archon. Apesar de serem bem diferentes na sua abordagem musical, acabam por transmitir um conjunto de sensações algo similares, pintadas sob uma paleta de cinzentos bem carregados.
Alicerçados em bandas clássicas como os Black Sabbath ou Pentagram, adicionam à sua sonoridade nuances que nos remetem para uns Electric Wizard ou entram de cabeça em campos mais experimentais onde os Neurosis afloram de imediato.
Assim, com este retrato, que dizer deste "The Ruins At Dusk"? O que nos parece mais óbvio, ou seja, o caldeirão de influências referido resultou em quatro temas de boa qualidade, pesados mas sem perder a noção de melodia, com uma acentuada vertente instrumental bastante interessante - ouça-se a parte final de "Helena (Ruins At Dusk)" ou a desconcertante "The Fate Of Gods" que, ao longo dos seus «singelos» 21 minutos, condensa a sonoridade deste septeto (que conta com um violoncelista! na lista de colaboradores da banda), demonstrando que apesar de se movimentar num círculo bastante sobrepovoado de projectos, apontam linhas de evolução e de abordagem para a sua sonoridade, podendo criar para si e para nós algumas expectativas de um futuro minimamente auspicioso. Se conseguiram musicar o destino dos deuses, aguardamos mais alguns sons do seu próprio destino, então. (14/20)

English:
This final stretch of 2010 has reserved some good works, thus creating the adage "By the washing of the baskets is harvest”, and the specter of Sludge/Doom lately we have been confronted with some records that we have not stayed indifferent: the new album by Salome, "Terminal", as been dissected here a couple of weeks ago and this album's debut, also, American Archon. Although they are quite different in its musical approach, ultimately convey a somewhat similar set of sensations, painted in a palette of grays and loaded.
Rooted in classic bands like Black Sabbath or Pentagram, add nuances to their sound that brings us to some Electric Wizard or go head first into more experimental fields where Neurosis arise immediately.
So with this picture, what about this "The Ruins At Dusk"? What seems most obvious, is the melting pot of influences that resulted in four themes of good quality, heavy but without losing the sense of melody, with a steep slope very interesting instrumental - listen to the final part of "Helen ( Ruins At Dusk) "or the perplexing" The Fate Of Gods ", which, throughout its 'quaint' 21 minutes, captures the sound of this septet (which features a cellist! list of collaborators in the band), demonstrating that despite moving in a circle rather overcrowded project, indicate lines of evolution and approach to its sound, can create for themselves and for us some expectations of future minimally auspicious. If getting music the fate of the gods, look for some more sounds of their own destiny, then. (14/20)



Links: http://archondoom.com/
           http://www.myspace.com/archondoom

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Salome - Terminal (2010)

Se existisse uma banda-sonora para uma brutal cena de pancadaria, mas em slow motion, de um qualquer filme série B ou C, certamente que os temas dos Salome estariam em cima da mesa prontos para serem escolhidos. O Sludge corrosivo, empoeirado e agreste adicionado aos ritmos lentos e doridos do Doom, fazem desta proposta uma mistura bem conseguida e que serviria na perfeição o propósito referido.
Os primeiros momentos não fazem adivinhar o que está para chegar; antes, parecem fazer parte de um álbum de Post-rock ou uma parte experimental de uma banda qualquer que transpire psicadelismo por todos os poros. No entanto, sem nada que o espere ou denuncie, eis que a bateria de Aaron Deal e a guitarra de Rob Moore irrompem sem qualquer tipo de permissão, juntando-se logo a seguir Katherine Katz com a sua voz demoníaca, para durante a hora seguinte nos abalroarem em sete actos.
A dureza dos riffs e a simplicidade dos ritmos continuam a marcar aqui presença, no seguimento da estreia homónima de 2008, embora se note um mais refinado trabalho de guitarra, conferindo um outro aspecto a estas composições. A voz de Katz continua a ser expelida como que sob estado de tortura ou então de possessão demoníaca, tal a visceralidade dos seus gritos e growls. Impressionante e irrepreensível. Resta comprovar ao vivo.
Os temas continuam a ser bastante longos, variando entre os 6 e os 17 minutos, embora no caso deste último estarmos perante um exercício instrumental de Noise cruzado com Drone - situação que acaba por permitir dar algum descanso antes dos últimos dois momentos que compõem este álbum. Longos, mas não enfadonhos, com estruturas dinâmicas embora exista uma reduzida variação rítmica, mas que conferem uma coesão entre todas as músicas bastante assinalável, permitindo que a degustação se prolongue até ao final deste trabalho.
Superando, claramente, o seu primeiro disco, os Salome com este "Terminal" têm boas hipóteses de se tornarem uma das propostas de referência no segmento Sludge/Doom, restando-nos esperar por mais novidades vindas do outro lado do oceano. (15/20)

English:
If there were a soundtrack to a scene of brutal beatings, but in slow motion, of any movie series B or C, certainly the theme of Salome would be on the table ready to be picked. The corrosive Sludge, dusty and harsh rhythms added to the slow and painful doom, makes this proposal and the mixture achieved a nice goal which would serve that purpose perfectly.
The first moments do not guess what's to come, rather, appear to be part of an album of post-rock or an experimental part of any band that leak out psychedelia from every pore. However, nothing that you wait or withdraws, behold, Aaron Deal of the battery and the guitar of Rob Moore blow up without any permission, joining shortly after Katherine Katz with his demonic voice to us for the next hour rammed in seven acts.
The hardness of the simplicity of the riffs and rhythms are still here scoring presence, following the debut release from 2008, although we note a more refined guitar work, giving another feature to these compositions. Katz's voice continues to be expelled as that under a state of torture and then demonic possession, so are their visceral screams and growls. Impressive and perfect. It remains to show live.
The themes continue to be quite long, ranging between 6 and 17 minutes, although in the latter case we are facing a financial instrument crossed with Noise and Drone - a situation that ultimately enable us to give some rest before the last two moments that make this album . Long but not boring, although there is dynamic structures with a reduced rhythmic variation, but they bring a cohesion between all the songs very wide, allowing the taste will last until the end of this work.
Overcoming clearly his first album, the Salome with this "Terminal" have a good chance of becoming one of the proposed reference segment Sludge / Doom, leaving us to wait for more news from across the ocean. (15/20)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

When The Deadbolt Breaks - The Last Day Of Sun (2010)

Com “A Million Miles Of Trouble Ahead”, fica dado o mote para o regresso às lides discográficas dos When The Deadbolt Breaks (WTDB); Sludge/Doom Metal para homens de barba rija é o que nos espera. Logo aí, nesses 5 minutos, condensam-se as influências de Black Cobra, Eyehategod e Neurosis, mestres musicais nas áreas em que se movimentam.
Após este frenesim inicial, as coisas começam a mudar, as águas tornam-se cada vez mais turvas e vemos uns WTDB bastante experimentais, buscando texturas mais ambientais, que poderiam ter sido criadas para um qualquer registo dos Isis, por exemplo, conjugando-as com as toadas mais arrastadas com que nos presenteando ao deste trabalho, “Just Before The Twilight, “In Their Blood” ou “Sprawled In Seamless Time” são excelentes provas disso mesmo, onde a longa duração destes temas, utilizando algumas linhas musicais até à exaustão, vai alternando com outros mais curtos e mais in your face, ouça-se “Hope, Love, Solitude, Suicide” e o tema de abertura, por exemplo, mantendo as coisas sempre num nível que nos vai agarrando durante a audição deste registo.
“The Last Day Of Sun” resulta num grande caldeirão de experiências sonoras, de busca de novos trilhos a explorar e a presença de vocalizações femininas, a espaços, no meio desta aridez sonora bem como a aproximação a terrenos que podem andar próximos do Funeral Doom, “As Flies For Flesh”, e a aposta em vocalizações características do Death Metal, em “Of Fallen Grace”, demonstram que os WTDB não têm nenhum problema em pisar terrenos pouco familiares e, ao mesmo tempo, atirar em várias direcções na busca da melhor solução para a junção ao seu Sludge/Doom.
Quatro anos após “In The Ruins, No Light Shall Shine”, estamos perante um álbum bastante ambicioso, que poderá marcar a evolução musical do conjunto do Connecticut e atirá-los para esferas de qualidade e reconhecimento, na linha das bandas anteriormente mencionadas. Assim os próximos trabalhos o confirmem. (15/20)

“The Last Day Of Sun” encontra-se disponível para download via Fuzztown Records.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Centurions Ghost - Blessed & Cursed In Equal Measure (2010)

Na história da música, por vezes de forma mais ou menos cíclica, discute-se muito as origens de um dado movimento ou de um estilo. No entanto, no caso específico do Sludge Metal as coisas não são tão «pantanosas» quanto isso. Toma-se como dado adquirido, e consensual, que é uma sonoridade americana, com as suas raízes no estado do Louisiana, berço de bandas como os Crowbar e os Eyehategod, pioneiros deste tipo de descargas metálicas (se não tivermos na equação os Melvins, está claro).
Casos houve, igualmente, de bandas que se colavam de tal forma às raízes dos géneros que não era fácil percepcionar a sua origem e as linhas que formavam a sua identidade sonora.
Ora bem, isto tudo parece-nos pertinente por causa do novo álbum dos Centurions Ghost, "Blessed & Cursed In Equal Measure". Primeiro: estamos perante uma grande dose de Sludge Metal com alguns arremedos de Doom. Segundo: apesar de serem originários de Londres, o seu som poderia bem passar por ser de mais uma banda proveniente de Nova Orleães que ninguém iria notar grande diferença. Pois bem, estamos, então, esclarecidos relativamente a uma série de elementos.
Relativamente à música, que é o que nos traz aqui realmente, "Blessed & Cursed..." é um álbum que sabe juntar todos os bons ingredientes dos Crowbar, Eyehategod e dos Iron Monkey (ah, estes são ingleses!...) e qualquer fá do género vai adorar as descargas de peso do quarteto, juntando este projecto à sua lista de preferidos. De facto, temos aqui bom sludge, bem poderoso, muito peso e algum caos contido, mas que corre o risco de não sobressair por entre os demais pelo simples facto de estar um pouco colado em demasia às raízes do movimento, não imprimindo grandes inovações, surpresas e, acima de tudo, algo que evidencie um grande cunho pessoal e os individualize.
Assim, o que podemos dizer é que estamos perante um aceitável trabalho, ao qual falta-lhe qualquer coisa de próprio. (12/20)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Abandon - The Dead End (2009)

Se há momentos em que a palavra "condicionamento" faz sentido, este é, sem dúvida, um deles. Ao olharmos para este opus magnum dos suecos Abandon e inteirados do contexto pós-gravação do mesmo, parece que tudo encaixa perfeita e deveras mórbida.
Vejamos: ao terceiro álbum, existe o risco (e ainda bem!) de "The Dead End" poder ficar na história do metal, pelo menos da década que se presta a findar, por ser um portento de sludge/doom carregado dos mais pesarosos sentimentos de frustração, angústia, desprezo pela vida, até. Não é nada que seja estranho às temáticas do doom, mas aqui parece-nos elevado a um patamar bem alto e que durante a audição deste duplo CD torna-se quase palpável e atingindo o seu expoente nas letras de Johan Carlzon (falecido nos finais de 2008, vítima de overdose).
As quase duas horas de duração deste trabalho, submergem-nos por uma negra atmosfera bem patente em todos os temas, mesmo os acústicos. Neste capítulo, deixamos uma especial nota para "Pitch Black Hole", "For Crumb We Crawl" (pequeno tema instrumental, de abertura ao segundo disco) e o trio final "It's All Gone", "There Is No Escape" e "Eulogy", são tudo temas de causar um forte arrepio na espinha, tal é a intensidade com que nos são apresentados.
"Até ao lavar dos cestos é vindima", lá diz o adágio popular e quem se deparou com este álbum não poderá negar que estamos perante uma das principais referências para o ano de 2009.
E se Johan Carlzon ainda estivesse entre nós, como veríamos este "The Dead End"? (16/20)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Black Cobra - Chronomega (2009)


Dois anos após o lançamento de "Feather And Stone", o duo de S. Francisco composto por Jason Landrian (voz e guitarra) e Rafael Martinez (bateria) regressa aos discos com este "Chronomega", o primeiro para a Southern Lord.
Quem já estabeleceu contacto com este projecto, saberá que os 9 temas que compõem este trabalho, estão carregados de sludge, com um pouco de doom e muita energia punk à mistura, onde cada segundo é efervescente, carregado de imediatismo, como se a raiva expelida contribuisse para o apocalipse. Portanto, não estaremos perante grandes surpresas neste campo. Elas surgem, principalmente, na parte da composição e execução dos temas, onde os Black Cobra se mostram mais maduros e ecléticos, como será o caso de "Catalyst", onde se condensa a fórmula usada por estes senhores mas de uma forma mais refinada, embora cada riff nos seja atirado como se não houvesse amanhã.
Apesar de não ser tão imediato como "Bestial", os Black Cobra encontram-se em muito boa forma e recomendam-se. Veja-se pela lista de concertos agendados até ao final do ano. (15/20)

Site: http://blackcobra.net/

Myspace: http://www.myspace.com/blackcobra

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

S:t Erik - From Under The Tarn (2009)

Ao fim dos primeiros segundos de "Goddess", pensei que estava perante uma cópia dos High On Fire, mas com a passagem dos minutos o cenário mudou. Não é que a base sludge/doom tenha mudado, não é nada disso; a boa surpresa é a inclusão de sintetizadores que emanam sons muito à la space rock, conferindo a estes 5 temas alguma frescura no meio de tanta aridez.
Com o início de "The Search", parece que estamos a ouvir outra banda tal o contraste, durante os primeiros 4 minutos, com a faixa referida no início do texto. Aliás, este segundo tema e o que encerra o álbum, "Swan Song", são os que resultam melhor, não por serem os mais longos, mas porque fundem todos os elementos que fizeram parte deste debut em doses equilibradas, não havendo atropelos estilísticos nem a necessidade de mostrar essas fusões a todo o momento. Estas quase jams, relaxadas, fluentes, permitem verificar que os horizontes destes suecos (é verdade, já é o terceiro caso este mês!) estão bem abertos. Basta olhar para a capa. (15/20)